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Psoríase: dermatologista tira todas as dúvidas

A psoríase afeta 2 a 4% da população mundial, estimando-se em 300 mil o número de doentes em Portugal. Tem picos de aparecimento entre os 15-25 anos e os 50-60 anos. Conheça as suas causas, efeitos e tratamentos disponíveis.

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De que forma afeta o quotidiano?

O impacto da doença é particularmente relevante e toca todas as áreas da vida pessoal e relacional: autoimagem e autoestima, sexualidade, sono, vida familiar, atividades laborais e de lazer, hábitos. A repulsa e rejeição sociais de que ainda hoje estes doentes são vítimas resultam das crenças e preconceitos que conotam as doenças da pele com sujidade, impureza, culpa, contagiosidade, moral e condutas desviantes. A visibilidade das lesões, o seu por vezes carácter hemorrágico, as escamas omnipresentes, o odor característico a creme, a aspereza da pele, o prurido ou dor associados, a inadequação da indumentária no intuito de esconder lesões, são tudo elementos que penalizam e estigmatizam o doente psoriático.

 

A minha psoríase é grave?

A psoríase pode ter diferentes graus de gravidade que é objetivamente baseada nas características das lesões e na extensão de pele envolvida. Todavia, o compromisso que a doença exerce sobre a qualidade de vida do doente é também decisivo na determinação da sua gravidade: pode, por exemplo, causar um impacto muito significativo na atividade diária de alguém que tenha lesões evidentes nas mãos ou na face. A escolha das opções de tratamento depende da avaliação desses fatores.

 

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Tratamento da psoríase

A psoríase não é curável, mas existem muitos tratamentos disponíveis para a controlar. A escolha das modalidades terapêuticas depende da gravidade da doença e no impacto na qualidade de vida, no custo e conveniência do tratamento, e na resposta individual ao mesmo. A combinação de terapêuticas está frequentemente indicada.

 

Terapêutica tópica – A psoríase ligeira é geralmente tratada com agentes que se aplicam sobre a pele. É a primeira linha no tratamento da doença, reduzindo a inflamação local e normalizando a proliferação celular. A facilidade de aplicação destes agentes – do ponto de vista cosmético e de comodidade posológica – é fundamental na adesão: pomadas untuosas e de difícil espalhamento prescritas para áreas muito extensas são um convite à não utilização.

 

Fototerapia – Nos meses de Verão, os doentes com psoríase assistem normalmente a uma melhoria da sua doença. A exposição à radiação ultravioleta em cabines apropriadas sob controlo do Dermatologista pode ser recomendada. Ainda que possa ser muito eficaz, é importante discutir os riscos e os benefícios desta opção terapêutica que implica uma deslocação à instituição de saúde 2 a 3 vezes por semana.

 

Terapêutica sistémica convencional – Na psoríase moderada a grave preconiza-se o tratamento com agentes sistémicos e/ou fototerapia. São medicamentos que se tomam por via oral e atuam em todo o organismo. Têm eficácias variáveis e não são isentos de efeitos adversos.

 

Biológicos – Os agentes biológicos ou biotecnológicos estão reservados, de uma forma geral, para psoríases resistentes ou com contraindicações às modalidades terapêuticas anteriormente descritas. Os medicamentos biológicos são proteínas provenientes de células vivas cultivadas em laboratório. Em termos de mecanismo de ação, bloqueiam etapas muito específicas do sistema imune, atingindo eficácias muito superiores aos tratamentos clássicos. São administrados por injeção subcutânea ou infusão intravenosa.

 

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Preciso de ser acompanhado por um médico?

Gerir o carácter flutuante, crónico e altamente impactante da doença é muito difícil sem ajuda especializada. Para além disso, ao longo dos anos, podem surgir múltiplas morbilidades e limitações que podem condicionar de forma decisiva o prognóstico dos doentes, não apenas no que toca à sua qualidade de vida, mas também no que concerne o seu próprio prognóstico vital; nos casos mais graves – com uma efectiva redução da esperança de vida.

 

Por Pedro Ponte

Dermatologista, Hospital dos Lusíadas

 

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