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Pandemia tornou mais difícil rastrear tráfico de crianças com deslocação da atividade para a Internet

Novo relatório da Save the Children conclui que a crise da COVID-19 tornou as vítimas menos visíveis e rastreáveis, à medida que as redes criminosas deslocavam o seu trabalho das ruas para a Internet. Movimento de refugiados que tentam entrar na Europa é uma das fontes.

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A pandemia de COVID-19 empurrou os traficantes de crianças para dentro de portas e para a Internet, tornando mais difícil rastrear os gangues de criminosos que forçam as suas vítimas à prostituição, ao contrabando de drogas ou ao trabalho forçado, alerta a Save the Children.

 

A 11ª edição do relatório ‘Little Invisible Slaves’ (Pequenos Escravos Invisíveis), com foco em crianças vítimas de tráfico, concluiu que a crise da COVID-19 tornou as vítimas menos visíveis e rastreáveis, à medida que as redes criminosas deslocavam o seu trabalho das ruas para a Internet.

 

Crianças e adolescentes correm um risco especial de se tornarem vítimas de tráfico eletrónico devido a uma combinação de pobreza, encerramento de escolas e aumento do tempo passado online.

 

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Europa líder no tráfico

O relatório constatou que a Europa Ocidental e do Sul tiveram o maior número de casos confirmados de tráfico de crianças em todo o mundo, com 4.168 crianças vítimas, seguida pelo Sul da Ásia (3.447), África Subsaariana (2.833), América do Norte (2.370), Leste Asiático e Pacífico (1.845), Europa Central e Sudeste (459) e outras regiões.

 

Em Itália, cerca de 5% dos 2.040 casos de tráfico registados em 2020 envolviam uma criança, enquanto cerca de 80% de todos os casos envolviam mulheres e meninas. A maioria dos relatos de crianças vítimas envolveu exploração sexual de adolescentes tunisinos (27,5%), seguidos de vítimas da Costa do Marfim, Guiné e Egipto.

 

Particularmente preocupante foi o aumento de mulheres traficadas com crianças retornadas à Itália de outros países da UE sob o Regulamento de Dublin, que dá poderes para transferir refugiados e migrantes de volta ao país da UE a que chegaram, disse a Save the Children. O número de casos envolvendo famílias aumentou para 12% no ano passado, com a maioria das mulheres provenientes da Nigéria.

Meninas e meninos testemunham a violência contra as suas mães, muitas vezes jovens, e a chantagem para as manter sob controlo. «Muitas vezes são filhos de meninas solteiras que foram enganadas, vendidas, sequestradas e que sofreram tortura e violação no caminho para a Europa. As crianças costumam ser aprisionadas também com as suas mães. Elas estão presas num ciclo de violência, chantagem e abusos que devem ser superados a todo custo. É vital fortalecer e apoiar os serviços para ajudar essas mulheres a fugir e garantir saúde, educação, proteção e inclusão para os seus filhos», disse Raffaela Milano, diretora da Save the Children em Itália.

 

Dados globais

Globalmente, mais de uma em cada três vítimas confirmadas de tráfico (34%) é criança, principalmente meninas, uma percentagem que mais do que triplicou nos últimos 15 anos. Em algumas regiões do globo, cerca de metade das vítimas são crianças. As meninas são traficadas principalmente para exploração sexual (72%), enquanto os meninos são traficados principalmente para trabalho (66%).

 

A Save the Children disse que os números são provavelmente apenas a ponta do iceberg, pois mostram apenas casos registados e o mercado de tráfico pode estar a mudar mas não dá sinais de diminuir.

 

Mesmo antes da COVID-19, havia 50.000 vítimas confirmadas de tráfico de pessoas em 2018 em todo o mundo, um número que provavelmente aumentou devido à pandemia que empurrou mais 142 milhões de crianças e adolescentes para a pobreza em 2020.

 

 

 

 

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