Home»COVID-19»Portugueses consideram viagens em Portugal arriscadas e ainda mais para o estrangeiro

Portugueses consideram viagens em Portugal arriscadas e ainda mais para o estrangeiro

Estudo da Universidade de Coimbra e do Instituto Politécnico de Viseu é o primeiro a avaliar os efeitos da pandemia na perceção de segurança e planos de viagem e lazer dos portugueses. Devido à ameaça do novo coronavírus, os residentes nacionais sentem-se também muito inseguros para praticar atividades de lazer e turismo.

Pinterest Google+
PUB

A avaliação das respostas nos cinco períodos temporais já referidos indicam que o medo de viajar pelos residentes nacionais aumentou progressivamente, a cada período estudado, tal como o medo de contágio em termos pessoais e familiares. Na vigência do 3º Estado de Emergência, os portugueses sentiram, contudo, ser menos arriscado viajar, principalmente dentro do país. Paralelamente, a importância atribuída à segurança foi aumentando, atingindo os valores mais elevados no último período, sobretudo para as viagens internacionais. No início da investigação, viajar com a família era considerado seguro ou muito seguro, sobretudo em Portugal. Esta perceção diminuiu drasticamente ao longo do tempo, tendo também diminuído a diferença entre fazê-lo em Portugal ou no estrangeiro.

 

Quanto à perceção de segurança para a prática de atividades de lazer e turismo, esta atingiu os níveis mais baixos durante o 1º Estado de Emergência. No período seguinte, entre 2 e 17 de abril, regista-se uma melhoria na perceção de segurança, em todas as atividades avaliadas, embora com crescimento diferenciado. O último período avaliado, de 18 de abril a 2 de maio, apresenta resultados díspares. Atividades como visitas a parques temáticos, galerias, museus e monumentos, centros urbanos e centros históricos; ida a praias, rios e lagos mantêm a tendência de crescimento na perceção de segurança.

 

VEJA TAMBÉM: CARRO PARADO? CUIDADOS A TER COM O AUTOMÓVEL DURANTE O ESTADO DE EMERGÊNCIA

 

Neste grupo, merece especial destaque a ida a parques naturais, percursos pedestres e a prática de desportos de natureza, por serem as atividades consideradas mais seguras, apresentando valores muitos próximos dos que se verificavam antes dos primeiros casos de Covid19 em Portugal. Atividades como participar em eventos, concertos e festivais; fazer compras em centros comerciais e mercados e ficar em alojamentos hoteleiros mostram uma estagnação na perceção de segurança, sendo esta negativa.

 

Por fim, surge um conjunto de atividades em que, depois de uma subida na perceção de segurança durante o 2º Estado de Emergência, voltou a diminuir durante o período seguinte, como são a frequência de restaurantes, casinos e discotecas, ida a locais e eventos religiosos, a prática de desportos em espaços fechados e a participação em visitas turísticas organizadas. De referir que a necessidade de informação para se poder proteger do coronavírus era inicialmente de 52%, baixando no último período do estudo para cerca de 30%.

 

As conclusões desta investigação, «além de contribuírem para se perceber melhor como a atual pandemia está a influenciar a vida quotidiana dos portugueses e os seus planos de lazer e viagem, chamam a atenção para vários aspetos muito importantes, tais como o nível de segurança sentido para viajar dentro e fora do país e sua evolução ao longo do tempo, mostrando que as viagens domésticas foram consideradas como menos arriscadas ao longo do tempo; e quais as atividades de lazer e turismo que os portugueses consideram mais seguras, destacando-se claramente a prática de turismo de natureza» consideram os autores.

 

VEJA TAMBÉM: COMO VENCER A ENXAQUECA E CEFALEIAS EM TEMPO DE QUARENTENA

 

«As gerações mais velhas são quem mostra mais receios, pelo que este segmento de mercado será aquele que precisará de mais tempo para recuperar a confiança para viajar. Já no que respeita às restrições e medidas de segurança, os portugueses aceitam as medidas impostas pelo Governo, contudo, não concordam com medidas mais impositivas», acrescentam.

 

Este estudo, que envolve o Centro de Investigação em Serviços Digitais (CISeD) do IPV e o Centro de Estudos de Geografia e Ordenamento do Território (CEGOT) da UC, está ainda a decorrer e permitirá num futuro próximo apurar os impactos da COVID19 não só em Portugal como também noutras regiões do mundo. Os autores obtiveram até ao momento, respostas de residentes em 74 países nos cinco continentes, alguns dos quais importantes mercados emissores para Portugal. O questionário, disponível em 21 línguas, pode ser consultado e respondido em: http://estatisticas.estgv.ipv.pt/index.php/823712?newtest=Y&lang=pt.

 

Recolha de dados e perfil da amostra:

Este estudo baseia-se numa amostra não restrita obtida a partir de um questionário online partilhado nas redes sociais. O trabalho de campo decorreu entre os dias 02 de fevereiro e 02 de maio de 2020. O Universo do estudo é constituído por indivíduos de ambos os sexos, residentes no território nacional com 18 anos ou mais. Foram obtidas 1010 respostas válidas. Os respondentes tinham as seguintes características: i) Género: 70,3% mulheres e 29,7% homens; ii) Idade: 25,5% idades compreendidas entre os 18 anos e os 24 anos; 30,3% entre os 25 anos e os 40 anos; 31,3% entre os 41 anos e os 55 anos; e 12,9% têm mais de 55 anos; iii) Nível de escolaridade: 87,6% têm estudos superiores, os restantes 12,4% têm estudos até ao 12º ano; iv) Grupo Ocupacional: 4,7% Empresário(a) em nome individual, 7,3% Profissional liberal, 41,8% são Quadro médio/superior, 10,8% Funcionário(a) comercial ou administrativo, 2% são Operário(a)s, 3,1% Pensionista/Reformado(a), 2,1% Doméstica/Desempregado(a) e 28,3% Estudantes. 58,1% dos inquiridos fizeram até 5 viagens internacionais nos últimos 3 anos, 24,8% fizeram entre 5 e 10 viagens e os restantes 17,1% fizeram mais de 10 viagens.

 

 

 

 

 

Artigo anterior

Sinais de que o stress se pode estar a transformar numa depressão

Próximo artigo

Novo paradigma do fitness: aulas de grupo em casa. É possível?