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Quanto vale uma floresta? Espanha desenvolve ferramenta que estima valor económico dos recursos naturais

Um novo visualizador georreferenciado permite consultar os recursos naturais e económicos das montanhas da Andaluzia, contabilizando o valor desde a extração de madeira até a captura de CO2 e passando pelos benefícios recreativos que a montanha proporciona. A ferramenta aplicada no sul de Espanha pode ser recreada para qualquer recanto verde do planeta.

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Quanto vale uma floresta? Economicamente, o que uma estrada em frente a uma montanha nos oferece? Quais são os serviços dos espaços naturais e como podem ser cobrados? Estas são algumas das questões que o projeto Valorização do Rendimento e do Capital da Serra da Andaluzia (RECAMAN) tenta responder, liderado pelo Grupo de Economia Ambiental do Conselho Superior de Investigação Científica (CSIC) e desenvolvido com o contributo de nove instituições em Espanha. No âmbito desta iniciativa, onde participa o Museu Nacional de Ciências Naturais de Espanha (MNCN-CSIC), acaba de ser publicado um visualizador online georreferenciado dos recursos naturais biofísicos e económicos das montanhas daquela região.

 

A equipa desenvolveu um visualizador georreferenciado que permite consultar os recursos naturais biofísicos e económicos das montanhas. O RECAMAN, criado por iniciativa da Junta da Andaluzia, constitui uma resposta metodológica recomendada pelas Nações Unidas na última versão de seu manual de contas de ecossistemas, aprovado em março, para quantificar os recursos naturais e biológicos em todo o mundo, refere o MNCN-CSIC em comunicado.

 

«Desenvolvemos uma metodologia para inventariar os recursos naturais – que vão desde a extração da madeira até a captura de CO2, passando pelos benefícios recreativos que a montanha proporciona – revelando o seu valor económico total. De momento aplicámos na Andaluzia, mas vale para qualquer recanto natural do planeta», explica o coordenador do projeto RECAMAN, Pablo Campos Palacín, também pesquisador do Instituto de Políticas Públicas e Bens.

 

 

Por seu turno, Javier de la Torre, diretor-geral da Agência Andaluza do Ambiente e da Água, assinala que «com o conhecimento dos custos e benefícios reais do campo, procura-se um equilíbrio, e melhorar os sistemas de produção de madeira e outros recursos para ser consistente com a conservação. Trata-se de estabelecer as políticas de proteção e os tipos de uso mais adequados».

 

No caso específico da Andaluzia, os sistemas florestais caracterizam-se por apresentarem produções muito diversificadas (pastagens, caça, madeira, lenha, mel, cogumelos, cortiça, frutas, plantas aromáticas …), com uma presença significativa de produtos florestais não lenhosos.  «Isso dá-lhes muita relevância para a economia local e pouca para os mercados internacionais de madeira. São áreas com diversos valores ambientais, como o uso recreativo de espaços naturais, a fixação de CO2 ou relacionados com a biodiversidade das florestas mediterrâneas, sobre os quais há pouca informação sobre a sua contribuição económica, mas há pouca informação sobre os importantes gastos públicos que precisam de ser sustentados», revela o comunicado divulgado. É imprescindível, apontam os responsáveis ​​pelo projeto, que essas ferramentas sejam consideradas no desenvolvimento de novas políticas económico-ambientais.

 

«Para garantir que as valorações dos bens e serviços públicos possam ser combinadas com os produtos privados, foi simulada a existência de pagamentos diretos dos consumidores pelos bens e serviços públicos prestados pela serra», explica Campos Palacín.

 

«Um dos grandes valores desse trabalho é que, além de ser uma ferramenta poderosa para analisar cientificamente a compatibilidade dos usos do solo, mostra com números quanto dinheiro a sociedade perde quando uma floresta é queimada ou um ecossistema é explorado em excesso. É fácil saber quanto o governo gasta para manter as áreas florestais. O que não é tão conhecido é quanto do PIB corresponde a serviços ecossistémicos que agora, graças a essa ferramenta, podemos estimar com rigor. Pessoalmente, acredito que essa metodologia pode ser muito útil para a sociedade valorizar o património natural e estar ciente de que, além de seus valores emocionais, a natureza oferece recursos de grande valor econômico», reflete o pesquisador do MNCN, Mario Díaz.

 

 

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