Home»ATUALIDADE»ESPECIALISTAS»Polipose nasal: inflamação crónica da cavidade nasal

Polipose nasal: inflamação crónica da cavidade nasal

Já imaginou o que é viver com uma sensação permanente de apneia ou sofrer com a falta de paladar e olfato? Esta é a realidade de doentes que vivem com polipose nasal, uma doença com sintomas semelhantes à infeção por Covid-19, mas presentes no dia-a-dia.

Pinterest Google+
PUB

A polipose nasal é um tipo de rino-sinusite crónica. Trata-se de uma doença inflamatória crónica da cavidade nasal e seios perinasais que atinge 5% dos adultos. O pólipo é um tumor benigno, em forma de gota ou uva, que cresce dentro da cavidade nasal ou dos seios paranasais.

 

A história de um doente típico inicia-se com uma “constipação” que persiste durante muitos meses com obstrução e corrimento nasal. Com o passar do tempo, o doente refere uma diminuição ou ausência de olfato (anosmia) e cefaleias.

 

Os pólipos nasais podem representar uma parte de uma doença sistémica. Metade dos doentes com polipose apresentam asma e um quarto apresenta alergia a aspirina e anti-inflamatórios. Até metade dos casos de fibrose quistica apresentam polipose nasal, pelo que todas as crianças e adolescentes que apresentam pólipos nasais devem ser rastreados para asma e fibrose quistica.

 

VEJA TAMBÉM: CONSTIPAÇÃO, GRIPE OU ALERGIA?

 

Impacto na qualidade de vida

A polipose nasal pode ter um impacto importante na qualidade de vida de um indivíduo, com queixas respiratórias e infeções frequentes. E a perda do olfato (anósmia) associada a obstrução nasal altera significativamente o prazer de comer e beber. A anósmia é muitas vezes é o primeiro sintoma.

 

Perante alguém com uma possível infeção por COVID-19, o diagnóstico e tratamento estão muitas vezes atrasados nestes doentes. A sobreposição de sintomas clínicos entre a infeção por COVID e a polipose nasal, que estes doentes consideram como habituais, leva a que só procurem ajuda numa altura mais tardia.

 

Quando se realiza o diagnóstico de COVID-19 nestes doentes, já estamos perante uma situação arrastada, com consequências e prognóstico mais severos. Por outro lado, o risco de contágio de pessoas próximas aumenta proporcionalmente ao tempo de atraso no diagnóstico.

 

O diagnóstico é clínico e efetua-se na consulta usando nasoendoscópios rígidos, que são camaras finas indolores que se introduzem pelas narinas e que inspecionam o interior do nariz. A TAC é útil quando se pondera uma intervenção cirúrgica ou se suspeita de neoplasia maligna e complicações associadas. A polipose nasal unilateral deve ser considerada como tumor até prova em contrário.

 

A formação de pólipos tem sido ligada a inflamação crónica, sistema nervoso autonómico, bactérias, fungos, superantigénios e a fatores genéticos. A polipose nasal não é considerada uma alergia. No entanto, como estes doentes notam que certos alimentos e bebidas alcoólicas lhes provocam os sintomas, supõe que são alérgicos.

 

Controlo da polipose nasal

Apesar de não se conhecer em específico a causa da polipose nasal, e por isso não existir um tratamento único definitivo, o controlo da evolução da doença é possível.

 

O tratamento inicial com corticoides em spray, duches nasais ou orais reduz os sintomas de rinite, melhora a ventilação nasal e reduz o tamanho dos pólipos. Em doentes com asma, o tratamento da polipose nasal melhora a clínica da asma.

 

Quando o tratamento médico não é suficiente, ou a doença é mais severa, efetua-se a remoção dos pólipos através das narinas com endoscópios e instrumentos cirúrgicos que não implicam cortes ou incisões externas, como os microdebridadores ou radiofrequência. A visualização direta em ecrãs 4k permite um controlo com alta precisão de todo o processo.

 

Mais recentemente, podemos contar com a elevada eficácia dos novos medicamentos biológicos no tratamento desta doença. São medicamentos inovadores, por enquanto apenas de prescrição hospitalar em consultas muito especializadas devido ao seu elevado custo, e que em situações especificas apresentam resultados clínicos excelentes na polipose nasal e asma.

 

Por João Carlos Ribeiro

Cirurgião especializado em Otorrinolaringologia

Artigo anterior

Gelados podem fazer parte de uma alimentação saudável

Próximo artigo

Cogumelos: vários benefícios e muitas variedades