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Planeta perdeu 14% dos corais desde 2009 devido ao aumento da temperatura do mar

Maior documento sobre corais realizado até hoje conta com dados recolhidos por mais de 300 cientistas sobre dois milhões de observações durante cerca de 40 anos. Os recifes abrigam pelo menos um quarto de todas as espécies marinhas.

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O novo relatório ‘Estado dos Recifes de Coral do Mundo: 2020’ documenta a perda de aproximadamente 14% dos corais desde 2009. A sexta edição do relatório produzido pela Rede Global de Monitorização de Recifes de Coral fornece o quadro mais detalhado já existente sobre o impacto das temperaturas elevadas nos recifes de coral do planeta.

 

O documento baseia-se em dados recolhidos por mais de 300 cientistas sobre dois milhões de observações individuais de 12 mil locais de 73 países, abrangendo um período de 40 anos.

 

Os recifes de coral em todo o mundo estão sob a implacável ameaça do aquecimento causado pelas mudanças climáticas e outras pressões locais, como a pesca excessiva, o desenvolvimento costeiro insustentável e o declínio da qualidade da água. A perda irrevogável dos recifes de coral seria catastrófica.

 

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Abrigo oceânico

Embora os recifes cubram apenas 0,2% do fundo do oceano, eles abrigam pelo menos um quarto de todas as espécies marinhas, proporcionando um habitat crítico e uma fonte fundamental de proteína, bem como de medicamentos que salvam vidas. Estima-se que centenas de milhões de pessoas em todo o mundo dependem deles para alimentação, emprego e proteção contra tempestades e erosão.

 

«Desde 2009 perdemos mais corais, no mundo inteiro, do que todos os corais vivos na Austrália. Estamos a ficar sem tempo: podemos reverter as perdas, mas temos que de agora», disse Inger Andersen, diretora executiva do Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (PNUMA), organização que forneceu apoio financeiro e técnico ao relatório.

 

«Na próxima conferência climática em Glasgow e na conferência sobre biodiversidade em Kunming, os decisores têm a oportunidade de mostrar liderança e salvar os nossos recifes, mas somente se eles estiverem dispostos a tomar medidas ousadas. Não devemos deixar que as gerações futuras herdem um mundo sem corais», complementou.

 

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O relatório também concluiu que muitos dos recifes de coral do mundo permanecem resilientes e podem se recuperar se as condições permitirem, proporcionando uma esperança para a saúde dos recifes de coral a longo prazo se medidas imediatas forem tomadas para estabilizar as emissões a fim de conter o aquecimento futuro.

 

«Este estudo é a análise mais detalhada até ao momento sobre o estado dos recifes de coral do mundo, e as notícias são mistas. Há tendências claramente inquietantes para a perda de corais, e podemos esperar que elas continuem à medida que o aquecimento persistir». Apesar disso, alguns recifes têm mostrado uma notável capacidade de recuperação, o que oferece esperança para o resgate futuro dos recifes degradados. Uma mensagem clara do estudo é que a mudança climática é a maior ameaça para os recifes do mundo, e todos nós devemos urgentemente fazer nossa parte reduzindo as emissões globais de gases de efeito estufa e mitigar as pressões locais», disse Paul Hardisty, CEO do Instituto Australiano de Ciências Marinhas.

 

O perigo do branqueamento de corais

A análise que examinou 10 regiões de recifes de coral no mundo mostra que os eventos de branqueamento dos corais causados pelas altas temperaturas da superfície do mar foram o principal fator da perda de corais, incluindo um evento agudo em 1998 que se estima ter matado 8% dos corais do mundo – mais do que todos os corais que vivem atualmente em regiões das Caraíbas ou do Mar Vermelho e do Golfo de Aden. A diminuição a longo prazo vista durante a última década coincidiu com um aumento persistente de temperaturas da superfície do mar.

 

«Os recifes de coral, tão frágeis e de tamanha importância, estão atualmente sob uma grave ameaça. Acidificação oceânica, aquecimento global, poluição: as causas dessas ameaças são muitas e particularmente difíceis de serem enfrentadas, na medida em que são extremamente difusas, e resultam de todo o nosso paradigma de desenvolvimento. Sabemos que existem soluções que nos ajudarão a proteger os corais com mais eficácia, a mitigar as ameaças que pairam sobre eles e, mediante o desenvolvimento da pesquisa científica, a compreender melhor como podemos salvá-los», afirmou Albert II, Príncipe de Mónaco.

 

A análise investiga mudanças na cobertura tanto de corais duros vivos quanto de algas. A cobertura de corais duros vivos é um indicador da saúde dos recifes de coral fundamentado na ciência, enquanto o aumento das algas é um sinal amplamente aceite de stresse para os recifes.

 

Desde 1978, quando os primeiros dados utilizados no relatório foram recolhidos, houve um declínio de 9% na quantidade de corais duros em todo o mundo. Entre 2010 e 2019, a quantidade de algas aumentou em 20%, correspondendo a declínios na cobertura de corais duros. Esta transição progressiva de corais para comunidades de recife dominadas por algas reduz o complexo habitat que é essencial para abrigar altos níveis de biodiversidade.

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