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Poluição plástica nos ecossistemas aquáticos deve duplicar até 2030

Relatório da ONU sobre poluição plástica alerta sobre falsas soluções e confirma necessidade de ação global urgente. O plástico representa 85% dos resíduos que chegam aos oceanos.

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Uma redução drástica do plástico desnecessário, evitável e problemático é crucial para enfrentar a crise global de poluição, de acordo com uma análise abrangente divulgada pelo Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (PNUMA). O estudo destaca que a poluição plástica nos ecossistemas aquáticos cresceu consideravelmente nos últimos anos e deve duplicar até 2030, com consequências terríveis para a saúde, a economia, a biodiversidade e o clima.

 

 

Acelerar a transição para energias renováveis, eliminar subsídios e adotar abordagens circulares ajudará a reduzir os resíduos plásticos na escala necessária, de acordo com o relatório ‘Da Poluição à Solução: Uma Análise Global sobre Lixo Marinho e Poluição Plástica’.

 

O relatório mostra que a poluição plástica é uma ameaça crescente em todos os ecossistemas, de onde a poluição se origina até ao mar. Mostra também que, embora tenhamos o conhecimento, precisamos de vontade política e de ação urgente dos governos para enfrentar esta crise crescente.

 

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O relatório alimentará as discussões na Assembleia das Nações Unidas para o Meio Ambiente (UNEA 5.2) que terá lugar em março de 2022, quando os países se reunirão para decidir o caminho a seguir para a cooperação global sobre esta questão.

 

Problema ambiental e climático

A análise, divulgada dias antes da 26ª Conferência das Partes da Convenção sobre Mudança do Clima (COP26), enfatiza que o plástico também é um problema climático. Usando uma análise de ciclo de vida, estimou-se que em 2015 os plásticos estavam ligados à produção de 1,7 gigatoneladas de CO2 equivalente (GtCO2e), e em 2050 este número deverá aumentar para aproximadamente 6,5 GtCO2e – 15% do orçamento global de carbono.

 

Os autores rejeitam a possibilidade de reciclagem como uma saída para esta crise e alertam para alternativas nocivas aos produtos de uso único, tais como plásticos de base biológica ou biodegradáveis, que atualmente representam uma ameaça química semelhante aos plásticos convencionais.

 

O relatório analisa falhas críticas do mercado, tais como preços baixos de matérias-primas fósseis virgens versus materiais reciclados; esforços mal articulados no gerenciamento formal e informal de resíduos plásticos; e a falta de consenso sobre soluções globais.

 

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«Esta pesquisa fornece o argumento científico mais forte até hoje para responder à urgência, agir conjuntamente e proteger e restaurar os nossos oceanos e todos os ecossistemas afetados pela poluição no seu curso», disse Inger Andersen, diretora executiva do PNUMA.

 

«Uma grande preocupação é o destino dos microplásticos, aditivos químicos e outros produtos fragmentados, muitos dos quais são conhecidos por serem tóxicos e perigosos para a saúde humana, a vida selvagem e os ecossistemas. A velocidade com que a poluição oceânica está a captar a atenção do público é encorajadora e é vital que aproveitemos este impulso para alcançar um oceano limpo, saudável e resiliente», acrescentou Andersen.

Poluição está a aumentar

O relatório destaca que o plástico representa 85% dos resíduos que chegam aos oceanos e adverte que até 2040, os volumes de plástico que fluem para o mar quase triplicarão, com uma quantidade anual entre 23 e 37 milhões de toneladas. Isto significa cerca de 50 kg de plástico por metro de costa em todo o mundo.

Como resultado, todas as espécies marinhas, desde plâncton e moluscos até aves, tartarugas e mamíferos, enfrentam riscos de envenenamento, distúrbios comportamentais, fome e asfixia. Corais, mangues e ervas marinhas também são sufocados por detritos plásticos que os impedem de receber oxigénio e luz.

 

O corpo humano também é vulnerável à contaminação por resíduos plásticos em fontes de água, que podem causar alterações hormonais, distúrbios de desenvolvimento, anormalidades reprodutivas e cancro. Os plásticos são ingeridos através de frutos do mar, bebidas e até mesmo sal comum, mas também penetram na pele e podem ser inalados quando suspensos no ar.

 

O relatório pede a redução imediata dos plásticos, incentiva a transformação de toda a cadeia de valor envolvida e indica que há necessidade de reforçar os investimentos em sistemas de monitorização muito mais abrangentes e eficazes para identificar a origem, escala e destino do plástico, bem como o desenvolvimento de uma estrutura de risco, que atualmente não existe globalmente.

O estudo conclui que é necessária uma mudança para abordagens circulares, incluindo práticas de consumo e produção sustentáveis, o desenvolvimento e adoção rápida de alternativas pelas empresas, e uma maior consciencialização do consumidor para escolhas mais responsáveis.

 

 

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