Home»BEM-ESTAR»COMPORTAMENTO»Quando o lar é um inferno

Quando o lar é um inferno

No cenário atual que vivemos, um cenário de pandemia, onde nos é lançado o desafio de ficar em casa, cria-se um terreno fértil para a proliferação da violência doméstica. Estar confinado/a em casa com um cônjuge violento é muito perigoso.

Pinterest Google+

«Se Lar e Casa fossem iguais não teriam nomes diferentes. A maioria vive a vida na busca de uma Casa e esquece de edificar um Lar», Jean Carlos Sestrem.

 

Para a maioria de nós, lar é sinónimo de paz, conforto, o sítio onde podemos ser nós próprios, o local que nos confere a tranquilidade que precisamos para enfrentar com entusiasmo os desafios do dia a dia. De diferentes formas os lares incorporam como vivemos e como nos vemos.

 

O lar é sentido como um local de abrigo, que nos proporciona uma fuga (temporária, porém, necessária) do “mundo real”. Valorizado e almejado como um “porto seguro”, confere-nos estabilidade e felicidade.

 

Mas muitas pessoas possuem uma casa, mas nem todas a podem chamar de lar. O que torna uma casa num lar é o amor que nela reside, é o carinho mútuo entre os membros que a habitam, os laços entre eles.  A inteligência emocional está enraizada em cada lar e é a melhor garantia de uma vida feliz.

 

O lar constrói-se com respeito, autocontrole, bondade e cordialidade. Sem estes valores nada funciona… e o lar não passa de uma mera casa. Assim é nos lares onde mora a violência doméstica. Não passam de casas…

 

No cenário atual que vivemos, um cenário de pandemia, onde nos é lançado o desafio de ficar em casa, cria-se um terreno fértil para a proliferação da violência doméstica. Estar confinado/a em casa com um cônjuge violento é muito perigoso. Com o passar dos dias, tudo passa a ser motivo de conflito.

 

Está mais do que documentado que em situações de crise, há um aumento da violência doméstica. Com o término das rotinas diárias, as vítimas estão expostas aos agressores por longos períodos e excluídas de apoio social, mas também institucional para lidar com a crise. Muitas das estratégias diárias para sobreviver a uma relação abusiva, o trabalho, a rede colegas e amigos deixam de existir, aumentando o sofrimento e a incapacidade em agir, aumentando o poder do agressor.

 

Na violência doméstica tudo gira à volta de ciclos de poder e controle. Quando as vítimas são obrigadas a estar com o agressor diariamente, aumenta a criatividade e o foco em exercer esse mesmo controle. O agressor pode usar qualquer ferramenta para exercer controle, aproveitando uma situação, já em si stressante, para reforçar o seu domínio. Consequentemente isolam ainda mais as suas vítimas, tornam-nas mais vulneráveis, com sentimentos de incapacidade, baixa autoestima, impedindo-as de qualquer tentativa de pôr fim a este ciclo.

 

Temos todos de estar focados para os riscos deste fenómeno. É importante que as vítimas saibam que não estão sozinhas e abandonadas, e que podem continuar a pedir ajuda. O segredo para eliminar este fenómeno és tu, vizinho, que ouves e não silencias, tu, vizinho, que ouves e não negas, tu, vizinho, que ouves e mesmo com medo ages, tu, vizinho…

 

Tu, vizinho, podes fazer a diferença denuncia…

Quanto mais cedo os agressores perceber que a tolerância com a agressão é zero, mais cedo recuam. Pensa no tipo de vizinho que queres ser!

Artigo anterior

COVID-19: Recomendações da OMS para apoiar o bem-estar mental e psicossocial da população

Próximo artigo

Poluição está a contribuir para aumento da obesidade e doenças intestinais