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Psicologia: uma só palavra, muitos mitos e significados

Nunca uma especialidade gerou tanta polémica, tanta insegurança, causou tanta ansiedade, originou tantos mal-entendidos e motivou tantas conversas de café como a psicologia.

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A saúde mental e a psicologia estão na ordem do dia, pelos piores motivos é certo, mas recorrer a uma consulta de psicologia ainda não é algo consensual. Para uns é uma necessidade, para outros uma “moda”, para alguns um sinal de fraqueza e, infelizmente, para alguns é considerado algo estranho, que só se aplica a terceiros, a quem ainda apelidam de “malucos”. Tudo visões estereotipadas e preconceituadas de uma consulta que pode aumentar substancialmente a qualidade de vida de um indivíduo e dos que o rodeiam.

 

Proliferam frases consideradas sábias e mitos que originam que recorrer a uma consulta de psicologia ainda não seja algo natural e que ainda continue a ser um tabu. “No meu tempo, não havia psicólogos. Não é a falar que se resolvem os problemas”, são alguns destes exemplos.

 

Os mitos esses são imensos. A confusão do psicólogo com o amigo ainda reina, mas o psicólogo não é um amigo. O psicólogo ouve e acolhe o sofrimento do outro, mas com uma intervenção técnica, e tem o dever ético de procurar respostas credíveis alinhadas com a ciência. Prolifera ainda a ideia de que a consulta de psicologia parece “uma conversa de café”, dado que o psicólogo só fala. Um mito evidente, dado que a psicologia é uma ciência e cabe ao profissional a responsabilidade e o compromisso de, usando diferentes técnicas e metodologias, encontrar a resposta mais adequada à minimização do sofrimento do paciente.

 

Muitas vezes, o psicólogo ainda é comparado a um padre, mas o psicólogo não é um padre. Para o psicólogo não há certos nem errados, não há um modelo a seguir e nunca se fazem juízos de valor. O psicólogo não é bom nem mau, não julga, aceita o que o paciente é e traz para consulta, suporta e apoia o processo de mudança do paciente.

 

Também existe o mito de que o psicólogo é um médico, mas tal não corresponde à realidade, o psicólogo não é um médico. O psicólogo não tem “compridos, nem pós mágicos” que eliminam todo o sofrimento. Não há “varinhas de condão” e nem, magicamente, numa consulta se “muda tudo”.

 

O psicólogo é um psicólogo. Através de um plano terapêutico, alicerçado em avaliação psicológica, ajuda a compreender as causas do sofrimento e como ultrapassá-lo. Mitos ultrapassados, permanece a dúvida: quando recorrer? A resposta parece fácil: quando o indivíduo tiver consciência de que possui um conflito psicológico que não consegue solucionar por si e percebe que este sofrimento está a afetar a sua qualidade de vida.

 

Embora não haja uma norma, deixo 7 motivos para recorrer a uma consulta de psicologia:

– Se estiver a passar por uma grande mudança e der sinais físicos e psicológicos de que não está a lidar bem com a mesma. Esta mudança pode ser a adaptação à nova realidade fruto da Covid-19, uma nova função, o início de uma nova família, a morte de um familiar ou a mudança para uma nova cidade. Mudanças são sempre desafiantes e é natural serem geradoras de ansiedade. Nem sempre temos recursos para lidar com as mudanças de forma natural e sem constrangimentos. Se perceber que algo não está bem, que de repente surgem dores de cabeça ou indisposições repentinas, o melhor é ir a uma consulta de Psicologia.

 

– Quando repentinamente deixa de fazer coisas  que habitualmente lhe traziam alegria/satisfação. A perda de motivação pode ser um sinal de que alguma coisa está errada. Perceba se é um padrão de comportamento, ou seja, se coisas que habitualmente lhe geravam alegria/satisfação não geram mais. Aí é melhor ir a uma consulta.

 

– Quando percebe que é uma “bomba-relógio” prestes a explodir. Se sente que, ultimamente, revela uma elevada incapacidade para gerir os seus sentimentos, pensamentos e/ou comportamentos, provavelmente, é um bom motivo para consultar um psicólogo.

 

– Outro indício para recomendar a ida a uma consulta de psicologia surge quando começa a estranhar a intensidade das suas reações. Se não percebe bem o que lhe está a acontecer e hipervaloriza e intensifica todas as situações, como se, de repente, tudo fosse um drama.

 

– Se se sente, na maioria do tempo, inerte e sem vontade de fazer nada. Ter esta sensação ocasionalmente é natural, somos seres humanos. Agora, se nada parece tirá-lo deste estado, isso pode ser preocupante.

– Se tiver um medo inexplicável de tudo, como se tudo se transformasse em algo penoso, um medo de realizar uma determinada tarefa que antes fazia com a maior naturalidade, também aí deve recorrer à Psicologia.

 

– Ir a uma consulta de Psicologia pode ainda ser a melhor solução quando todos os dias tem uma queixa de uma nova dor física. Definitivamente, o corpo fala – não se esqueça – e as questões emocionais podem gerar distúrbios físicos.

 

Em suma, tomar a decisão de ir a uma consulta de Psicologia pode mudar a sua vida e ainda proporcionar-lhe a oportunidade de crescer pessoal e emocionalmente. Não esqueça as palavras sábias de Carl Jung: “Quem olha para fora, sonha. Quem olha para dentro, acorda”.

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