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Quão frequente é a carência da vitamina D na população portuguesa?

O deficit de vitamina D é prevalecente nos países Europa central e mediterrânicos, como a Grécia, Espanha e Itália, e menor nos países escandinavos ou da América do Norte. A latitude geográfica elevada em que se encontra a Europa não permite a fotossíntese cutânea da pró-vitamina D durante os meses de inverno. Cerca de 65% da população portuguesa tem deficit de vitamina D.

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A vitamina D é única entre as vitaminas, pois funciona como uma hormona e é responsável pelo aumento da absorção intestinal de cálcio, magnésio e fosfato, além de múltiplos outros efeitos biológicos.

 

Hoje em dia estão também provados os seus efeitos benéficos como modulador importante da resposta imune à infeção, na ação anti- bacteriana, proteção contra doenças autoimunes, doenças cardiovasculares, diabetes Mellitus  tipo 2, vários tipos de cancro, disfunção neurocognitiva, e doenças mentais.

 

A principal fonte de vitamina D resulta da síntese cutânea pela exposição ao sol e depende de vários fatores, como a latitude da área geográfica, a altitude, a estacão do ano, a hora do dia, a superfície corporal exposta e a duração da exposição, uso de protetores solares, pigmentação da pele, obesidade, idade e entre outros.

 

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As fontes alimentares de vitamina D incluem óleos de peixe e, em alguns países (EUA e Norte da Europa), produtos alimentícios fortificados (lacticínios e produtos de panificação).

 

O deficit de vitamina D é prevalecente nos países Europa central e mediterrânicos, como a Grécia, Espanha e Itália, e menor nos países escandinavos ou da América do Norte. A latitude geográfica elevada em que se encontra a Europa não permite a fotossíntese cutânea da pró-vitamina D durante os meses de inverno, circunstância que está parcialmente compensada nos países nórdicos e da América do Norte por uma maior ingestão de vitamina D, já que determinados alimentos estão habitualmente enriquecidos com vitamina D e, por outro lado, se administram com maior frequência suplementos desta vitamina.

 

Investigadores do Centro Hospitalar e Universitário de Coimbra, em 2017, concluíram que cerca de 65% da população portuguesa tem deficit de vitamina D. O mesmo estudo   concluiu também que 15% da população apresenta mesmo uma deficiência grave daquela vitamina, sendo a faixa etária mais deficitária entre os 46 e os 64 anos.

 

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Um estudo com 198 participantes (18-67 anos) vivendo no Porto, e realizado nos meses de julho e agosto de 2015 (tempo de verão) e  março e abril 2016 (tempo de inverno) mostrou que 48% da população tinha níveis compatíveis com deficit de vitamina D e no período de Inverno esse valor atingiu os 74%.

 

Há́ um consenso de que a prevenção da deficiência de vitamina D é uma prioridade de saúde publica. A suplementação de Vitamina D é portanto de vital importância se a produção endógena, qualquer que seja a razão. É particularmente importante em alguns grupos de risco como as crianças e adolescentes, população idosa, uso indiscriminado de protetores solares, e pessoas que voluntariamente ou por outras razões não têm acesso ou acesso limitado à exposição dos raios solares UBV produtores da vitamina D.

 

A adoção de estilos de vida saudáveis, de uma alimentação variada e equilibrada e de uma exposição solar cuidada e atenta, poderá ser uma solução simples e eficaz na manutenção de níveis adequados de vitamina D.

 

Por Fernando Ramalho

Médico gastroenterologista e professor na Faculdade de Medicina da Universidade de Lisboa

 

 

 

 

 

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