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Quer fazer uma viagem aos sabores de antigamente?

Um cabrito demoradamente assado, um caldo de castanha cremoso, o regresso da truta em forma de tártaro… os sabores originais das Aldeias de Xisto são redescobertos e dados a conhecer em novos menus que transmitem o espírito de cada lugar. Percorremos estradas sinuosas e paisagens a perder de vista e fomos provar alguns deles.

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Estamos na Aldeia das Dez, concelho de Oliveira do Hospital, a 500 metros de altitude. Entre o silêncio frio da serra e o crepitar quente da lareira, somos subtraídos à imersão na leitura pelo cheiro que vem da cozinha. É hora de almoço. Dirigimo-nos ao restaurante João Brandão, que integra o hotel rural Quinta da Geia. Por lá, a chef Margarida Nunes ultima os preparativos da refeição.

 

Vamos provar o menu Espírito do Lugar, que mostra o que de mais genuíno e ancestral a nível gastronómico há nas Aldeias de Xisto. O cabrito, a truta, a tigelada, feitos à maneira das tradições de cada aldeia, com os produtos locais, dos produtores locais, como sempre foi. (Veja imagens na galeria acima).

 

O menu resulta de uma investigação e experimentação gastronómica feita em parceria pelas Aldeias de Xisto e a Nuno Nobre Consultoria. «Andámos no terreno a conhecer as tradições, a falar com os produtores e com as pessoas. E demorámo-nos por lá a sentir o espírito de cada aldeia», conta Nuno Nobre. Depois foram promovidos encontros entre os chefs locais e chefs convidados, o que resultou nestes menus, disponíveis em 11 restaurantes, durante a Xisto Week, até 14 de fevereiro. Mas não se preocupe se não conseguir ir até lá por estes dias, pois alguns pratos vão continuar para além desta data e o espírito do lugar vai manter-se à mesa, contam-nos…

 

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Mas voltemos ao restaurante João Brandão. Iniciámos a refeição com um pouco de pão quente com manteiga de ervas caseira. Como entrada degustamos escabeche de peixe do rio Alba e paté das Dez com compota de citrinos e noz. O menu resulta de uma fusão de experiências entre a chef residente e o chef convidado, Vasco Lello. Prosseguimos para um cremoso caldo de truta com funcho da montanha. A truta é um dos peixes endógenos que se perdeu um pouco, mas que volta agora à mesa deliciosamente servido.

 

Nesta região, o prato-rei é o cabrito e ele não falta à mesa dos vários restaurantes. No João Brandão, é servido com migas de broa e ervas de molho. Demoradamente confecionado, vale cada curva sinuosa na estrada para lá chegar. Recomendamos vivamente, até porque despertou o gosto até em quem não era apreciador desta carne. E isso não é para todas as mãos. Como sobremesa, tigelada com ameixa confitada e mel de castanheiro. Deliciosa.

 

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O menu exige um posterior passeio pela centenária aldeia de xisto, onde ficamos a saber que assim se chama por em tempos aí viverem dez famílias. E que por estar situada nas montanhas e ter muitos cantos e recantos, escadinhas e becos era lugar de refúgio preferido dos judeus que fugiam à perseguição cristã. E também porque as gentes da aldeia eram muito tolerantes e ajudavam quem precisava, ficamos a saber.

 

O périplo gastronómico segue, agora em direção a Pampilhosa da Serra. São perto de 60 km de estradas sinuosas, que por si só são uma aventura que garante adrenalina pura. Aí chegados, instalamo-nos no Villa Pampilhosa Hotel, uma unidade de quatro estrelas que integra o Buke, outro dos restaurantes aderentes ao menu Espírito do Lugar.

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