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Quarentena: Pais ‘à beira de um ataque de nervos’

Vivemos a vida em stress constante, queixamo-nos do trabalho, do trânsito, dos colegas, da falta de falta de tempo, para nós e para a família. No entanto, agora, por força das circunstâncias, temos tempo, mas queremos voltar a não ter. Queremos a nossa vida agitada de volta. Alguém que perceba o ser humano, nunca está satisfeito com o que tem!

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Mas agora parece que a situação está critica. Multiplicam-se nas redes sociais posts de pais desesperados a solicitar ajuda para lidar com os filhos, pois perceberam que afinal não são tão calmos como imaginavam. Finalmente percebem os educadores e professores. Nem os grupos de apoio, centenas de estratégias que se multiplicam no “Dr. Google”, parecem ajudar.

 

O cenário não é animador.  As salas viraram “amontoados” de brinquedos, as televisões só permitem a visualização de desenhos animados, a casa está em “verdadeiro estado de sitio”. Neste filme que parece de terror, as personagens principais, pais e filhos, também não estão no seu melhor. Pais à beira de um ataque de nervos e filhos fartos de estar confinados a qautro paredes. O desfecho “gritos” e birras. Uma experiência nada agradável.

 

Esta é a realidade de muitos portugueses, mas não precisa de ser a sua. Não precisa de chegar à Pascoa com a sanidade mental afetada. Encare esta situação como uma oportunidade, um momento único. Sei que na teoria é fácil, mas também sei que na prática também o é se não complicar muito.

 

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Por isso a primeira dica é mesmo descomplicar. Minimizar a casa pouco arrumada, pois faz parte da brincadeira. Crianças é sinónimo de desarrumação. Recordo-lhe para o caso de se ter esquecido. Acrescento também que criança não é adulto, não sabe como se deve comportar em situações atípicas e tende a ficar ansiosa. Manifesta a sua ansiedade através da agitação, e por vezes birras. Por isso desista de as tentar controlar. O segredo é escutá-las, ouvir os seus medos e os seus receios. Perceber o que sabem sobre a Covid-19, o que gostariam de saber e o que as inquieta. Para isso dê o exemplo. As crianças olham para si e observam tudo o que diz e faz. Mantenha a calma, as crianças aprendem por imitação; portanto, o que faz é ainda mais importante do que o que diz.

 

Segunda dica, minimize. Parece a primeira, mas não é. Está é ligada. Em vez de revelar preocupação em manter as rotinas, preocupe-se em tranquilizar as crianças. Diga aos seus filhos que está lá para eles e que está tudo bem. Saliente que todos estão seguros. As rotinas são de facto securizantes, pois permitem reduzir a ansiedade do desconhecido, mas também neste caso podem, se rigidamente implementadas, ser um verdadeiro empecilho ao bem-estar. Perceba como se sentem e ajuste as rotinas à necessidade da família. Flexibilidade é palavra de ordem.

 

Terceira dica, tenha paciência. Todas as pessoas estão aflitas, imagine uma criança, ou até mesmo um adolescente. Ninguém estava preparado para esta situação. Desculpe reações exageradas e tente enquadrá-las. Recordo que também terá algumas.

 

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Quarta dica, seja disponível. As crianças podem precisar de atenção extra neste momento, sentirem-se mais vulneráveis. É importante que saibam que está disponível para elas, para partilharem sentimentos e preocupações.

 

Quinta dica, use e abuse de um ingrediente secreto, que em regra tudo resolve, o carinho. Diga e mostre às crianças que as ama. Eles vão apreciar um carinho extra, um gesto diferente.

 

Sexta dica, pratique a descontração.  As crianças não têm o entendimento dos adultos, nem a sua maturidade. Têm reações exacerbadas, são muito insistentes e têm pouca paciência para esperar. Manter a calma e a descontração ajudarão nesta fase. Não dê uma importância exagerada às situações, nem aos momentos. Tudo tem solução e nada é assim tão grave.

 

Sétima dica, brinque, divirta-se e usufrua dos seus filhos. Vai perceber que é maravilhoso. Não tente criar brincadeiras perfeitas ou únicas, a palavra de ordem é diversão, e aqui tudo vale. As crianças não valorizam a brincadeira em si, mas o brincar consigo. Seja por uns dias criança também.

 

Pense nisto!

 

P.S. Aproveito para pedir desculpa à Prof. Sara, prof. da minha filha Matilde. Estive a colocar as dicas em prática e ainda não fizemos os trabalhos que envia.  Mas lemos quatro livros, cozinhámos, passámos a ferro, vimos filmes, fizemos um piquenique na varanda, escrevemos recados por toda a casa para cumprirmos as regras de segurança inerentes à Ccovid-19, brincámos com o robot, dançámos, construímos uma pista em Lego na garagem, estivemos a desenvolver, embora sem grande futuro, os dotes de desenho e artes manuais e vivemos uma série de aventuras na sala. Desculpe estivemos a usufruir da beleza das pequenas coisas! Mas amanhã vamos trabalhar nas fichas…

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