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Porque continuamos a crescer?

Nos últimos 150 anos, a estatura média humana aumentou nos países industrializados até dez centímetros, com especial destaque para a Holanda

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São várias as mudanças que ocorreram na Humanidade no último século e meio. Mas o professor de história económica da Universidade de Munique John Komlos decidiu focar o seu trabalho na variação da estatura média da população, explorando o campo da história antropométrica. O estudo do alemão pretende não só perceber de que forma a altura da população variou ao longo dos séculos mas também qual é a tendência.

 

Komlos identificou que a estatura média de uma população varia de acordo com as suas condições económicas e sociais. O professor usou registos militares, onde estão especificadas as alturas dos soldados, para testar esta relação. Em conclusão, a investigação revelou que a altura da população acompanha as variações da alimentação e da saúde geral, em particular durante a infância.

 

Por exemplo, no final do período medieval da Europa Ocidental, após a peste negra ter dizimado pelo menos 60 por cento da população, os sobreviventes tinham comida abundante e, como tal, a média da altura aumentou. Os britânicos tinham, em média, quatro centímetros a menos do que hoje.

 

A altura média mínima na Europa atingiu-se no século XVII, quando o homem francês media 1,62, devido à fome causada por vários invernos gelados. Na segunda metade do século XIX, a produção agrícola aumentou, o saneamento básico e o fornecimento de água evoluíram, o que se refletiu mais uma vez no crescimento da população.

 

Nos dias de hoje, é interessante analisar os números. Um bom exemplo da influência das condições de vida são as Coreias do Sul e do Norte. A Coreia do Norte está em 188º lugar no Índice de Desenvolvimento Humano da ONU (IDH), que leva em consideração a expectativa de vida, a renda e o nível escolar de cada indivíduo. O homem adulto norte-coreano tem entre três a oito centímetros a menos do que os sul-coreanos, cujo país está na 15ª posição do IDH.

 

Já nos Estados Unidos, o aumento da altura estabilizou desde o século XIX. A Holanda destaca-se neste tema, sendo o país com a população mais alta. Os rapazes têm, em média, 1,84 metros de altura, enquanto mulheres medem por volta de 1,70 metros. Komlos acredita que a diferença entre o gráfico dos EUA e o da Holanda está no acesso desigual à boa alimentação e aos cuidados de saúde. Milhões de americanos não têm plano de saúde e não visitam médicos regularmente. Além disso, um terço dos americanos são obesos graças ao consumo de junk food.

 

Ainda, não podemos esquecer o papel da genética, que tem um grande papel na altura. Casais altos quase sempre geram filhos altos.

 

O lado negro

Ser excessivamente alto pode trazer dificuldades. Além de as infraestruturas sociais não estarem sempre preparadas para pessoas muito altas, a saúde pode ser afetada. É sabido que as pessoas mais altas são mais propensas a problemas articulares e cardiovasculares.

 

Robert Wadlow, oficialmente o homem mais alto que já viveu, tinha um distúrbio da glândula pituitária que o fez atingir os 2,72 metros de altura, tendo morrido vítima de uma infeção aos 22 anos.

 

Komlos acredita que a Humanidade provavelmente já atingiu s sua altura média máxima: “Os holandeses, para mim, são o exemplo do máximo a que a população humana pode chegar”, afirma.

 

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