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Pressão social ensina-nos a gostar de determinados alimentos

A repetida exposição a determinado alimento de que não gostamos, assim como a pressão social que nos rodeia, pode levar-nos a aprender a apreciá-lo. Um psicólogo identifica este comportamento como "masoquismo benigno" e pode ser observado noutras circunstâncias da vida, como gostarmos de ver um filme que nos entristece ou a andarmos de montanha-russa.

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Há vários alimentos que a maioria das crianças odeiam e, enquanto adultos, aprendem a apreciar como a cerveja, o café ou legumes vários. O psicólogo cultural Paul Rozin, professor na Universidade da Pensilvânia, nos Estados Unidos, tem dedicado a sua carreira a estudar este fenómeno específico.

Rozin usa o termo “masoquismo benigno” para explicar esta característica humana que pode explicar não só o facto de aprendermos a gostar de comida que, antes, não queríamos consumir, mas também para explicar porque é que queremos andar na montanha-russa ou ver um filme dramático que nos entristece. Em resumo, “masoquismo benigno” é aprender a querer uma coisa que o corpo rejeita.

Segundo o psicólogo explicou numa entrevista à estação de rádio NPR, é difícil estabelecer o que é que nos leva a agir assim. No entanto, Rozin acredita que grande parte deste comportamento é explicado pela pressão social: “Um parte disto é, sem dúvida, social. As forças sociais afetam aquilo de que gostamos e a indústria da publicidade sabe isso. Esta é uma das razões porque são utilizadas figuras públicas em campanhas.” Ou seja, o psicólogo acredita que, em certas circunstâncias somos levados a acreditar que gostar de determinado alimento é parte da integração social pois este é consumido por grande parte das pessoas que nos rodeiam.

O segundo fator importante a considerar é a exposição repetida a esse mesmo alimento. Rozin deu o exemplo das crianças mexicanas, que não gostam de especiarias picantes enquanto pequenas, mas que aprendem a gostar por volta dos quatro ou cinco anos. “A experiência de comer algo muitas vezes de certa forma transforma uma aversão numa preferência.”

O psicólogo americano usa ainda o termo “reversão hedonista” ao explicar este comportamento. Esta será a a capacidade do nosso cérebro dizer aos nossos sentidos que vamos transformar algo que devíamos evitar numa preferência.

Por Joana de Sousa Costa

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