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Prakriti: a nossa matriz ayurvédica em equilíbrio

O reconhecimento de que toda matéria é energia constitui a base para a compreensão de que todos os seres vivos podem ser considerados sistemas energéticos dinâmicos.

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“Um sistema de medicina que negue ou ignore a existência do espírito será incompleto, porque exclui o atributo mais importante do ser humano, a dimensão espiritual”. Gerber, R.

 

O reconhecimento de que toda matéria é energia constitui a base para a compreensão de que todos os seres vivos podem ser considerados sistemas energéticos dinâmicos. Assim, a procura de se sanar o corpo através do manuseamento desse nível básico energético ou vibracional está bem presente na nossa constituição ayurvédica, a nossa matriz.

 

A física de Einstein provou que a energia e a matéria são duas manifestações diferentes da mesma substância universal. Essa substância universal é a energia ou vibração básica, da qual todos nós somos constituídos (como o Prana, o Chi ou o Ki).

 

Através da perceção de que os seres humanos são constituídos de energia, podemos começar a compreender novos pontos de vista a respeito da saúde e da doença. Para além de recorrer aos tratamentos cirúrgicos ou farmacológicos, a medicina ayurvédica procura tratar as pessoas com a consciência das suas outras dimensões que estão para lá da dimensão física. Essa perspetiva baseia-se na compreensão de que o arranjo molecular do corpo físico é, na verdade, uma complexa rede de campos de energia entrelaçados.

 

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A rede energética, que representa a estrutura físico-celular, é organizada e sustentada por sistemas energéticos “subtis”, existindo uma organização hierárquica entre esses sistemas energéticos que coordena tanto as funções eletrofisiológicas e hormonais, como a estrutura celular do corpo físico, os nadis.

 

Os nadis

Para os antigos médicos ayurvédicos, o funcionamento e a localização dos órgãos internos do corpo humano eram bem compreendidos. No entanto, os órgãos eram secundários em relação ao sistema complexo do corpo humano como um todo, que para eles, resumidamente é constituído dos três doshas (humores biológicos), os sete dhatus (níveis de tecido), os catorze Srotas (canais – que são dezasseis para as mulheres) e catorze nadis principais (ductos ou tubos). Segundo esses médicos, os diversos canais – grosseiros e subtis – eram na verdade os responsáveis pela saúde dos próprios órgãos. O corpo era visto como uma unidade em que todas as partes funcionam em harmonia e estão totalmente relacionadas entre si.

 

O mais subtil de todos os sistemas é o dos nadis. Os nadis são os canais de prana do corpo (ou meridianos). O prana é a base dos doshas e os nadis constituem a rede através da qual eles se movem pelo corpo na sua forma subtil, na forma grosseira movimentam-se pelos canais internos do corpo.

 

Os nadis são a base dos sistemas do tecido nervoso e do canal nervoso, que são alimentados diretamente pelos vayus na estrutura dos ossos e da medula óssea. São os nadis que transportam a energia vital pelo corpo.

 

Os textos de Ayurveda afirmam que existem 72.000 nadis no corpo. Eles constituem uma rede extremamente fina de canais subtis que se espalha por todo o corpo etérico (corpo de prana ou corpo energético). As doenças decorrem do congestionamento, de bloqueios ou restrições ao funcionamento do sistema de nadis. Já que o corpo prânico (etérico) penetra o corpo físico, o sistema de nadis existe nos corpos físico e energético simultaneamente.

 

É basicamente a partir desses níveis de energia subtil que se originam a saúde e a doença. Esses singulares sistemas de energia são afetados, tanto pelas nossas emoções, como pelos fatores ambientais e nutricionais. Através da Medicina Ayurvédica procura-se sanar os desequilíbrios, atuando sobre os padrões energéticos que dirigem a expressão física da vida.

 

A perspetiva do Holismo está integrada na Ayurveda desde os seus primórdios, constituindo o ponto de partida para a observação da Vida, do Ser, dos fatores que o condicionam. Atualmente, a necessidade de integrar cada vez mais a física quântica, e o despontar da compreensão da existência de uma anatomia energética ou subtil, veio reavivar a compreensão do Holismo, no qual o Ser Humano é visto como um sistema dinâmico de energias formado por Corpo – Mente – Espírito, num todo indivisível. É com essa visão transpessoal da Humanidade, como seres unos e indivisíveis, que a medicina alternativa procura alcançar uma interação profunda com o paciente visando detetar-lhe os estados emocionais, os conflitos interiores, traumas, estilo de vida, a sua alimentação, a sua relação consigo mesmo e com o mundo que o cerca.

 

Os cinco Mahabhutas | os cinco elementos

Os Rishis compreenderam que a energia é consciência manifesta, e que o jogo da Criação se compõe da interação entre os Gunas e os cinco elementos ou Mahabhutas – Éter, Ar, Fogo, Água e Terra. Os cinco elementos combinam-se entre si sob a Lei dos três Gunas, e sob o olhar da Consciência Una interagem para criarem todo o Universo dos nomes e das formas, conduzindo a energia subtil – Prana – que ajuda na condensação do corpo físico.

 

A partir de uma primeira vibração subtil do som silencioso cósmico Aum, apareceu o elemento Éter. Esse elemento etéreo começou a movimentar-se, os seus movimentos subtis criaram o Ar, que é o Éter em atividade. O movimento do Éter produziu a fricção e através dessa fricção o calor foi gerado. Partículas de calor-energia coordenaram-se para formar uma luz intensa e dessa luz manifestou-se o elemento Fogo.

 

Através do calor do Fogo, certos elementos etéreos dissolveram-se e liquidificaram-se, manifestando o elemento Água, solidificando-se depois para formar as moléculas da Terra. A partir da Terra, todos os corpos orgânicos vivos – reino vegetal e animal – foram criados. A Terra também contém as substâncias inorgânicas que compreendem o reino mineral. Pode-se dizer que do útero dos Cinco Elementos nasceu toda a matéria.

 

Os cinco elementos formam um continuum de energia, desde o seu nível vibracional mais denso até ao mais subtil. Este sistema de classificação pode ser compreendido como uma escala de actividades e qualidades.

 

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