Home»GLAMOUR»BELEZA»Quimiofobia: os cosméticos naturais são realmente melhores?

Quimiofobia: os cosméticos naturais são realmente melhores?

Hoje em dia assistimos ao aproveitamento, por parte de algumas marcas, deste preconceito face aos químicos com o objetivo de aumentar as vendas e, em certos casos, manipular o consumidor final.

Pinterest Google+
PUB

A quimiofobia define-se como medo ou aversão irracional aos compostos químicos. Hoje em dia assistimos ao aproveitamento, por parte de algumas marcas, deste preconceito face aos químicos, com o objetivo de aumentar as vendas e, em certos casos, manipular o consumidor final.

 

Mas afinal, o que é um químico?

Quando pensamos num químico, tendemos a associá-lo a algo artificial e produzido pelo homem. Mas e se eu lhe disser que absolutamente tudo o que o rodeia, incluindo a própria vida, é composto por químicos?  Desde a água que bebemos ao oxigénio que respiramos, passando por todos os alimentos que ingerimos. Tudo isto tem na sua composição de base elementos químicos.

 

Na verdade, todos os elementos que constituem a matéria do mundo podem ser encontrados na tabela periódica dos elementos químicos: os verdadeiros ingredientes da vida e de tudo o que nos rodeia.

 

VEJA TAMBÉM: QUATRO MOTIVOS PARA CONFIAR NOS COSMÉTICOS QUE COMPRA

 

De onde surge a quimiofobia?

Este verdadeiro preconceito pelos compostos químicos acontece muitas vezes devido à falta de familiaridade com a química e também pela linguagem aparentemente complexa, típica desta disciplina.

 

Por exemplo, (5R)-5-[(1S)-1,2-dihydroxyethyl]-3,4-dihydroxy-2,5-dihydrofuran-2-one pode parecer assustador para algumas pessoas. Na verdade, é apenas vitamina C!

 

Outra das razões que nos leva a temer os compostos químicos é o marketing feito pelas marcas, sobretudo as marcas de produtos cosméticos e alimentares que aproveitam este medo para ganhar vantagem na hora de divulgar e vender os seus produtos.

 

Nos últimos anos, as alegações “sem” e “free” difundidas em produtos cosméticos chegou a um extremo tão grande que houve necessidade de regular o seu uso por parte das entidades competentes.

 

Desta forma, foi proibido o uso deste tipo de alegações para ingredientes aprovados pelo regulamento europeu de produtos cosméticos e cuja segurança está demonstrada, como é exemplo o claim “sem parabenos”.

 

No entanto, continua a ser possível utilizar este tipo de argumentos sempre que os mesmos ajudem efetivamente o consumidor final na decisão de compra, como é exemplo disso o claim “sem ingredientes de origem animal”.

 

O verdadeiro dilema associado à quimiofobia na cosmética é a origem dos ingredientes. Atualmente, existe uma crença bastante generalizada de que os ingredientes de origem sintética (produzidos laboratorialmente) são piores e até mais perigosos do que os ingredientes de origem natural.

 

De uma forma geral, tendemos a pensar que um cosmético natural é mais eficaz, mais ético, mais sustentável e mais seguro.

 

Mas…é realmente verdade?

A primeira coisa que devemos ter em conta é que mesmo os ingredientes de origem natural sofrem processos químicos antes da sua introdução no produto final.

 

Um cosmético natural não é mais eficaz

A eficácia de um cosmético é dada pela sua fórmula e não pela origem dos seus ingredientes. Desta forma, sejam os ingredientes de origem natural ou sintética, isso não é um fator determinante para a eficácia do produto.

 

Um cosmético natural não é mais seguro

A segurança de um cosmético é garantida pelo cumprimento do regulamento europeu nº 1223/2009 de produtos cosméticos e não pela origem dos ingredientes que constituem o cosmético. Existe, por parte das entidades regulatórias, um esforço para avaliar de maneira contínua a segurança dos ingredientes usados em cosmética, sejam eles de origem natural ou sintética.

 

Um cosmético natural nem sempre é mais sustentável

Não se pode afirmar que um cosmético natural seja mais sustentável. Muitas vezes, a opção mais sustentável vem mesmo do laboratório. Veja-se o caso do óleo de palma, um ingrediente natural e com impacto muito negativo ao nível de sustentabilidade.

 

Outro exemplo são os extratos de plantas que, para a sua obtenção a nível industrial, exigem o uso de enormes quantidades de matéria-prima, com tudo o que isso implica para o planeta. Além de que, por vezes, estes cultivos em massa contribuem para a disrupção de determinados ecossistemas.

 

Um cosmético natural não é mais ético

É verdade que o conceito de ética tem muitíssimas vertentes. No entanto, em cosmética, a ética está bastante relacionada com o uso de ingredientes de origem animal.

 

Muitas vezes, os produtos naturais vêm acompanhados do claim “sem ingredientes de origem animal”, mas nem sempre é assim e é importante relembrar que um ingrediente de origem animal é considerado um ingrediente natural.

 

Artigo anterior

Culpados ou vítimas? Como arrumar as ‘gavetas’ depois dos abusos sexuais?

Próximo artigo

Café solúvel e café expresso: conhece (realmente) as diferenças?