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PREVENÇÃO DO CANCRO DO COLO DO ÚTERO

Para se conseguir uma diminuição da incidência e da mortalidade do cancro do colo do útero, é muito importante a utilização de medidas de prevenção primárias e secundárias.

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Como medidas de prevenção primária temos:

1 – Vacinação profilática contra o HPV (Vírus do Papiloma Humano) no âmbito do Plano Nacional de Vacinação.

2 – Recomendação da vacinação profilática contra o HPV fora do Plano Nacional.

 

Quer a vacinação das adolescentes no âmbito do Plano Nacional de Vacinação, como a de mulheres até aos 26 anos, que por qualquer razão não foram abrangidas pelo plano de vacinação, são medidas de grande eficácia de prevenção primária e devem ser vigorosamente aconselhadas e implementadas pelas autoridades de saúde. A vacinação de mulheres para além dos 26 anos tem uma relação custo/benefício controversa em termos de saúde pública, mas proporciona uma proteção individual significativa, pelo que é de aconselhar até aos 45 anos.

 

A prevenção secundária faz-se através da realização de um teste rastreio ao colo do útero. Um bom o método de rastreio deve ser o mais sensível e com uma relação custo/benefício aceitável à população onde é aplicado. Podem ser utilizados como métodos de rastreio a citologia convencional, a citologia em meio liquido e o teste de HPV ou a associação dos dois últimos.

 

Tradicionalmente o teste de rastreio do cancro do colo do útero tem sido a citologia convencional com esfregaço de Papanicolau, e os estudos epidemiológicos têm demonstrado uma redução na incidência e mortalidade do cancro do colo entre 70 a 80%.

 

A citologia em meio líquido tem tido uma recetividade e uma utilização crescentes e a sua técnica de processamento torna as lâminas mais homogéneas, facilitando a sua leitura. Uma outra vantagem deste tipo de citologia está na possibilidade da realização, na mesma amostra, de testes complementares, como seja a pesquisa de HPV, clamídia ou neisseria. A citologia é o único método de rastreio recomendado em mulheres com menos de 30 anos.

 

Não existem dúvidas de que a infeção pelo HPV de alto risco está a origem do cancro do colo do útero e assim o DNA deste vírus tem sido identificado em quase 100% dos cancros invasivos, que se desenvolvem 5 a 20 anos após o início da infeção.

 

A grande maioria das variedades histológicas de cancro do colo estão relacionados com os tipos de HPV 16 e 18. A prevalência da infeção é significativamente mais alta nas mulheres abaixo dos 30 anos, mas também com maior taxa de resolução espontânea, o que faz com que o teste não seja recomendado como método de rastreio primário nesses grupos etários.

 

A prevalência da infeção diminui com a idade, mas, quando há persistência da infeção, o risco de carcinogénese aumenta. O teste de HPV nas mulheres com 30 anos ou mais pode identificar infeções persistentes e clinicamente mais significativas, e este teste, como processo primário para rastrear o cancro do colo, permite uma proteção para carcinoma invasivo 60-70% superior à citologia. Sendo um teste com sensibilidade superior à citologia, mas de especificidade inferior, é por outro lado mais reprodutível que a citologia, pelo que se afirma cada vez mais como teste válido para o rastreio primário.

 

Outra vantagem do teste de HPV será a sua realização por autocolheita cujo resultado, ao contrário da citologia, é similar aos realizados por técnicos de saúde e conduzem a uma maior taxa de cobertura, podendo trazer para o programa de rastreio organizado mulheres com alto risco de carcinoma invasivo. O teste do HPV é também a técnica de eleição em mulheres vacinadas e é cada vez é mais consensual que a sua prática como método de rastreio tenha uma periodicidade de 5 anos, com tendência a ser mais alargada.

 

A combinação do teste de HPV com a citologia revela uma sensibilidade levemente acrescida em relação ao uso isolado de qualquer dos dois exames. É pouco provável que uma mulher com teste de HPV e uma citologia negativos venha a ter lesão de alto grau ou cancro nos 5 a 10 anos seguintes, o que pode justificar o alargamento do intervalo do rastreio. A utilização conjunta dos dois exames tem sido aconselhada sobretudo pelas sociedades científicas dos EUA, onde é utilizada em rastreio oportunista (no âmbito de uma consulta e sem periodicidade definida). A maioria dos autores entende que a ligeira melhoria na sensibilidade obtida pela combinação dos dois testes não justifica a sua utilização em rastreio organizado, uma vez que aumenta significativamente os custos sem ter a necessária correspondência na redução da incidência e mortalidade do cancro do colo do útero.

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