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Preparar a mochila emocional para um regresso tranquilo à escola

Para que este regresso seja um verdadeiro recomeço e seja vivido com tranquilidade, sugiro que prepare em conjunto com a criança a mochila emocional para levar para a escola.

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Nem o calor que se fez sentir nos últimos dias adia o inevitável. O virar do calendário de agosto para setembro marca o regresso às rotinas. Setembro é um mês de recomeços e de regressos, é altura de regressar à rotina, para uns o trabalho, para outros a escola.  No entanto, neste ano, este regresso é pautado por incerteza e ansiedade. A causa, a COVID-19.

 

A vida seguia o seu percurso natural. Mas, de repente, tudo mudou. Novas rotinas instalaram-se, escolas fecharam, pais transformaram-se em “professores”, as brincadeiras de sempre com os amigos ficaram adiadas para um dia.

 

Agora com a possibilidade de regresso, são muitos os sentimentos e emoções que pequenos e graúdos experienciam. Para que este regresso seja um verdadeiro recomeço e seja vivido com tranquilidade, sugiro que prepare em conjunto com a criança a mochila emocional para levar para a escola.

 

Coloque os seguintes materiais:

Autonomia– Não caia na armadilha da superproteção. Promova a autonomia e aceite que é inevitável, com segurança, a criança retomar as suas rotinas. Haverá, por certo, maior medo da sua parte do que propriamente das crianças. A magia do brincar, as saudades dos amigos, em regra, põem de lado medos e receios.

 

Tranquilidade– Seja exemplo, expresse tranquilidade. Lembre-se que as crianças compreendem a realidade em função do comportamento dos pais. Não seja um empecilho ao desenvolvimento da criança. Não hipervalorize as situações e não crie cenários catastróficos. Com calma e tranquilidade avalie a realidade. Não faça verdadeiras corridas para comprar máscaras e desinfetantes, pois passa uma ideia de descontrolo e gera ainda mais ansiedade.

 

Bom senso– Não queira planear tudo, pois se há algo que a pandemia nos ensinou é que não adianta fazer muitos planos, pois, como dizia Heráclito, nada é permanente salvo a mudança. Recorde às crianças que há aspetos que não controlamos, mas que podemos sempre controlar a atitude que adotamos.

 

Empatia-Todas as mudanças são geradoras de ansiedade. Ainda que a criança vá para o mesmo ambiente escolar este ano, fruto dos acontecimentos recentes, é totalmente diferente. Converse muito, incite a partilha e ouça os seus medos e receios. Não os considere “tolos ou sem razão de ser”, pois para ela têm uma importância extrema. Em conjunto analisem-nos e encontrem possíveis soluções. As crianças manifestam através do brincar os seus medos e ansiedades. Esteja atento às emoções, será mais fácil perceber como ajudar. Coloque-se no lugar da criança e ajude-a a encontrar formas de lidar com a ansiedade.

 

Comunicação– De forma serena e numa linguagem adequada a cada faixa etária explique à criança os cuidados a ter e as regras a adotar. Não crie uma lista de cuidados a adotar, afinal estamos a falar de crianças e vai ser difícil memorizá-la e cumpri-la. Sugiro que explique a dimensão do problema e a deixar por si elas encontrar estratégias para lidar com a nova realidade. Lembre-se, não vai estar sempre lá.

 

Rotinas– Os últimos meses foram pautados por rotinas diferentes pelo que é importante que em família seja feita de forma gradual um retorno a algumas rotinas. Combinem-nas de forma clara e objetiva definindo consequências para o seu não cumprimento. Tenha especial atenção aos horários de acordar e adormecer, bem como aos das refeições.

 

Memórias positivas – Nos últimos dias e para evitar alguma ansiedade converse de forma informal sobre coisas engraçadas e positivas que tenham acontecido na escola. Valorize as aprendizagens da criança e reforce que neste novo ano aprenderá ainda mais coisas que provavelmente gostará e que acontecerão provavelmente situações únicas e mágicas.

 

Por fim coloque o entusiasmo. Pode parecer difícil, mas não é impossível. A situação que estamos a viver é uma situação nova, única, para a qual nenhum de nós estava preparado. Pelo que logo de antemão nenhum de nós, em si mesmo, sabe como com ela lidar e como a gerir.  O importante é não dramatizar e o foco ser na solução e não nos problemas. Não há danos irreparáveis e na vida não há nada que seja para sempre. Encare com entusiamo este regresso e descomplique… lembre-se, o entusiasmo contagia!

 

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