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Portugal consome mais água do que devia pondo em risco adaptação do país às alterações climáticas

A organização não-governamental de conservação ANP/WWF lança um relatório que alerta para o facto de os portugueses consumirem mais água do que deviam, enquanto o país enfrenta anos de escassez de pluviosidade. Os ecossistemas aquáticos devem ser bem preservados para enfrentar os desafios de um futuro mais quente e seco, reforça o relatório.

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Portugal continua a consumir mais água do que devia, resultando em crescentes situações estruturais de escassez, em particular no sul do país, um cenário que poderá ser agravado pelas alterações climáticas. No Dia Nacional da Água, assinalado a 1 de outubro, a Associação Natureza Portugal/WWF lança o relatório “Vulnerabilidade de Portugal à Seca e Escassez”, onde reforça que os ecossistemas aquáticos saudáveis são os nossos melhores aliados para enfrentar os desafios de um futuro mais quente e seco, devendo a sua preservação passar a ser uma prioridade na adaptação a esta nova realidade.

 

Segundo o relatório, desde a década de 70 que têm sido cada vez mais frequentes os anos com precipitação inferior à média e cada vez mais raros os anos muito chuvosos, na generalidade do país. Nos últimos anos, com a pluviosidade abaixo dos níveis esperados, os impactos mais significativos passam, entre outros, pelo abaixamento do nível de partida das albufeiras e aquíferos, assim como da água acumulada no solo; pela perda de rendimento das culturas de outono/inverno (como o trigo e a cevada); pela perda de rendimento das pastagens e dificuldades na alimentação do gado; pela quebra de 10% da área prevista para cultivo de arroz, etc.

 

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A organização de conservação da natureza defende uma mudança de atuação de uma gestão reativa e de emergência face a situações de seca para uma gestão preventiva, focando as suas recomendações aos diferentes atores na redução dos consumos e no aumento da eficiência no uso da água. Aos governantes, a ONG recorda ainda que conservar e reabilitar ecossistemas aquáticos saudáveis é a primeira arma de defesa contra os impactos das alterações climáticas.

 

Para Ângela Morgado, diretora executiva da ANP|WWF, «as estimativas de impactos das alterações climáticas apresentam um quadro desafiante para as águas e políticas das águas europeias. Iremos observar fenómenos climáticos extremos cada vez mais frequentes, acompanhados de uma possível redução de precipitação, e num clima mediterrânico como o de Portugal isso poderá ter efeitos catastróficos».

 

Afonso do Ó, especialista em água e alimentação na mesma ONG, reforça que «nas próximas décadas, ter ecossistemas aquáticos saudáveis não será apenas uma ação prioritária para mitigar e adaptar aos impactos das mudanças climáticas. Estes ecossistemas serão os nossos melhores aliados para enfrentar os desafios de um futuro mais quente e seco».

 

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O lançamento deste relatório é feito no mesmo dia em que é emitida uma posição conjunta com a WWF Espanha sobre a realidade dos dois países, que partilham muitos dos problemas estruturais de água e a influência do mesmo tipo de clima. Ambas as organizações pedem aos respetivos órgãos de governação a adoção de uma gestão preventiva das secas, em detrimento da atual gestão reativa baseada em medidas urgentes e isenções excecionais, a par com mais e melhores medidas de monitorização e uma adaptação da procura aos recursos efetivamente disponíveis. As ONG reforçam ainda a necessidade de apoiar uma cultura de poupança e uso eficiente da água, que se estende a todos os utilizadores.

 

No documento de posição lançado em maio deste ano, a ANP|WWF referia que Portugal encontra-se parcialmente em situação de seca, fruto de uma sequência de anos pouco chuvosos e cujos efeitos são agravados pelas alterações climáticas. A água é cada vez menos suficiente para satisfazer as necessidades crescentes do país, sendo por isso necessário que sejam tomadas medidas preventivas para lidar com estas situações estruturais de escassez, em vez de serem permanentemente acionadas medidas reativas face á limitação dos recursos.

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