Home»VIDA»CASA & FAMÍLIA»Pais são mais negativos com os filhos do que pensam

Pais são mais negativos com os filhos do que pensam

Educar adolescentes é efetivamente desafiante. Durante esses anos, os jovens anseiam pela independência enquanto que os pais lhes dizem o que fazer. Muitas vezes, os problemas surgem das interpretações erradas.

Pinterest Google+
PUB

Em contexto familiar e de clima tenso, quando os adolescentes interpretam a raiva dos pais mais negativa do que que realmente é, os filhos tornam-se ainda mais agressivos, de acordo com um estudo conduzido por um grupo de investigadores da Universidade da Califórnia, EUA.

 

O estudo analisou dados de 220 pais e adolescentes. Em momentos de tensão, quando os pais se mostraram mais propensos a responder à raiva dos filhos ao dizerem para superaram o assunto, isso provocava nos filhos um sentimento de negligência.

 

Veja também: Ter filhos depois dos 40

 

Os investigadores também descobriram que os pais confundem as emoções vulneráveis do adolescente com negatividade e podem colocá-los em risco de desenvolverem comportamentos delinquentes. Além disso, quando os adolescentes acreditam que o método de disciplina dos pais é demasiado duro, a probabilidade de os jovens responderem de volta, saírem de casa ou quebrarem algumas regras revelou-se maior.

 

Não obstante, houve uma divergência de géneros relativo aos pais nos resultados deste estudo. Por exemplo, quando as mães interpretam mal a raiva do adolescente e reagem de forma negativa, há uma maior probabilidade de este agir de acordo com os seus sentimentos, discutir, bater portas, etc. No entanto, quando se trata do pai, os adolescentes têm tendência a tornarem-se mais agressivos.

 

«A maneira como os pais respondem às emoções negativas de seus filhos adolescentes tem o potencial de exacerbar ou dificultar o comportamento agressivo dos adolescentes», explica Misaki Natsuaki, um dos investigadores, à ‘Time’.

 

Veja também: Que segredos esconde o cérebro dos adolescentes

 

São vários os fatores em jogo. Quando se é adolescente, as hormonas surgem em força e tornam-se muito emotivos. Muitas vezes, acreditam que ninguém, exceto os seus amigos, consegue compreendê-los ou pode ajudá-los. Como resultado dessa angústia, quando os adolescentes se sentem incompreendidos pelos pais, tentam afirmar o seu poder, tornando-se mais agressivos. Na realidade, porém, eles estão apenas a tentar ser ouvidos.

 

A verdade é que, quando os adolescentes tentam estabelecer um senso de autonomia, os pais podem sentir-se rejeitados e reagir negativamente quando os seus filhos tentam ‘ultrapassar fronteiras’. O estudo descobriu que os pais consideram-se mais calorosos e mais solidários do que realmente são e, talvez por isso, muitas vezes, subestimam a forma como as suas palavras chegam ao destinatário, aos adolescentes.

 

Veja também: Pais usam tecnologias tanto como os seus filhos adolecentes

 

Embora o conflito entre pais e filhos seja normal e parte da dinâmica familiar, estas descobertas sugerem que os pais fortaleçam as relações com os seus filhos adolescentes com conversas mais calmas e com convites de partilha de diferentes perspetivas. Apesar de os adolescentes serem temperamentais e inconstantes, são capazes de ver diferentes pontos de vista. Ao contrário das crianças mais jovens que são mais egocêntricas, os adolescentes são capazes de se comprometerem com pensamentos mais complexos.

 

«Quando os pais convidam os adolescentes a partilhar as suas perspetivas, ajudam a fortalecer as suas habilidades de raciocínio e isso está correlacionado com a saúde psicológica e com a felicidade», enfatiza Natsuaki em declarações à ‘Time’.

Artigo anterior

Ciência cria uma canção que deixa bebés felizes

Próximo artigo

Celebrar o amor e a folia