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Para mulheres sem medo de o ser

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Podia fazer como faço com a minha filha e dizer: “Era uma vez” ou então ”No tempo em que os animais falavam”, e ficaria feliz por saber que a abstenção no nosso país, sobretudo a feminina, seria uma espécie de vilã de contos de fadas.

 

Infelizmente não é, é a triste realidade e a total falta de respeito por tudo aquilo que as mulheres têm lutado. Em Portugal, a 28 de maio de 1911, Carolina Beatriz Ângelo, médica, viúva e “chefe de família”, aproveitando um lapso do legislador, participou nas eleições para a Assembleia Constituinte, mas o direito feminino ao voto igualitário só surgiria depois da revolução de Abril, em 1974.

 

Na passada quinta-feira, estreou um filme dramático britânico, realizado por Sarah Gavron e escrito por Abi Morgan, que nada tem de ficção, e conta a história das ativistas que estiveram no início do movimento feminista, mulheres que foram forçadas à clandestinidade, apenas e só por desejarem, à semelhança dos homens, ter o direito ao voto. Protagonizado por Carey Mulligan, Helena Bonham Carter, Meryl Streep, Ben Whishaw, Brendan Gleeson e Anne-Marie Duff, protagonizam personagens distintas, fartas da inércia do protesto pacífico e que, pondo de parte ameaças até de morte, se dispuseram a perder tudo na luta pela igualdade – empregos, casas, filhos e as próprias vidas.

 

Confesso que, ao ver tudo aquilo que estas mulheres sofreram, para hoje nós mulheres livres podermos ter o direito a ter voz, desencadeia em mim uma espécie de volta ao estômago quando há alguém, sobretudo do sexo feminino, a dar-se ao luxo de preterir o direito ao voto em troca de uma esplanada. É que, a meu ver, é de uma falta de respeito atroz pelas nossas antepassadas.

 

Minhas senhoras, se não fazem a mínima ideia da luta que foi levada a cabo, aconselho vivamente a assistirem a este filme, pois talvez, em janeiro de 2016, consigam levantar o fofo do sofá e elegerem o próximo Presidente da República Portuguesa. Curiosamente, e pela primeira vez, existem quatro mulheres que se candidatam à Presidência: Maria de Belém, Marisa Matias, Graça Castanho e Manuela Gonzaga. Face a isto, não podemos, de forma alguma, ficar indiferentes, pois a diferença não se faz sozinha, e se querem mais não se queixem, saiam para a rua e vão fazer uma cruz na folha de papel. Vos garanto que ninguém vos bloqueará à entrada, nem necessitarão de gritar, levar cartazes de revolta ou partirem vidros.

 

E como acredito que antes de escrever são as histórias que vêm também ter comigo, como sinais para uma mudança necessária, deixo-vos esta semana com uma frase de Eduardo Galeano,  jornalista e escritor uruguaio: “O machismo é o medo dos homens das mulheres sem medo”. Parece que já disse tudo!

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