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Porque partilhamos? Ato pode ser contagioso, revela estudo

É verdade que vivemos numa sociedade cada vez mais fechada e egoísta, mas quando partilhamos algo com alguém acabamos sempre por nos sentir bem. Mas o que nos faz dar algo nosso a outra pessoa? Um estudo levado a cabo junto dos Hadza, grupo étnico da Tanzânia, demonstra que o ato de partilhar pode ser contagioso.

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A sociedade em que vivemos tem várias lacunas, mas a verdade é que partilhamos cada vez mais. Damos sangue, fazemos voluntariado ou damos as coisas que já não nos fazem falta para a caridade. Mas porque partilhamos com as outras pessoas? Um estudo realizado durante seis anos junto dos Hadza, grupo étnico da Tanzânia central e um dos últimos povos do planeta terra que cultivam um estilo de vida semelhante àquele que tinham os nossos ancestrais, demonstra que o ato de partilha pode ser contagioso.

 

Durante seis anos, um grupo de investigadores acompanhou os Hadza em cerca de 56 campos por toda a Tanzânia. Durante estas visitas, cerca de 400 adultos Hadza, de todas as idades, foram convidados a jogar um jogo de bens públicos. Neste jogo, foi perguntado às pessoas o que fazer com palhas de mel, a comida favorita deste grupo étnico.

 

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Comer ou dar aos outros. Estas eram as duas escolhas que poderiam fazer e o grupo de investigadores reparou que os indivíduos mais generosos estavam inseridos em grupos onde era comum compartilhar. Só que este comportamento mudava consoante as normas do campo onde estavam inseridos naquele momento. «A comida não é garantida e as pessoas muitas vezes preocupam-se com a comida. Se existe comida suficiente para eles e para as suas famílias.

 

Para combater este problema com a comida, os Hadza compartilham a sua comida com os restantes companheiros de acampamento», conta o autor principal deste estudo, Coren Apicella, da Universidade da Pensilvânia, nos Estados Unidos da América. «As pessoas viviam com outras pessoas que eram semelhantes a elas em níveis de generosidade», diz Coren Apicella. Os indivíduos estudados compartilhavam se o seu grupo fizesse o mesmo e costumavam fazer com os outros grupos com os quais interagiam.

 

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«Nós também descobrimos que a disposição individual para compartilhar mudava de ano para ano para coincidir com seus companheiros de acampamento atuais», acrescenta um dos outros autores deste estudo, Kristopher Smith. Neste estudo é defendido que não existem ‘bonzinhos’ e ‘mauzinhos’. Isto porque o nosso comportamento, que é bastante flexível, varia consoante as pessoas que nos rodeiam.

 

A tendência apercebida por este grupo de investigadores mantinha-se mesmo quando os Hadza mudavam de acampamento a cada dois meses. Os resultados alcançados comprovam que este povo da Tanzânia central adapta as suas próprias tendências de partilha de modo a corresponder ao grupo em que vivem. A partilha é orientada pelas normas e pelos comportamentos dos diversos grupos em que estão inseridos. Os dados deste estudo foram apresentados na revista ‘Current Biology’.

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