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Prêt-à-porter: o básico é moda?

O confortável e prático abriu caminho para o verão 2015 nas passerelles de moda feminina prêt-à-porter de Paris… mas não só!

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O estilo sofisticado e sexy não desapareceu dos desfiles, ainda que em tempos de crise os estilistas invistam no comum, para proclamar que o simples também pode ser moda. Hoje a comodidade, valor antes ignorado na moda feminina, segue de vento em popa.

Calças largas na passerele da Loewe, Valentino, e Dries Van Noten. O tweed grosso na Chanel, a ponto de fazer quase desaparecer a figura feminina, e os macacões jeans da Chloé são alguns exemplos. Celine levou o lado prático ao paradoxismo com modelos que parecem uniformes de hospital.

Para outros estilistas, o conforto chega na forma de estilo desportivo, com calças de ciclista ou ténis. A mulher deixa os saltos sofisticados no armário e mergulha nos sapatos rasos. “A moda está cada vez mais diversificada”, disse à AFP a estilista argentina Pía Carregal. “Há variantes dentro de uma mesma tendência, inclusive, numa mesma coleção, há coisas que não têm nada a ver umas com as outras. Hoje, cada um pode adotar o estilo e o corte que gosta e estar na moda, mas não uniformizados”.

O sombrio normcore

“Normcore” é o estilo deliberadamente normal e insípido na hora de se vestir, e está na boca de muitos analistas de tendências, que indicam marcas como a Gap. Mas, para o mundo da moda, continua a ser considerado o anticristo. O estilista Giambattista Valli, responsável pelo vestido do pós-casamento de Amal Alamuddin com George Clooney, rejeita o próprio conceito de normalidade. “A normalidade não pertence ao meu mundo. A normalidade sempre me aborreceu. É que…eu gosto de tudo o que é extraordinário”, declarou o estilista italiano à AFP após o seu desfile em Paris.

O britânico Bill Gayten, ex-braço direito de John Galliano na maison Dior, pediu para um jornalista repetir três vezes a palavra “normcore” e afirmou que não conhecia sequer o seu significado. E respondeu: “Sempre haverá moda, é inevitável: a moda é um resultado das mudanças no mundo”.

“Se o mundo não mudasse, então sim, não existiria moda, nem existiria história”, acrescenta Gayten, atualmente à frente da direção criativa da marca John Galliano.

Segundo Octavio Pizarro, estilista chileno radicado há anos em Paris, “a sofisticação da moda hoje vai por outro lado: está mais nas texturas e nos tecidos do que no próprio tecido. Tudo é muito mais simples. Vivemos momentos – há vários anos – com economias em crise e as pessoas já não querem gastar tanto”.

“As pessoas querem coisas mais sensíveis e vestir-se de maneira mais prática, e isso é também um reflexo do mundo de hoje. Pode ser que passe, mas no momento é assim. A alta-costura ficou um pouco de lado”, diz Pizarro, cujas coleções se mantém no lado elegante da passerelle.

Das ruas para as redes sociais

Após criticar a voracidade com que a indústria da moda está a engolir a criatividade de alguns estilistas para privilegiar as vendas e o lucro, o francês Jean Paul Gaultier despediu-se recentemente do prêt-à-porter para dedicar-se exclusivamente à alta-costura.

As exigências comerciais e um ritmo de produção cada vez mais difícil de seguir chegaram a custar a vida de criadores geniais como Alexander McQueen e abandonar na beira do abismo estilistas como John Galliano. Segundo o ex-diretor da marca Gaultier, Donald Potard, “hoje é mais difícil chegar com ideias originais, já que todos se veste de igual e fazem as suas compras em lojas que vendem as mesma coisas em Paris, Milão ou Tóquio. Esperamos que a moda volte a impor-se como moda”.

Octavio Pizarro observa que todas as redes sociais, em particular o Instagram, têm influenciado muito o mundo da moda. Um fotógrafo como o do blog ‘The Sartorialist’ começou a fotografar as pessoas nas ruas de diferentes cidades do mundo e, depois, as pessoas que vão aos desfiles. “Finalmente, as pessoas veem mais essa moda que os próprios desfiles, e os estilistas inspiram-se muito também no que acontece nas ruas, é um ‘mix and match'”, explica Pizarro, falando literalmente do “misturar e combinar”, um conceito mencionado nesta semana pelo estilista da Chanel, Karl Lagerfeld.

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