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Os opostos atraem-se?

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Falar sobre sentimentos românticos pode parecer algo banal para a maioria das pessoas, mas no meu caso a reação que geralmente obtenho são olhares de soslaio e o comentário da praxe, “lá vem este com teorias psicanalíticas”, como se o propósito de pensar os sentimentos fosse aniquilá-los com racionalidade e apontar defeitos a quem se apaixona.

 

É verdade que pensar sobre o assunto pode levar a algumas desilusões, mas não é menos verdade que permite aprofundar as relações e ficar mais consciente daquilo que se vive.

 

Discordo que o amor não se explique, as pessoas apaixonam-se por várias razões, embora possam não as perceber totalmente ao início. E a provar isso mesmo estão as cenas a que assistimos nas separações e a rápida capacidade de ambos os elementos do casal em enumerar as razões porque deixaram de gostar um do outro.

 

E antes que profiram a sentença a que já me habituei, avanço para a temática que dá título ao artigo de hoje: Os opostos atraem-se?

 

A nossa capacidade de amar e nos relacionarmos com outras pessoas está ligada à evolução da nossa personalidade desde a infância. Crianças que nunca se tenham sentido elogiadas pelos pais podem tornar-se adultos inseguros que na busca de uma relação se sentem incapazes de seduzir alguém. Este medo pode modelar bastante as suas motivações e levar a que desenvolvam relações com pessoas pelas quais não se apaixonaram. Imagine viver com alguém não porque o ama verdadeiramente, mas porque achou que não iria conseguir conquistar outro e por isso deixou-se ficar, ele até nem é má pessoa e como tal é um mal menor. Uma escolha por medo, e não por desejo!

 

Quem escolhe por medo, não procura um parceiro por admirá-lo nas suas diferenças, procura alguém em quem se apoiar, uma bengala para as suas inseguranças. Não são opostos que se atraem, são as inseguranças que se tentam compensar. Quem escolhe por prazer, procura alguém que complemente e que se admire pelas suas qualidades, o apoio é um elemento secundário para a relação.

 

Os opostos não se atraem por desejo, mas por necessidade: “Procuro-te porque tens características que sinto que me faltam”. Pessoas diferentes, e muito diferentes até, podem funcionar se forem compatíveis, mas não por serem opostos: “Procuro-te porque te admiro, porque tens características com as quais gosto de conviver e de partilhar as minhas”. As relações que funcionam por necessidade, por compensação, criam uma dependência entre os membros do casal e a relação torna-se mais frustrante, mais conflituosa. Então porque é que dura? Porque é uma relação com alguém de “quem se precisa” emocionalmente, como se fosse uma parte do próprio corpo, e como tal também é difícil de deixar.  Os opostos precisam um do outro, os diferentes atraem-se!

Se gosta de alguém que é o seu mais que tudo não tenha medo de lutar por quem admira. Se acha que tem pouco valor para que alguém se apaixone por si é provável que não esteja a olhar-se devidamente. Será que não está na altura de mudar isso?

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