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Pedro Machado: «A Nazaré é única no mundo»

Em 2011, Garrett McNamara fixou a Nazaré no mapa mundial, ao surfar a maior onda do mundo, com 23,8 metros, na Praia do Norte. O recorde mundial foi agora superado, na mesma praia, pelo brasileiro Rodrigo Koxa, com uma onda de 24,38 metros de altura, surfada a 8 de novembro passado. O resultado? A Nazaré já duplicou as dormidas desde que as suas ondas gigantes foram descobertas. Pedro Machado, presidente do Turismo Centro de Portugal, explica-nos o impacto que as ondas gigantes estão a ter nesta vila.

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Depois de McNamara, a Praia do Norte volta a ser palco da maior onda surfada do mundo, pelo brasileiro Rodrigo Koxa. O que significa isto para o turismo do Centro de Portugal?

Esta é mais uma distinção que enche de satisfação e orgulho o Centro de Portugal. A estratégia do Turismo Centro de Portugal passa por diversificar os produtos turísticos que a região pode oferecer aos seus visitantes, que são cada vez mais. Todos os anos nos chegam mais turistas, de origens muito diferentes.

 

Esta é das regiões que mais crescem no país, precisamente porque oferece uma grande diversidade de opções. Quem procura o Centro de Portugal, não o faz apenas pelo sol e praia (que também encontra), mas sim pelo património, pela História, pela cultura, pelo contacto com a natureza, pela gastronomia, pelos vinhos, pelo turismo religioso – e pelo turismo ativo e desportivo, de que o surf é exemplo.

 

A Nazaré foi nomeada noutras categorias nos recentes prémios anuais da Liga Mundial de Surf (WSL). O que tem esta zona de particular no mundo para ser tão especial para a prática de surf?

A Nazaré é única no mundo. As maiores ondas do planeta acontecem na Praia do Norte, por ação do Canhão da Nazaré. Este é um desfiladeiro submarino que começa a 500 metros da costa, e a 50 metros de profundidade, e que se prolonga por 211 quilómetros, atingido profundidades de 5000 metros. Este fenómeno geológico funciona como um corredor natural, por onde as ondas conseguem viajar a grande velocidade. O resultado, quando atingem a costa, são as ondas gigantes.

 

Mas há mais. A costa atlântica do Centro de Portugal pode ser considerada a melhor costa de surf da Europa. Além das ondas gigantes da Nazaré, oferece também os supertubos de Peniche, mundialmente conhecidos, e a maior onda direita da Europa, na Figueira da Foz. É, de facto, uma região privilegiada para os surfistas. (O vídeo da onda surfada por Rodrigo Koxa pode ser visto abaixo, numa compilação com as maiores ondas surfadas do mundo).


 

Como foi a evolução desde 2011, quando a Nazaré ficou conhecida em todo o mundo, não só pelos praticantes de surf, com o recorde de McNamara?

A Nazaré sempre foi um destino turístico reconhecido. Foi das primeiras zonas balneares do país. Mas a sua projeção internacional ganhou uma dimensão muito maior desde que Garrett McNamara descobriu o potencial das ondas da Praia do Norte. Os números são reveladores. Em 2010, antes da onda ter feito as capas de revistas e aparecido nos telejornais de todo o mundo, registaram-se 80.821 dormidas na Nazaré.

 

Em 2016, ano mais recente disponível nas estatísticas do INE, foram 154.157. É praticamente o dobro. Os proveitos totais em todos os estabelecimentos de alojamento turístico foram, em 2016, de 7,6 milhões de euros. E esta é uma tendência que não para de aumentar. O Forte de S. Miguel, ponto privilegiado para ver as ondas, teve 174 mil visitas em 2017, quando tinha recebido 121 mil em 2016, por exemplo.

 

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Como mudou o dia a dia na vila desde então?

Mudou bastante. De um dia para o outro, a vila da Nazaré passou a ser poiso habitual de visitantes de todos os países, que se cruzam nas suas ruas, esplanadas, cafés e restaurantes. Surfistas de todo o mundo vêm à Nazaré para tentar surfar a onda das suas vidas, e milhares de adeptos e curiosos também, igualmente à procura da fotografia das suas vidas. O ascensor da Nazaré para o Sítio transportou mais gente no ano passado que os ascensores de Lisboa e do Porto! Como os portugueses, e os nazarenos em particular, são exímios na arte de receber visitas, todas estas pessoas regressam com um sorriso nos lábios e prometem regressar!

 

Como pretendem acompanhar esta ‘onda’ em termos turísticos na Nazaré e na região?

Pretendemos acompanhar como sempre fizemos. A onda da Nazaré é um importante produto turístico da região e um excelente cartão de visita para o Centro de Portugal. Tem um espaço importante nas feiras em que o Centro de Portugal marca presença. Ainda agora, na Bolsa de Turismo de Lisboa, a onda ocupava um ugar nobre do espaço do Turismo do Centro, com um simulador de surf para quem quisesse experimentar.

 

 

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