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Porque me devo vacinar?

Promovida pela Organização Mundial da Saúde (OMS) Europa, encontra-se a decorrer, entre os dias 23 e 29 de abril, a Semana Europeia da Vacinação, uma efeméride que tem como objetivo reforçar a importância da adesão à vacinação.

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Mas, afinal, porque devemos vacinar-nos?

A resposta é simples: as vacinas salvam vidas. Antes da introdução da vacinação de rotina das crianças, as doenças infeciosas eram a principal causa de morte na infância, sendo também uma causa muito importante de sofrimento e incapacidade permanente.

 

A vacinação deve ser entendida como um direito e um dever dos cidadãos, participando ativamente na decisão de se vacinarem. Apesar de não ser obrigatória, a vacinação deve ser um ato consciente de defesa da saúde individual e da saúde pública.

 

Paradoxalmente, após a pandemia da COVID19 tem-se assistido em todo o mundo a retrocesso global nas taxas de vacinação. Atualmente, devido ao sucesso dos programas de vacinação, a maioria das pessoas desconhece a gravidade das doenças evitáveis pelas vacinas, não se apercebendo da importância e dos ganhos conferidos pelas mesmas.

 

VEJA TAMBÉM: VACINAR CONTRA A MENINGITE: TUDO O QUE DEVE SABER

 

Em Portugal a vacinação é um direito básico de todos os cidadãos. Com a aplicação do Programa Nacional de Vacinação atingiu-se uma percentagem elevada de cidadãos vacinados contra as doenças alvo do programa, com o consequente controlo de doenças evitáveis e significativa diminuição do número de mortos e de incapacidade.

 

O que é uma vacina?

Uma vacina é um preparado de partículas estranhas ao organismo (antigénios), que é administrado a uma pessoa, provocando uma resposta imunitária protetora específica contra um ou mais agentes infeciosos (vírus ou bactérias).

 

Os antigénios das vacinas podem ser vírus ou bactérias inteiros, mortos ou atenuados, ou fragmentos desses microrganismos ou das suas toxinas enfraquecidas. Estes são criteriosamente preparados para desencadear a resposta imunitária protetora e não provocar a doença.

 

Para ser autorizada a utilização de uma vacina, é necessário um extenso processo, com diferentes fases, que passam pela investigação em laboratório, ensaios criteriosos em humanos e vigilância apertada da eficácia a longo prazo e do aparecimento de reações adversas após a sua introdução na comunidade. Todas as vacinas autorizadas no mercado europeu têm um elevado grau de segurança, eficácia e qualidade, sendo ainda exigida uma certificação lote a lote antes da sua distribuição, após vários anos de experiência e milhões de vacinas administradas em todo o mundo.

 

Apesar de existirem, como para qualquer outro medicamento, são raras as reações adversas graves comprovadamente associadas às vacinas, bem como contraindicações à vacinação.

 

Como funcionam as vacinas?

A vacina é a forma mais eficaz de prevenir doenças em todas as fases da vida. Elas defendem o organismo dos vírus e bactérias que provocam doenças, ou que podem mesmo levar à morte.

 

Quando a pessoa é vacinada, o organismo deteta a substância e produz uma defesa, isto é, desencadeia a formação de anticorpos e outros mecanismos de proteção. Esses anticorpos e células de defesa permanecem depois no organismo e, caso a pessoa contacte com essa doença no futuro, vão rapidamente atuar para que ela não adoeça ou tenha uma doença ligeira e com menor intensidade. Ou seja, a vacinação faz com que o sistema imunitário responda rápida e eficazmente a um contacto posterior com o microrganismo.

 

Quais as vacinas incluídas no Programa Nacional de Vacinação?

O esquema geral recomendado em Portugal inclui vacinas contra infeções provocadas por:

– Hepatite B

Haemophilus influenzae b

– Difteria, tétano e tosse convulsa

– Poliomielite

Streptococcus pneumoniae

– Meningite B

– Meningite C

– Sarampo, parotidite epidémica e rubéola

– Vírus do Papiloma Humano.

 

A maioria das vacinas é administrada na infância.

 

Na idade adulta recomenda-se a vacina contra o tétano e difteria, dependendo do número de doses anteriores e da idade. Além desta, recomendam-se às pessoas que não tiverem sido vacinados na infância ou com fatores de risco acrescido, as vacinas contra o sarampo, rubéola e a poliomielite.

O que fazer se ocorrer uma reação adversa?

A maioria das vacinas abrangidas pelo Programa Nacional de Vacinação são administradas na infância, sendo que habitualmente a criança mostra desconforto pela dor. O incómodo causado pela administração da vacina é geralmente momentâneo, e pode ser minorado evitando a demonstração de ansiedade durante a vacinação e, quando a criança já percebe, explicando que é um ato que a vai proteger de adoecer.

 

Se o desconforto persistir, pode fazer-se uma ligeira massagem local ou aplicar um pouco de gelo, sem fazer pressão. Mais raramente pode ocorrer um síndrome virusal com febre e mialgias, auto-limitado e de resolução rápida. Com a maioria das vacinas, este será o único inconveniente.

 

No entanto, se apesar de muito raras, surgirem reações adversas possivelmente relacionadas com a vacina, estas devem ser notificadas ao Sistema Nacional de Farmacovigilância, online, no Portal RAM – Notificação de Reações Adversas ao Medicamento. A notificação da suspeita destas reações levará à sua investigação e contribuirá para a melhoria da qualidade das vacinas.

 

É compreensível por isso que algumas pessoas possam ter algum receio das vacinas. No entanto, devemos pensar nos efeitos e nas consequências que as doenças causariam. Há apenas algumas décadas atrás, milhares de crianças e adultos morriam ou ficavam incapacitados por doenças como a varíola (entretanto erradicada pela vacinação), a difteriatosse convulsapoliomielite e o sarampo.

 

Todas as crianças e adultos devem cumprir os esquemas de vacinação recomendados para a sua idade e o seu estado de saúde. A vacinação é um ato de cidadania. Vacine-se, pela saúde de todos!

 

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