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Quando se deve parar de fazer tratamentos de infertilidade?

A maioria dos casais considera a interrupção do tratamento extremamente traumática e um grande número sente ser profundamente afetado pela sua infertilidade.

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Talvez a parte mais difícil da terapia da infertilidade é saber quando parar. Se houver uma situação de uma causa absoluta de infertilidade do casal, como por exemplo, uma falência ovárica prematura ou uma azoospermia, e quando não há possibilidade de engravidar sem tratamento, a decisão de o interromper é determinante. Se, por outro lado, existem fatores causais de gravidade intermédia, como uma alteração moderada na qualidade do esperma, uma lesão parcial das trompas ou uma infertilidade inexplicada, é mais difícil decidir parar o tratamento.

 

Há duas razões principais para a dificuldade desta decisão: em primeiro lugar, nunca se pode ter certeza de que o próximo ciclo de tratamento não será aquele em que uma gravidez ocorre; em segundo lugar, há sempre a probabilidade de uma conceção espontânea, embora geralmente esta hipótese seja relativamente pequena no momento em que o casal chegou a esta fase. Estamos obviamente a referirmo-nos à fase de realização da fertilização in vitro em que o casal provavelmente passou por muitos anos de investigações, de tratamentos mais simples, para, em seguida, terminar numa técnica mais elaborada de procriação assistida.

 

Contudo, alguns casais não desejam seguir para tratamentos de procriação medicamente assistida (PMA) de alta tecnologia e querem interromper a terapêutica no momento em que a fertilização in vitro é recomendada. Outros acabam por suspender o tratamento por causa do stress psicológico, mesmo que financeiramente haja disponibilidade para continuar.

 

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Existem várias abordagens possíveis para lidar com a quantidade de ciclos de tratamento que um casal deve realizar. É fundamental em todos os casos efetuar uma avaliação objetiva dos problemas do casal antes de começar todo o processo e dar uma perspetiva honesta da probabilidade cumulativa de uma gravidez e de nascimento dum filho vivo após um certo número de ciclos de tratamento.

 

A avaliação dependerá das características individuais do casal, como idade, duração da infertilidade, diagnóstico, mas também dos resultados da clínica em que vão realizar o tratamento. Com todas estas informações o casal deve, no início, ter uma compreensão do que é que o tratamento tem para oferecer e, deste modo ter perspetivas realistas. Na prática, muitos casais têm expectativas irrealistas sobre os tratamentos, um entendimento pouco claro das estatísticas e das taxas cumulativas de gravidez, e um sentimento compreensível de que eles são indivíduos especiais, em vez de compreenderem que fazem parte da população que compõem as estatísticas.

 

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De facto, os estudos estatísticos sobre taxas de gravidez nas terapêuticas de PMA aplicam-se a populações ou grupos de pacientes em vez de indivíduos e só podem ser usados ​​para fornecer um guia aproximado da eficácia do tratamento.

 

Alguns casais abandonam o caminho porque acham o tratamento muito difícil, desagradável, doloroso, stressante, disruptivo ou dispendioso. Eles são um grupo diferente dos casais que são perseverantes e pedem orientação clínica sobre quando parar, estes últimos ao beneficiarem de aconselhamento e apoio abandonam o processo sem dúvidas e ambiguidades.

 

Quando a equipa médica sente que o tratamento não está a ter resultados práticos, é sensato discutir seu objetivo; em outras palavras, para sugerir quantos mais ciclos o casal deve realizar, ele tem de cumprir com a decisão de parar definitivamente depois do limite acordado. É nossa experiência que esta política de esclarecimento e aconselhamento é geralmente mais bem aceite do que simplesmente terminar os tratamentos no final de um ciclo sem discussão prévia.

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