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Propósito: o grande porquê das organizações

Devem ter-se apercebido que, nos últimos anos, houve uma palavra que entrou no nosso vocabulário, assim de mansinho, mas que foi ganhando cada vez mais peso.

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O “PROPÓSITO”!
Seja no contexto da liderança orientada por propósitos, seja no contexto das marcas com propósito, seja no desenvolvimento pessoal, na busca por um propósito de vida. Ele entrou na nossa vida e daqui já não sai.

 

Os especialistas defendem que o propósito é a chave para um desempenho excecional (dos líderes, das marcas, das organizações, dos recursos humanos) e para um maior bem-estar – fácil compreender que qualquer um de nós, que tenha um propósito de vida, será mais feliz e mais saudável.

 

Apesar de ser termo comum no nosso dia-a-dia, não é fácil definir uma declaração de propósito, pessoal, de marca ou corporativa. Mais difícil ainda é que líderes sem um propósito individual consigam definir objetivos pessoais e profissionais ambiciosos, para si e para a organização que lideram.

 

VEJA TAMBÉM: PORQUE É QUE MUITOS PRODUTOS, SERVIÇOS E MARCAS FALHAM?

 

Mas, o que é isto do “propósito”?

O propósito é o que nos diferencia. É a nossa marca. É o nosso PORQUÊ!

 

De acordo com Simon Sinek, o nosso porquê é o nosso objetivo, a nossa causa, aquilo em que acreditamos (e, portanto, defendemos). Numa organização, o objetivo é que o propósito esteja tão enraizado que se torna “memória muscular” e, com isso, “cultura organizacional” (que conceito extraordinário! “Memória Muscular”. A capacidade de alguém realizar certos movimentos sem pensar nisso. Já tinha ouvido este termo associado por exemplo ao momento em que voltamos a tocar um instrumento musical após muito tempo sem o fazer ou a andar de bicicleta sem pensar nos princípios mecânicos de pedalar. Agora imaginem, o propósito ser tão natural numa organização que passa de colaborador para colaborador, que é natural e presente em tudo que fazem, não sendo necessário estar escrito nas paredes para que seja posto em prática.).

 

O propósito bem incorporado nas organizações é capaz de acrescentar imenso valor e, por isso, se diz que está (ou deve estar) na interseção de quatro agendas:

  1. Marketing e Vendas – ajuda a conquistar clientes que se revêm nesse propósito e a aumentar a sua fidelidade (“O objetivo não é vender a pessoas que precisam do que temos; o objetivo é vender a pessoas que acreditam no mesmo que nós” de acordo com Simon Sinek);
  2. Recursos Humanos – ajuda a atrair, envolver e reter colaboradores (nunca ouvimos falar como hoje, da necessidade de as organizações serem transparentes, terem valores bem definidos e um propósito com que a Gen Z se identifique, pois, tal como diz Sinek, “o objetivo não é apenas contratar pessoas que precisam de um emprego; é contratar pessoas que acreditam no mesmo que nós.”)
  3. “Governance” e sustentabilidade – ajuda a melhorar o desempenho ambiental, social e de governação;
  4. Estratégia e finanças – ajuda a orientar a forma como os recursos são alocados e os riscos geridos.

 

Para que se consiga transformar o propósito em cultura organizacional este tem de:

  1. Ser autêntico – consistente com os valores da marca, distintivo da marca e significativo para todos os stakeholders;
  2. Ser desconfortável – isto é, deve introduzir uma certa tensão entre o “que somos” (realismo) e o “que queremos ser” (idealismo) e, com isso, impelir-nos à mudança. Também é desconfortável porque demora tempo até ser implementado (e todos querem o imediatismo);
  3. Ser aplicável a toda a organização – é sobre o valor que a organização acrescenta à sociedade e sobre o papel que quer ter no mundo (um exemplo que adoro, sobre o fato de ser para toda a organização e não apenas um capricho do CEO é o exemplo de quando Jonh Kenedy visitou a NASA em 1962 e questionou um zelador sobre “O que faz para a NASA?” e ele responde “Estou a pôr um homem na lua”. Na verdade, isto mostra a força de um objetivo comum em que todos têm um papel);
  4. (Não) tem de ser aspiracional ou baseado em causas, mas pode estar associado a uma se esta for suficientemente forte – o propósito é usado em três sentidos:
  5. Competências, i.e., sobre a função que o produto cumpre (ex.º de uma declaração de propósito assente em competências é a da Mercedes: “First Move the World”);
  6. Cultural, i.e., a intenção com a qual gerimos o nosso negócio (ex.º de uma declaração de propósito assente na cultura é a da Nike ““To bring inspiration and innovation to every athlete in the world.”);
  7. Causas, i.e., o bem social a que aspiramos (ex.º de uma declaração de propósito assente em causas é a da Patagónia “Nos negócios para salvar o nosso planeta natal” ou da Tesla “Para acelerar a transição do mundo para a energia sustentável”).

O propósito é (deve ser) agregador da visão e da missão de uma organização e, influenciador da agenda estratégica. O pleno potencial do propósito só é alcançado quando está alinhado com a proposta de valor da empresa e cria aspirações (o propósito é aspiracional e intemporal) partilhadas tanto interna como externamente. Na melhor das hipóteses, é o mecanismo mais poderoso para gerar união entre as partes interessadas. Se utilizado de forma inadequada ou manipuladora, irá produzir o efeito contrário. Não é, portanto, de estranhar que nos últimos anos se tenha assistido a uma explosão de conceitos e lideranças orientadas por propósitos.

 

Este é um tema fascinante e que dá pano para mangas, que é como quem diz, mais do que um artigo 😊. Por isso, contem com uma segunda parte sobre como definir o propósito de uma marca, passo a passo e exemplos de marcas com propósito. Até lá, ficamos todos com um desafio. Aceitam? Aqui vai: Qual é o vosso propósito de vida? Qual é o vosso propósito de liderança? Se já conseguiram fazer este exercício, querem partilhar? Eu adorava.

 

Como auxiliar para este exercício deixo-vos este exemplo: respondam à pergunta “O que gostavam de fazer em criança, antes de o mundo vos dizer o que deveriam ou não gostar ou fazer?” Adorei este caso de uma “C Level” que identificou uma paixão de infância que a ajudou a escrever a sua declaração de propósito. Ela conta sobre como cresceu numa zona rural e adorava sair em “missão de descoberta”. Um dia, ela e uma amiga, partiram decididas a encontrar sapos e passaram o dia inteiro indo de lago em lago, virando cada pedra. Um pouco antes de escurecer, ela descobriu um único sapo e ficou triunfante. A declaração de propósito que ela escreveu foi: “Encontre sempre os sapos!” – é perfeita. Concordam?

 

Até daqui a um mês.

 

Até lá, sejam felizes e sigam o vosso “porquê”.

 

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