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PREVENÇÃO DO CANCRO DO COLO DO ÚTERO

Na maioria dos países europeus, o rastreio começa aos 25 anos de idade e termina aos 65.

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Existem dois tipos de rastreio do cancro do colo do útero:

  1. Organizado, com base populacional.
  2. Oportunista (termo utilizado a nível internacional para designar a realização do teste de rastreio no âmbito de uma consulta e sem periodicidade definida).

 

O rastreio organizado deve ser incrementado em relação ao rastreio oportunista por tratar-se de um sistema:

  1. Mais abrangente
  2. Mais distributivo
  3. Mais económico
  4. Possibilita um controlo de qualidade padronizada.

 

O rastreio oportunista faz parte dos cuidados personalizados de saúde. Nesse contexto, a decisão da data de início do rastreio deve ser individualizada, variando caso a caso.

 

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O cancro do colo do útero é muito raro antes dos 21 anos e nos 3 primeiros anos após o início da vida sexual, pelo que começar o rastreio antes dos 21 anos e nos primeiros 3 anos de atividade sexual não é aconselhado.

 

Embora o risco de vir a aparecer este tipo de cancro após os 65 anos em mulheres com citologias negativas seja muito reduzido, o atual aumento da esperança de vida na mulher não recomenda a determinação de uma idade limite para o fim do rastreio oportunista.

 

Por outro lado, o rastreio organizado é uma medida de saúde pública e deve incluir toda a população nacional ou uma determinada região. O seu principal objetivo é diminuir a mortalidade por cancro do colo do útero. Ele é tanto mais eficiente quanto maior for a percentagem de população rastreada, que se preconiza ser sempre superior a 70%.

 

Na maioria dos países europeus, o rastreio começa aos 25 anos de idade e termina aos 65. Quando é utilizada a citologia como método de rastreio, seguindo as linhas de orientação europeia, é recomendada ser feita de 3 em 3 anos. Vários estudos concluíram que intervalos mais curtos não trazem qualquer vantagem para o objetivo principal do rastreio (diminuir a incidência e mortalidade do cancro do colo) e aumentam bastante os custos.

 

Em vários países já existe uma experiência considerável com o uso do teste ao HPV de alto risco, em programas de rastreio organizado, programas que começam em mulheres com 30 anos de idade e terminam aos 65 anos. Cada vez mais se encontram fundamentos sólidos para substituir a citologia pelo teste ao HPV.

 

Sendo o cancro do colo do útero uma raridade em mulheres com menos de 21 anos, o rastreio citológico antes desta idade coloca alguns problemas por se relacionar com taxas mais elevadas de resultados falso-positivos do que em mulheres mais velhas. É importante alertar para o facto de a deteção de lesões do colo (que muitas vezes regridem), associadas a infeções transitórias por HPV, podem levar a intervenções terapêuticas precipitadas que podem ter consequências a longo prazo.

mulher com mão no ventre

Um estudo científico recente constatou que o rastreio nas mulheres entre 20 e 24 anos tem pouca ou nenhuma repercussão sobre as taxas de incidência deste cancro, e que este propósito é consideravelmente alcançado quando envolve mais de 70% das mulheres com mais de 30 anos.

 

Por outro lado, o efeito do rastreio de mulheres entre os 25-30 anos não mostrou ser conclusivo, para a redução da incidência do cancro do colo do útero. As recomendações numa grande parte dos países da União Europeia (UE) são para iniciar o rastreio periódico aos 25 anos, embora nalguns países se recomende apenas após os 30 anos. Nos Estados Unidos da América as recomendações são para iniciar o rastreio após os 21 anos. A maioria dos países da UE finalizam o rastreio aos 65 anos, embora na Austrália, no Japão, e noutros países o façam até aos 70 anos.

 

O rastreio oportunista deve ser realizado quando não existe o rastreio organizado, ou em mulheres que não desejem participar neste último. No caso da sua adoção estão recomendadas 3 alternativas:

– Opção 1: Citologia de 3 em 3 anos após os 21 anos e/ou pelo menos 3 anos a partir do início da vida sexual.

 

– Opção 2: Citologia de 3 em 3 anos, após os 21 anos e/ou pelo menos 3 anos a partir do início da atividade sexual. A partir dos 30 anos teste de HPV de alto risco com citologia (nos casos HPV positivos) de 5 em 5 anos.

 

– Opção 3: Citologia de 3 em 3 anos a partir dos 21 anos e/ou pelo menos 3 anos após início da atividade sexual. A partir dos 30 anos citologia com teste de HPV associado (co-teste), de 5 em 5 anos.

 

 No caso do rastreio organizado recomendam-se 2 alternativas:

 

– Opção 1: Citologia de 3 em 3 anos, dos 25 aos 65 anos.

 

– Opção 2: Citologia de 3 em 3 anos, dos 25 aos 30 anos seguida de teste de HPV de alto risco com citologia (HPV positivos), de 5 em 5 anos dos 30 aos 65 anos.

 

 Termino fazendo referência às recomendações para algumas situações específicas:

 

  1. a) No caso das mulheres que fizeram a vacinação profilática contra o HPV o esquema é igual.

 

  1. b) As mulheres HIV positivas ou com imunodeficiência devem realizar citologia anual.

 

  1. c) Nas mulheres grávidas o rastreio só está indicado na ausência de rastreio adequado prévio.

 

  1. d) As mulheres a quem foi retirado o útero (histerectomizadas) e sem antecedentes de displasia/cancro do colo podem não fazer rastreio.
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