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Ovo na alimentação: mitos e realidades

Durante muitos anos, foi divulgada a ideia de que a ingestão regular de ovos era a principal responsável pelo aumento do colesterol no sangue. Agora, fruto das novas investigações, sabe-se que não é assim e, como tal, o ovo viu recuperado grande parte do seu prestígio. E hoje é Dia Mundial do Ovo, assinalado na segunda sexta-feira de outubro desde 1996, estabelecido pela Comissão Internacional do Ovo.

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Durante muitos anos, o ovo foi considerado o símbolo do colesterol elevado e de quem tem uma alimentação pouco saudável. Um pouco por todo o mundo, foi divulgada a ideia de que a ingestão regular de ovos era a principal responsável pelo aumento do colesterol no sangue, com o consequente aumento do risco de doença cardiovascular.

 

Mas de onde surgiu esta ideia, já que, por muitos séculos, o ovo foi tido como um alimento saudável e completo?

 

Origem do mito

O início do mito dá-se a partir das conclusões de estudos epidemiológicos, nos anos 60, os quais demonstraram que as pessoas que apresentavam colesterol mais elevado tinham um risco superior de desenvolver doença cardíaca. Nessa altura, firmou-se a ligação entre a alimentação (dieta) e a doença cardíaca.

 

A partir desta constatação, começaram a surgir algumas hipóteses baseadas mais na lógica do que na observação experimental. Por exemplo, a associação mais simples foi a de que se um alimento tem concentrações elevadas de colesterol, a ingestão deste alimento deve levar ao aumento do colesterol sanguíneo. Seguiu-se este raciocínio: se a gema do ovo é rica em colesterol, o consumo de ovos aumenta o colesterol sanguíneo e o colesterol sanguíneo elevado aumenta o risco cardíaco; logo, comer ovos aumenta o risco de doença cardíaca.

 

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Estava consolidado um raciocínio muito plausível. Porém, a plausibilidade biológica não é suficiente para explicar as complexas interacções da natureza e, principalmente, da natureza com o organismo humano.

 

Uma nova realidade

O mito começou a desfazer-se há pouco mais de 10 anos aproximadamente, quando a análise em conjunto dos resultados de vários novos estudos sobre a relação alimentação/ colesterol apontaram para uma nova realidade. Esta realidade demonstra que o colesterol ingerido da nossa alimentação quotidiana contribui muito pouco para aumentar o risco de doença cardíaca. Mais do que isso: mostra uma relação mínima entre a quantidade de colesterol ingerida e a concentração sanguínea de colesterol (100 mg de redução de colesterol da dieta por dia corresponde a uma diminuição do colesterol sanguíneo total de 1%).

 

Então, o que é que estava errado e que levou os médicos, os nutricionistas e os cientistas a aconselharem, durante décadas, que as pessoas restringissem a ingestão de alimentos ricos em colesterol, principalmente os ovos?

 

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Não houve propriamente um erro, mas sim um problema que residia na limitação dos métodos de análise. É muito difícil avaliar o efeito de determinado alimento sobre algum tipo de “desfecho” (o desfecho, neste caso, seria a concentração do colesterol no sangue e/ou risco de doença cardíaca) simplesmente pelo facto de que a pessoa não ingere apenas aquele alimento, e mesmo “aquele” alimento (e qualquer que seja ele) é composto por muitos outros nutrientes, que podem interagir dinamicamente, potenciando os seus efeitos ou neutralizando-os, mas isto tudo em diferentes intensidades. São estes os chamados efeitos de confusão.

 

Para além disso, nos estudos mais antigos sobre colesterol e a doença cardíaca, as dietas não eram ricas somente em colesterol, mas também em gorduras em geral, ou seja, em gorduras saturadas e em produtos alimentares de origem animal. Associado a isto, essas dietas eram pobres em frutas, vegetais, legumes e cereais, fatores que influenciam os níveis de colesterol circulante e o risco de doença cardíaca, beneficiando-os. São poucos os estudos que consideram estas variáveis; ignorá-las, o que aconteceu na maior parte deles, levou a conclusões erradas. Nos estudos que as consideraram, ficou claramente demonstrado que não existe uma associação entre o consumo de até um ovo por dia, com risco aumentado de doença cardíaca ou de acidente vascular cerebral (AVC), nem tão pouco com o colesterol sanguíneo elevado (hipercolestorolémia).

 

Fruto destas novas investigações, o ovo tem recuperado grande parte do seu prestígio junto da comunidade científica.

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