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Psoríase: uma doença que vive além da pele

Nos meses de verão, os doentes com psoríase notam, habitualmente, uma melhoria clínica e uma regressão das lesões cutâneas.

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Uma doença inflamatória crónica, sem cura, potencialmente grave, estigmatizante e incapacitante são algumas das características que descrevem a psoríase.  A psoríase afeta ambos os sexos de igual forma e a maioria dos casos ocorre entre os 15-30 anos ou entre os 50-60 anos. É considerada uma doença imuno-mediada e de origem multifatorial, envolvendo fatores genéticos, imunológicos e ambientais.

 

Clinicamente, a psoríase manifesta-se por placas eritemato-descamativas envolvendo preferencialmente os cotovelos, os joelhos, a região lombo-sagrada e o couro cabeludo, associando-se frequentemente a prurido. Cerca de 30% dos doentes desenvolvem uma forma de espondiloartropatia, denominada de artrite psoriática.

 

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À luz das evidências atuais, a psoríase é encarada como uma patologia sistémica, associada a comorbilidades cardiometabólicas (diabetes, obesidade, hipertensão arterial e doença cardiovascular), articulares (artrite psoriática) e psicológicas (depressão e ansiedade).

 

O seu efeito negativo na qualidade de vida parece ser comparável ao de doenças como a diabetes, depressão, doença cardíaca isquémica e cancro. Associa-se, ainda, a isolamento e discriminação social, maior mortalidade, diminuição da produtividade laboral e aumento da utilização dos sistemas de saúde, com consequente impacto económico e social.

 

No entanto, embora não exista uma cura para a psoríase, com os tratamentos atualmente disponíveis é possível a resolução total ou quase total das lesões cutâneas e dos sintomas articulares. Este processo requer uma abordagem individualizada, tendo em conta fatores com a extensão da doença, idade, sexo, comorbilidades, recursos disponíveis, capacidade de adesão e a preferência do doente.

 

Verão! Tudo o que precisamos de saber sobre esta patologia nos meses mais quentes:

Nos meses de verão, os doentes com psoríase notam, habitualmente, uma melhoria clínica e uma regressão das lesões cutâneas. Assim, e apesar de muitos doentes evitarem a exposição da pele por vergonha e receio de discriminação e de comentários ou olhares inapropriados, o sol pode ser um aliado no tratamento. De facto, a radiação ultravioleta do sol exerce uma ação imunomoduladora, ajudando a diminuir a rápida taxa de renovação das células da pele observada na psoríase, a aliviar a inflamação e a reduzir a descamação.

 

Mas é importante ter presente alguns cuidados a manter durante este período. Afinal, apesar da exposição solar poder ser benéfica, em excesso aumenta o risco de queimaduras solares (escaldões). Funcionando como uma agressão à pele, a queimadura pode induzir o aparecimento de novas lesões de psoríase, o chamado fenómeno de Koebner.

Além disso, alguns medicamentos orais e tópicos, usados no tratamento da psoríase, podem tornar a pele mais sensível à radiação solar e aumentar o risco de escaldão. Por outro lado, a exposição solar excessiva, acrescida à eventual realização de fototerapia e à toma de alguns medicamentos imunossupressores, aumenta o risco de cancro da pele.

 

Neste sentido, o doente psoriático deve evitar a exposição solar entre as 11 e as 17h, usar protetor solar, óculos de sol, boné ou chapéu e manter uma adequada ingestão hídrica e hidratação da pele. Recomenda-se, ainda, a utilização de roupas de algodão, leves e mais largas para evitar o agravamento dos sintomas e a irritação cutânea.

 

Mesmo tendo todos os cuidados comuns para a pele, o doente com psoríase deve ser acompanhado por um dermatologista e seguir todas as recomendações para um convívio salutar com o sol!

 

Por Paulo Morais

Dermatologista no Trofa Saúde Hospital em Alfena e Hospital da Luz Clínica de Amarante

 

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