Home»ATUALIDADE»ESPECIALISTAS»Pernas pesadas, inchadas e doridas no verão… o que se passa?

Pernas pesadas, inchadas e doridas no verão… o que se passa?

A principal causa da sensação de pernas pesadas ou inchadas é a insuficiência venosa crónica, que ocorre quando as veias não são capazes de devolver ao coração todo o sangue que chega às pernas.

Pinterest Google+
PUB

Para algumas pessoas não passa de um problema estético, no entanto, para outras é muito incómodo. As principais queixas são peso e cansaço nas pernas, assim como comichão, dor sobre as varizes, cãibras musculares e inchaço das pernas, sobretudo nos tornozelos.

 

Esta patologia deve-se à deterioração funcional das veias dos membros inferiores (as superficiais, as profundas ou ambos estes grupos) e origina um quadro clínico variado, produzido pela hipertensão venosa prolongada. As manifestações clínicas podem incluir:

 

  • Edema de origem venosa: o edema venoso consiste em “inchaço” nas pernas, causado por alteração nas veias, mais frequente na região dos tornozelos.
  • Síndrome venosa hipertensiva: manifesta-se por dor venosa importante, associada à posição ortostática (passar muito tempo de pé ou sentado), devido ao refluxo nas veias profundas das pernas (pode não se observar varizes).
  • Varizes: são dilatações, alongamentos e tortuosidades das veias superficiais das coxas e pernas. O tamanho das varizes não se relaciona diretamente com o grau de Insuficiência Venosa Crónica.
  • Doença varicosa complexa: o doente apresenta varizes, dor difusa nas pernas, inchaço distal (sobretudo na região dos tornozelos) e alterações da pele nessa região (podendo desenvolver-se úlceras: úlceras venosas).

 

VEJA TAMBÉM: SÍNDROMA DAS PERNAS INQUIETAS – UMA DOENÇA COMUM E INCAPACITANTE

 

A que se deve? Porque agrava no verão?

Há vários fatores que favorecem a insuficiência venosa crônica, entre eles o calor, pelo que as queixas das pernas tendem a agravar bastante nos meses de verão. Outros fatores implicados são: a idade avançada, a existência desta patologia em familiares próximos, o ortostatismo (passar muito tempo de pé ou sentado), a imobilidade (por exemplo, ficar deitado após uma fratura ou acidente), o aumento da pressão intra-abdominal em mulheres (gravidez, obesidade), as alterações hormonais e os anticoncecionais orais.

 

O que deve fazer?

– Use meias de compressão média/forte; coloque-as assim que se levantar da cama e começar a andar e retire-as ao deitar. O tamanho deve ser ajustado à medida das suas pernas (e as medições devem ser efetuadas de manhã, antes das pernas incharem). Este tratamento compressivo é a medida mais eficaz e útil em todos os tipos de sintomas.

– Quando sentir as pernas pesadas, aplique duches de água fria; sentirá certamente um bom alívio. Faça massagens desde os tornozelos até aos joelhos.

– Hidrate bem a pele com creme hidratante simples.

– Use sapatos cómodos, que não apertem o pé. Usar sapatos com salto baixo, de 3-4 cm, favorece a “bomba muscular” nas pernas, que auxilia o retorno do sangue ao coração.

– Use roupa folgada. Evite faixas, ligas, cintos e calças muito apertadas e também meias com elásticos apertados.

– Sente-se com as pernas elevadas por períodos de 5-10 minutos a cada 2-3 horas durante o dia de trabalho.

– Se estiver muito tempo de pé, faça exercícios com as pernas. Pode colocar-se em pontas dos pés» várias vezes seguidas.

– Quando se sentar, procure fazê-lo com as pernas elevadas. Evite cruzar as pernas.

– Faça períodos de descanso com as pernas levantadas acima do nível do coração. Se possível, durante 15-30 minutos 2-3 vezes ao dia.

– Durma com as pernas elevadas cerca 10-20 cm.

– Quando tiver de se manter sentado devido a grandes viagens, procure estender e mover as pernas no mínimo de 2 em 2 horas.

– Evite o excesso de peso.

– Evite a obstipação: se necessário, faça uma dieta rica em fibras.

– Caminhe, nade ou pedale durante 30/60 minutos por dia.

– Evite expor as pernas a fontes de calor como aquecedores ou radiadores.

– Não fume, sobretudo se toma anticoncetivos.

Quando persistir algum incómodo, apesar das medidas anteriormente referidas, deve procurar um médico. Os medicamentos não conseguem eliminar as varizes, nem sequer podem evitar o aparecimento de outras. No entanto, podem ajudar a controlar um pouco os sintomas de dor, inchaço ou comichão.

 

Existem ainda procedimentos locais, como a “flebosclerose” de pequenos “derrames” (telangiectasias ou aranhas vasculares). Para varizes superficiais maiores, sintomáticas, o tratamento de eleição é a cirurgia (que, contudo, apresenta taxas de recorrência de cerca de 25% a 10 anos).

 

Quais os sinais de alarme?

Perante o desenvolvimento de uma complicação, nomeadamente sinais de trombose, inflamação ou infeção deve agendar uma consulta urgente com o seu médico:

  • Se sentir dor e inflamação na zona de uma variz.
  • Se a pele das pernas apresentar alterações de cor ou aspeto.
  • Em caso de úlceras ou feridas.
  • Se uma variz sangra após um traumatismo.
  • Em caso de dor na barriga da perna, acompanhada de inchaço da perna relativamente à outra.

 

Se tem sintomas de insuficiência venosa, cuide de si, previna a progressão da doença! Não só vai passar a sentir-se melhor no seu dia a dia, como estará a prevenir complicações no futuro.

 

Artigo anterior

Gás etileno: como manter a fruta e os legumes biológicos frescos por mais tempo

Próximo artigo

Afinal, a pizza é saudável ou não?