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Paternidade depois dos 50 anos – parte II

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Nas últimas décadas, tem-se verificado um crescente adiar da paternidade pelas mais variadas razões, sobretudo por causas de ordem social e financeira (separações mais frequentes, novas relações, procura duma maior estabilidade financeira, ou simplesmente pela decisão de ter filhos mais tarde).

 

A questão do risco de malformações tem que ser levada em linha de conta, mas não pode ser o principal fator na hora de escolher quando se quer ser pai.

 

Apesar da associação entre uma idade parental avançada e um maior risco de distúrbios mentais, Brian D’Onofrio da Universidade de Indiana, sublinha que «não existe uma idade paternal particular que subitamente se torne problemática»   e que «é impossível responder com exatidão sobre qual a idade mais segura para conceber».

 

Embora no homem, ao contrário da mulher, não exista interrupção da fertilidade com o avanço da idade, estudos científicos têm mostrado que vários parâmetros de qualidade da produção dos espermatozoides vão caindo progressivamente, principalmente após os 35 anos de idade.

 

Bronte Stone (Califórnia), analisou amostras de sémen de mais de 5 mil homens e demonstrou a existência de uma queda na quantidade e qualidade espermática depois dos 35 anos. Do ponto de vista clínico, significa que homens após essa idade podem demorar mais tempo para engravidar as suas parceiras; e, além disso, elas ainda podem ter o risco aumentado para abortamento precoce devido a alterações na formação do embrião. O aumento da idade parece ser, segundo o investigador, o próprio envelhecimento do tecido germinativo testicular (que produz os espermatozoides) e o aumento da concentração de espécies reativas do oxigênio (radicais livres) no testículo. Outra conclusão do estudo é que, com o avanço da idade, existe um aumento da percentagem de espermatozóides X na amostra seminal em relação aos espermatozoides Y. Isso significa que homens mais velhos têm maior probabilidade de terem filhas (mulheres) em comparação com homens mais jovens. Porém, esta diferença é bem pequena: em torno de 6%.

 

«Por tudo isso, é muito importante fazer uma avaliação detalhada dos homens acima de 50 anos que desejem ter filhos, principalmente quando é verificada subfertilidade ou infertilidade sem causa aparente em casais que estão tendo dificuldades para conceber. Além disso, continua valendo o conselho de não adiar muito a paternidade e a maternidade, e sempre consultar um especialista, incluindo o aconselhamento genético, para obter as orientações corretas».

 

Em situações de risco muito elevado, pode surgir soluções como a fertilização in vitro e /ou a doação de gâmetas. Mas a decisão final cabe sempre ao casal. Tornar-se pai depois dos 50 anos pode, contudo, ser também uma experiência muito rica e bastante realizadora. Nessa fase, o homem normalmente já alcançou estabilidade profissional e financeira, o que pode representar mais tempo para se dedicar à família. Contudo, apesar da maior segurança e estabilidade, à paternidade tardia, juntam-se preocupações como as de “não conseguir ver a criança crescer” ou “ não puder ajudar a completar a sua educação”.

 

Texto elaborado com a colaboração do Dr. Paulo Vasco

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