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Palmela, uma vila histórica com vista interminável

A chamada Balmala, pelos muçulmanos, desde sempre foi disputada pela sua posição singular e estratégica. Localizada numa posição elevada entre a serra e o mar, do seu alto avista-se Lisboa e o seu rio Tejo, Setúbal e o seu estuário do Sado, e a península de Tróia e o seu oceano Atlântico. Pode, literalmente, rodopiar sobre os seus pés e ver toda esta paisagem em menos de um minuto. Não é, pois, de admirar que é habitada e valorizada desde os tempos pré-históricos. Vamos fazer uma viagem pelo tempo?

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A 40 km a sul de Lisboa, a vila de Palmela apresenta vestígios de várias culturas, incluindo desde os tempos do final do Neolítico. Vamor retroceder no tempo e comecemos a nossa viagem por aí. Há 4500 anos, os povos que por aqui habitavam deixaram umas grutas artificiais únicas na agora freguesia da Quinta do Anjo. São quatro grutas que funcionaram como sepulcros fúnebres das populações que habitavam esta zona nessa época.

 

Estudadas pela primeira vez no final do século XIX, aí foram encontradas ossadas e alguns objetos pré-históricos, como pontas de seta, machados de pedra e placas de xisto decoradas. Chega facilmente de carro a estas grutas de acesso livre, mas para as conhecer melhor dirija-se ao Castelo de Palmela, onde pode conhecer a sua história. Neste castelo por fazer uma verdadeira viagem por séculos, e até de alguns milénios, pela história da região. É lá o epicentro desta história.

 

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Palmela tem uma história rica de conquistas e reconquistas, tendo sido desejada sobretudo para efeitos de defesa e militares. O nome Palmela parece derivar da palavra ‘Balmala’ usada pelos muçulmanos nos séculos VIII e XIX.  A ocupação islâmica dominou aqui entre os séculos VIII e XII.

 

Palco das lutas da Reconquista Cristã aos Mouros, é o próprio D. Afonso Henriques, primeiro rei de Portugal, que lhe atribui o primeiro foral, em 1185. Foi também no Castelo de Palmela que se instalou a sede da Ordem Militar da Santiago de Espada durante cinco séculos e que marcou profundamente aqui a história.

 

Prosseguindo na cronologia e agora tendo Castela (Espanha) como inimigo, fica marcado o episódio, em 1384, em que uma grande fogueira acendida por D. Nuno Álvares Pereira, no Castelo de Palmela, avisou D. João, mestre de Avis e futuro rei de Portugal, de que já estava a chegar com reforços para ajudar a expulsar os invasores castelhanos. Aquele que viria depois a ser o rei D. João I responde também com uma grande fogueira (almenara) no Castelo de S. Jorge. Confirma que recebeu o recado e que vai aguentar as tropas. E assim foi e venceram a batalha.

 

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Tudo isto pode conhecer fazendo uma visita ao Castelo de Palmela, sem dúvida um dos mais belos de Portugal, onde a vista é mesmo de tirar o fôlego. Demore-se neste castelo, pois há muito para conhecer.

 

Para além da vista, pode visitar salas com escavações arqueológicas a descoberto que mostram zonas do castelo construídas ao longos dos séculos. Pode até entrar em antigas cisternas agora remodeladas e que serviam para recolher e guardar água das chuvas. Pequenas exposições mostram também artefactos das várias épocas encontrados na região.  E um pequeno museu explica a história das transmissões militares. Desde a comunicação por fogueiras, como já lhe contámos, com recurso a pombos correio ou à comunicação usando espelhos – e que só funcionava em dias de sol – é impressionante a evolução na forma como comunicamos. Por estar num ponto muito alto, era um local privilegiado para a transmissão de comunicações.

 

Junto à porta do castelo, vai deparar-se com aquela que foi a primeira igreja paroquial de Palmela, a Igreja de Santa Maria do Castelo, provavelmente do século XII, que ficou em ruínas com o terramoto de 1755. E assim continua, apenas com as paredes e a porta erguidas. Também no interior do castelo está a Igreja de Santiago. De traça gótica, do século XV, alberga o túmulo de D. Jorge, último mestre da Ordem de Santiago, sendo hoje uma sala de exposições e de eventos musicais.

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