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Primeiro congresso internacional assinala o amor da freira Mariana Alcoforado a um militar francês

Beja acolhe o primeiro congresso internacional que assinala os 350 anos da primeira edição das ‘Cartas Portuguesas’, de Soror Mariana Alcoforado, a freira que se apaixonou por um militar francês e a quem escreveu cinco cartas de amor, que já foram traduzidas mais de 600 vezes em diversas línguas.

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Entre 15 e 17 de novembro a cidade de Beja irá receber o primeiro congresso internacional sobre Soror Mariana Alcoforado, a freira portuguesa que se acredita ter escrito as cinco cartas de amor dirigidas  a um jovem oficial da cavalaria francesa, de seu nome Nöel Bouton, por quem se terá apaixonado.

As ‘Cartas Portuguesas’ foram publicadas há 350 anos, em Paris.

 

Terá sido por volta de 1663, com 23 anos, que Mariana terá visto entrar na cidade – pelas Portas de Mértola, para onde dava a sua janela de clausura no Convento de Nossa Senhora da Conceição – Nöel Bouton, um jovem militar que estaria a ajudar as tropas portuguesas a lutar contra as forças castelhanas na Guerra da Restauração. Consta que se apaixonaram, que tiveram alguns encontros, mas que ele a terá depois deixado, regressando a França no final da campanha militar. E Mariana ficou a sofrer de amor neste convento em Beja, tendo então escrito as famosas cartas.

 

VEJA ALGUMAS IMAGENS POR ONDE ALCOFORADO PASSOU EM BEJA

 

Este amor maior foi e continua a ser fonte de inspiração para poetas, filósofos, escritores, cineastas, artistas plásticos, músicos… sucedem-se as obras e as edições. A sua história peculiar todos os anos faz correr rios de tinta pelo mundo fora, em livros editados sobre o amor, rivalizando com as histórias de Pedro e Inês ou de Romeu e Julieta. São já mais de 600 as traduções feitas.

 

Embora os originais das cartas não tenham chegado aos nossos dias, sabe-se da sua existência pela primeira edição das mesmas, datada de 4 de janeiro de 1669, em França, com o título “Lettres Portugaises Traduites en François”. No mesmo ano, seguiu-se uma outra edição, na cidade alemã de Colónia. As edições sucederam-se um pouco por toda a Europa e, já em 1923, de acordo com Godofredo Ferreira, estudioso e colecionador das obras sobre as cartas, existiam 130 edições em diversas línguas: francês, inglês, italiano, alemão, espanhol, dinamarquês, holandês e português.

 

A história de amor suscitou e suscita sempre inúmeros debates, ensaios, teses de doutoramento, recriações literárias novelísticas, poéticas e teatrais, obras pictóricas, plásticas e musicais, figurando de forma preeminente no imaginário português e estrangeiro.

 

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Congresso internacional

Quase meia centena de participantes, oriundos de sete países, irão reunir-se durante três dias em Beja para um exame aprofundado dos estudos já realizados e o lançamento de novos trabalhos sobre a clarissa alentejana e o mundo barroco em que viveu.

 

Esta é uma organização de investigadores da Universidade Nova de Lisboa em colaboração com a Universidade de Massachusetts e com a Câmara Municipal de Beja, “Melancholy, Love and Letters”, onde investigadores, portugueses e estrangeiros, debaterão em torno da obra de Soror Mariana, cuja paixão permanece no centro da galeria de mitos de amor portugueses. O tem previstas 42 comunicações.

 

A comissão científica é composta pelos professores Filipe Delfim Santos, Klobucka, Parreira, Amaral de Oliveira, Maria Odete Sequeira Martins, Myriam Cyr e Lisa Forrell, bem como os padres Cartageno e Aparício.

 

O programa inclui três visitas guiadas, seis homenagens (Mariana Alcoforado, Noël Bouton, Luciano Cordeiro, Florbela Espanca, Luís Amaro, Leonel Borrela) e o lançamento de quatro livros (Vitor Amaral de Oliveira, Miguel Borrela, Patricia Tavares de Azevedo, Paulo Monteiro). Saiba mais em: www.marianaalcoforado.pt

 

 

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