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Piropos? Conte lá isso na esquadra!

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Muita tinta tem corrido nos últimos dias, desde que foi divulgado, através dos media, que piropos de teor sexual poderão ser punidos judicialmente, fruto das alterações ao Código Penal estabelecidas em agosto – aqueles que, de alguma forma, se apresentem como “propostas de teor sexual” já valem pena de prisão de até um ano ou até três anos, caso sejam dirigidos a menores de 14 anos.

 

Desde então, cheguei à conclusão, depois de dezenas de comentários que li nas redes sociais, e no espaço reservado aos mesmos nos órgãos de comunicação social online, que em poucos dias fiz uma viagem no tempo, e foi até à Idade Média. Quem diz Época Medieval pode descer um bocadinho até à Pré-História em que as mulheres eram arrastadas pelos cabelos, porque, na verdade, foi o que senti quando li dos comentários mais ordinários e machistas, que conseguem ultrapassar facilmente os piropos que estes mesmos homens deveriam gostar imenso de ouvir endereçados às suas queridas mães, irmãs e filhas. E, atenção, piropos não são elogios.

 

Confesso-me uma mulher tolerante, que até abre um sorriso com uma palavra educada, e sim, um elogio, mas daí até à proposta do obral de me “fazer um vestido de saliva” – só porque nesse dia me apeteceu vestir uma saia mais curta ou um decote mais ousado – não faz de mim, ou de qualquer outra mulher (seja menor ou adulta), alguém que anda ao ataque ou que mandou vir uma chouriça assada de um Zé Obral, que do nada lhe apeteceu dizer aquilo que certamente não gostaria de ouvir se tal comentário fosse feito às suas familiares próximas do sexo feminino.

 

Comparo este tipo de atitude com outras observações que também li, em outros contextos, tal como o “andam de minissaia e depois admiram-se de ser violadas”. É então, em pleno século 21, mais concretamente em 2016, que me volto a questionar se de facto só andarei segura na rua se usar uma burka.

 

É que, senhores, caso não saibam, todas as mulheres podem omitir e pedir opinião, sem ter de se sujeitar a ouvir o “piropo chunga do Zé do Andaime”. O sexo feminino tem noção do corpo que tem ou não, e tem todo o direito de usar minissaias e decotes, porque certamente, em casa, tem espelhos para onde olhar, e se precisar de opiniões mais picantes certamente terá namorado, marido ou afim que lho possa dirigir em privado, e de comum acordo.

 

E, sim, existem muitos problemas sociais graves e a necessitar de grave regulação e punição judicial, mas há que começar por algum lado. Se calhar começando por aqui os abusos começam a diminuir, e daqui a uns anos deixaremos de ler notícias que nos informam, SÓ EM PORTUGAL, nos últimos 11 anos, foram assassinadas 426 mulheres, vítimas de violência doméstica, e 497, vítimas de tentativa de homicídio. Por isso, o silêncio é de ouro!

 

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