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Portugal recebe 6,4 milhões de euros para projetos na área do ambiente

Programa LIFE da União Europeia vai disponibilizar, ao todo, 243 milhões de euros para apoiar projetos que beneficiem o ambiente, a natureza e a ação climática. Portugal será apoiado em quatro iniciativas: uma para proteger plantas endémicas nos Açores, outra para salvaguardar lobos no Douro, uma terceira para reduzir a pegada ecológica da indústria do calçado e uma quarta que visa recuperar um aqueduto romano para servir os jardins de Évora.

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A Comissão Europeia aprovou um pacote de investimento de 243 milhões de euros financiados pelo orçamento da União Europeia (UE) para projetos no âmbito do programa LIFE. Este programa visa apoiar a natureza, o ambiente e a qualidade de vida na transição da Europa para um futuro mais sustentável e com baixas emissões de carbono. Deste bolo, Portugal vai receber 6,4 milhões de euros para apoiar quatro projetos, informa a Comissão Europeia em comunicado.

 

O Comissário responsável pelo Ambiente, Assuntos Marítimos e Pescas, Karmenu Vella, declarou: «O programa LIFE continua a investir em projetos que melhoram a nossa qualidade de vida, o nosso ambiente e a natureza. Ajuda muitos cidadãos europeus com talento a encontrarem soluções para alguns dos maiores problemas ambientais atuais – poluição atmosférica, escassez de água, resíduos de plástico, biodiversidade e perda de recursos – e continua a apresentar uma boa relação custos-benefícios.»

 

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Por seu turno, Miguel Arias Cañete, comissário responsável pela Ação Climática e Energia, declarou: «Estes projetos inovadores demonstram o valor acrescentado da cooperação europeia. Ao desenvolver e partilhar as melhores formas de reduzir as emissões e aumentar a resiliência às alterações climáticas, contribuem para a implementação do quadro de ação relativo ao clima e à energia para 2030 em toda a UE».

 

Os quatro projetos portugueses a apoiar são:

– Proteger as plantas endémicas dos Açores da extinção (LIFE VIDALIA)

São necessárias medidas para impedir a extinção de duas espécies vegetais endémicas nos Açores: a campainha dos Açores, a Azorina vidalii (um arbusto verde), e a Lotus azoricus, uma leguminosa em flor. O LIFE VIDALIA introduzirá novas formas de controlo de plantas invasoras e roedores, que ameaçam essas espécies costeiras em três ilhas. Também melhorará os protocolos de viveiros de plantas para facilitar a reintrodução e aumentar o conhecimento das plantas endémicas. A longo prazo, o objetivo é replicar as melhores práticas desenvolvidas em todas as nove ilhas dos Açores.

 

– Superar barreiras para salvaguardar o lobo (LIFE WolFlux)

Uma subpopulação de lobos a sul do rio Douro é fragmentada e isolada do resto da população de lobos ibéricos por barreiras geográficas, ecológicas e sociais. Esses lobos podem morrer se não existir ação para enfrentar ameaças e permitir que diferentes grupos se misturem e se reproduzam. Desenvolver uma estratégia para promover o turismo de lobo e atividades relacionadas para apoiar a economia local deve ajudar a aumentar a tolerância e as atitudes positivas em relação aos lobos nesta parte de Portugal.

 

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– Reduzir a pegada ambiental do calçado (LIFE GreenShoes4All)

A indústria europeia de calçados está a caminhar para o fabrico mais ecológico. Como parte do projeto LIFE GreenShoes4All, o Centro Tecnológico do Calçado em Portugal orientará os esforços internacionais para quantificar e harmonizar as credenciais ambientais no setor do calçado. A empresa lançará uma metodologia de Pegada Ambiental do Produto para reduzir os encargos que o setor representa para os recursos naturais, resíduos plásticos e emissões de gases de efeito estufa. A transparência acrescida proporcionada por estas medidas poderá informar melhor os consumidores do impacto ambiental dos calçados que compram, fomentando um mercado para os designers de calçado ecológico.

 

– Economizar água numa cidade histórica portuguesa (LIFE AGUA DE PRATA)

A água é um recurso escasso na histórica cidade portuguesa de Évora, Património Mundial da UNESCO. A LIFE AGUA DE PRATA enfrentará esse desafio reutilizando de forma sustentável a água dos poços e nascentes que anteriormente serviam um aqueduto romano. O aqueduto será adaptado para distribuir água por cerca de metade das áreas verdes da cidade. Isto irá poupar cerca de 120 000 metros cúbicos de água de superfície tratada, sendo esperadas economias adicionais através de uma campanha para promover uma utilização mais eficiente da água nos jardins dos residentes. Os espaços verdes da cidade serão adaptados para incluir recursos naturais que podem melhorar sua capacidade de suportar ondas de calor e chuvas extremas.

 

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O programa LIFE continua na primeira linha dos esforços para aumentar a sensibilização relativamente à importância dos serviços ecossistémicos prestados pela natureza e para conservar os habitats e espécies que se encontram ameaçados. Indo desde a redução dos conflitos entre pessoas e vida selvagem na Grécia, em Itália, na Roménia e em Espanha, até à promoção de práticas agrícolas sustentáveis na Itália, em Malta e em Espanha, os diversos projetos do LIFE no domínio da natureza contribuirão para a implementação do plano de ação da UE para a natureza, explica o comunicado divulgado. Conheça aqui os novos projetos apoiados

 

O programa LIFE é o instrumento de financiamento da UE no domínio do ambiente e da ação climática. Foi criado em 1992 e já cofinanciou mais de 4 600 projetos em toda a UE e em países terceiros, mobilizando perto de 10 mil milhões de EUR e disponibilizando mais de 4,2 mil milhões de EUR para a proteção do ambiente e o clima. A cada momento, há cerca de 1 100 projetos LIFE a decorrer em simultâneo. O orçamento para 2014-2020 é fixado em 3,4 mil milhões de EUR, a preços correntes, e abrange um subprograma «Ambiente» e um subprograma «Ação climática». Para o próximo orçamento a longo prazo da UE (2021-2027), a Comissão propõe um aumento do financiamento, para o programa LIFE, de quase 60 %.

 

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