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Por onde anda a tolerância?

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1 – Num destes últimos domingos, a fazer zapping na televisão, paro no canal História e fico estupefacta a ver um documentário sobre as barbaridades cometidas por três ditadores, em nome do poder: Estaline, Khadafi e Amim Dada. Pode-se só imaginar!

 

Termina este sensacional documentário e volto ao zapping. Paro na RTP3. Uma reportagem ilustra como os jovens gays da Rússia sofrem em pleno 2015. São insultados na rua, proibidos de manifestações públicas, denunciados à polícia, and so on… Devoro também esta reportagem, onde jovens explicam que a única solução que têm é emigrar para poderem ‘simplesmente’ amar livremente, constituir família, passear-se na rua sem receio. E assim o fazem dois dos protagonistas da história.

 

A tarde já ia longa, a chuva insistia lá fora, e voltei ao zapping. Nada mais me cativa na televisão, viro-me então para o Facebook. Corro o feed e entro nalgumas notícias. Claro está que qualquer notícia sobre os refugiados é logo inundada de dezenas de comentários xenófobos e ignorantes, que não vale a pena reproduzir, pois já todos os lemos ou ouvimos por aí. Mas fico desiludida por ver portugueses com este pensamento. Prossigo.

 

Salta-me à vista outra notícia. A belíssima atriz brasileira Taís Araújo estava a ser vítima de racismo na sua própria página de Facebook. Comentários injuriosos simplesmente por ter um tom de pele escuro. O quê? Não pode!

 

Tudo isto numa tarde de domingo DE 2015!

 

O encontro com a intolerância acontece a toda a hora em todas as plataformas e proveniente de vários atores. Confesso que ando estupefacta com isto. É algo que se nota mais agora com a disseminação das redes sociais. E não é só por os ‘agressores’ terem um computador que os protege, pois os perfis deles podem ser consultados, e até conseguimos saber quem são (os que não são falsos, claro). As pessoas pensam mesmo assim. São preconceituosas.

 

Pior, por vezes no nosso próprio círculo social eles surgem de forma inesperada. Bem me lembro também dos ataques furiosos que li quando a Conchita Wurst ganhou a Eurovisão no ano passado. Pessoas furiosas por verem um ser humano de barba e vestido? So what?

 

Inocentemente, pensava que vivia numa sociedade civilizada, onde o respeito ao próximo fosse um dado adquirido. Deveria ser óbvio para todos. Afinal, não é. E estamos longe disso, infelizmente. E tenho pena. Muita pena mesmo, pois não sei como se dissipa esta nuvem negra que ensombra a humanidade. Por isso, continua a ser necessário assinalar dias como o de hoje: Dia Internacional da Tolerância.

 

2 – Escrevi este editorial na sexta-feira, 13, ainda antes de se darem os trágicos antentados de Paris. Quando o escrevia, decidi deliberadamente não incluir nenhumas linhas sobre a intolerância perpretada pelo autoproclamado Estado Islâmico. Por estar a um nível muito para além do compreensível. Quis neste editorial ressaltar sobretudo a intolerãncia que persiste mesmo na sociedade dita civilizada, aquela que diferencia pessoas pelas suas diferenças, mas onde, ainda assim, a morte e atos de terrorrismo são repudiados por todos.

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