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Perturbações de ansiedade em crianças: aprenda a lidar com o problema

A propósito do Dia Mundial da Saúde Mental, que se celebra a 10 de outubro, falamos com a psicóloga especialista em Psicologia Clínica e da Saúde, Filipa Jardim da Silva, sobre como se manifesta a ansiedade nas crianças e o que podemos fazer para controlar a doença.

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Segundo a Sociedade Portuguesa de Psiquiatria e Saúde Mental, mais de um quinto dos portugueses sofre de uma perturbação psiquiátrica, entre as quais se destaca a perturbação da ansiedade, que afeta 16,5% da população.

 

No caso das crianças, estas podem ficar ansiosas com coisas diferentes em idades distintas. A psicóloga Filipa Jardim da Silva explica que «entre os seis meses e os três anos de idade, é muito comum que as crianças pequenas tenham ansiedade de separação, traduzindo-se em choro quando são afastadas dos seus cuidadores. Este é um estádio adaptativo no desenvolvimento de uma criança e habitualmente para por volta dos dois a três anos de idade».

 

Em idade pré-escolar é também muito comum que as crianças desenvolvam medos ou fobias especificas. «Os medos comuns na primeira infância incluem animais, insetos, tempestades, alturas, água, sangue e escuridão. Esses medos geralmente desaparecem gradualmente por conta própria. Podem ainda surgir contextos que promovem experiências de ansiedade para as crianças, como a mudança de escola, a avaliação escolar e a integração com os pares», esclarece a psicóloga.

 

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No entanto, fora destes medos comuns, pode surgir uma ansiedade que se torna num problema quando limita a vida diária das crianças. Por exemplo, é normal alguma preocupação num dia de avaliação escolar, mas se essa ansiedade gerar vómitos, mal-estar físico já é considerado um nível de ansiedade mais intensa que condiciona o quotidiano.

 

Filipa da Silva Jardim alerta para o facto de que «a experiência deste tipo de ansiedade mais intensa pode prejudicar o bem-estar mental e emocional das crianças, afetando a sua autoestima e confiança. É por isso que muitas crianças se tornam fechadas e desenvolvem estratégias de evitamento de todas as situações que as deixam inquietas».

 

Existem assim alguns gatilhos, que facilmente podem despoletar uma crise de ansiedade nos mais novos. «Podem ser alvos típicos de medos na infância como os animais, os insetos, as alturas e a escuridão, mas também podem passar por situações novas, desconhecidas, geradoras de impotência ou que impliquem exposição e/ou avaliação, como por exemplo a separação de pais, a morte de uma pessoa próxima, a mudança de casa, a mudança de escola ou até a realização de avaliações na escola», enumera a psicóloga.

 

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Apesar destes sintomas existirem podem ser muitas vezes desvalorizados ou confundidos com birras pelo que é importante que os adultos percebam como se manifesta a ansiedade nas crianças e, por sua vez, como ajudar a controlá-la.

 

A psicóloga esclarece que «quando crianças pequenas se sentem ansiosas, nem sempre conseguem compreender ou expressar o que estão a sentir. No entanto, estes são alguns sinais que poderão ser detetados por adultos: aumento de irritabilidade ou choro fácil, dificuldade acrescida de separação dos adultos de referência, dificuldades em adormecer, despertares noturnos, pesadelos ou regressão a nível do controlo de esfíncteres nas crianças que já deixaram a fralda».

 

Já nas crianças mais velhas, podem observar-se outros sintomas: «Falta de confiança para experimentar coisas novas ou aparente incapacidade de enfrentar desafios simples do dia-a-dia, dificuldades de concentração, alterações no sono e no comportamento alimentar, explosões de raiva, pensamentos negativos, ansiedade antecipatória e evitamento de alguns contextos geradores de desconforto».

 

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