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Portugal esgota hoje os recursos ambientais disponíveis para 2021

A associação ambientalista Zero, em parceria com a Global Footprint Network, atualiza os dados relativos à pegada ecológica de Portugal. A associação alerta que todos os anos esta data chega mais cedo e que Portugal deve aproveitar os fundos europeus para reduzir a sua pegada ecológica.

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A partir de 13 maio, os portugueses passam a viver de crédito ambiental até ao final do ano, uma vez que consumiram todos os recursos que permitiriam viver de forma sustentável em 2021, alerta a associação ambientalista Zero – Associação Sistema Terrestre Sustentável, em parceria com a Global Footprint Network. Os dados monitorizados relativos à pegada ecológica de Portugal assinalam também que esta data chega mais cedo a cada ano que passa.

 

«Se cada pessoa no Planeta vivesse como uma pessoa média portuguesa, a humanidade exigiria mais de dois planetas para sustentar as suas necessidades de recursos. Tal implicaria que a área produtiva disponível para regenerar recursos e absorver resíduos a nível mundial esgotar-se-ia no dia 13 de maio, treze dias mais cedo do que em 2020, cuja data foi a 25 de maio. A partir daí seria necessário começar a usar recursos naturais que só deveriam ser utilizados a partir de 1 de janeiro de 2022», explica a Zero em comunicado.

 

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Os cálculos têm em conta dados de vários anos, pelo que não espelham de forma clara as implicações da pandemia na pegada ecológica de Portugal. Ainda assim, na ausência de alterações estruturais, não é expectável que a pandemia venha a ter um reflexo duradouro na pegada ecológica do nosso país.

 

Portugal é, há já muitos anos, deficitário na sua capacidade para fornecer os recursos naturais necessários às atividades desenvolvidas (produção e consumo). O mais preocupante é que “dívida ambiental” portuguesa tem vindo a aumentar, assina a Zero, que considera que Portugal tem uma oportunidade única de aproveitar o Programa de Recuperação e Resiliência, a par com fundos de apoio europeus, para implementar transformações que possam contribuir para que possamos viver respeitando os limites do planeta.

 

Tal é possível com a adoção de novas políticas públicas, e novas práticas por parte de cada um de nós, no sentido de reduzir o impacto da forma como produzimos e consumimos.

 

Como reduzir a dívida ambiental portuguesa

O consumo de alimentos (32% da pegada global do país) e a mobilidade (18%) encontram-se entre as atividades humanas diárias que mais contribuem para a Pegada Ecológica de Portugal e constituem assim pontos críticos para intervenções de mitigação da Pegada.

 

Em termos de políticas, a associação propõe, entre outras medidas, que se aposte numa agricultura que preserve os solos, solos, reduza o uso de água e valorize os serviços de ecossistema.

 

Propõe também aproveitar o potencial de redução de deslocações e viagens (em particular as feitos por avião) através do teletrabalho e da realização de eventos em formato virtual.

 

Deve-se fomentar o uso de modos suaves de transporte, em particular da bicicleta e eventualmente combinados com o transporte público, no sentido de evitar a degradação da qualidade do ar nas cidades. E regulamentar para que os produtos colocados no mercado sejam sustentáveis.

 

A nível individual, a associação ambientalista propõe aos portugueses reduzirem a presença de proteína animal na alimentação e aproximarem-se mais das recomendações da Roda de Alimentos; privilegiarem os transportes coletivos, andar de bicicleta, a pé, e claro, reduzir ou eliminar mesmo as viagens de avião substituindo nomeadamente as reuniões por videoconferência. Sugere também um consumo circular, assente na reciclagem, incineração e deposição em aterro.

 

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