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Os óculos nas crianças: dos mitos à realidade

Na altura em que se prepara o regresso às aulas, Rufino Silva, médico oftalmologista e professor associado da Faculdade de Medicina da Universidade de Coimbra, esclarece alguns mitos relacionados com o udo de óculos.

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O meu filho vê bem para a idade

A visão tem um papel fundamental na aprendizagem e desenvolvimento. É responsável por cera de 80% de toda a informação que recebemos. Cerca de 20% das crianças em idade escolar têm problemas de visão que podem prejudicar o seu aproveitamento escolar. Na realidade, a capacidade visual da criança varia com a idade. Por exemplo, logo após o nascimento a capacidade de focagem está pouco desenvolvida e não vai além dos 30 cm, que é a distância do peito da mãe ao seu rosto.

 

Ao fim de 1 mês já vê a cerca de 60 cm e aos 3 meses já segue objetos e identifica o rosto da mãe. A acuidade visual do adulto só é atingida entre os 4 e os 6 anos (10/10). Mas para que tal seja possível é importante que não haja doenças oculares associadas, estrabismos ou erros de refração que provocam uma dificuldade ou incapacidade de focar as imagens na retina e que pode ser corrigida com óculos. Quando eles estão presentes, criança pode aparentemente ver bem ao longe, mas ver mal ao perto, pode ter dificuldades na leitura, trocar os olhos ao perto, ou ver só de um olho ou ver mal dos dois.

 

VEJA TAMBÉM: MIOPIA, UMA EPIDEMIA ESCONDIDA ENTRE AS CRIANÇAS

 

O meu filho é muito pequeno para usar óculos

Na realidade, os óculos podem ser precisos em qualquer idade. Se o seu médico Oftalmologista prescreveu óculos é porque é mesmo muito importante que o seu filho os use. Quando não usados na altura certa podem ocasionar situações graves. Quando a imagem não se foca bem na retina porque a criança precisa de óculos, mas não usa, o olho pode não “aprender a ver” e as imagens não se formam no cérebro.

 

A criança pode ficar a ver mal para o resto de vida, de um olho ou dos dois, se a correção não for feita na infância.  Além da ambliopia, a criança pode apresentar cansaço, fadiga ocular, e sobretudo dificuldade na aprendizagem. Então, quando é que o meu filho deve ser observado pelo médico? Deve haver sempre um exame sumário aos recém-nascidos na sala de partos e um exame mais completo pelos seis meses de idade, feitos pelo médico pediatra, que orientará para o medico Oftalmologista se considerar necessário. Aos 2-3 anos a criança deve ser orientada para o rastreio de saúde visual infantil ou consultar o médico Oftalmologista. Deverá haver também uma observação pelo médico oftalmologista na idade pré-escolar (4-5 anos de idade).

 

Os óculos podem fazer mal aos olhos que ficam mais preguiçosos e os óculos desatualizados podem também ainda fazer mais mal

Na realidade, são dois mitos. Os óculos não danificam os olhos nem os tornam mais preguiçosos. E se a graduação não for a mais adequada também não danificam os olhos, Mas aqui os óculos não estão a cumprir bem a sua função e podem aparecer sintomas como picadas nos olhos, lacrimejo, cansaço, dificuldade em focar bem as imagens, problemas de concentração e aprendizagem.

Aproximar-se muito da televisão faz mal aos olhos

Na realidade, aproximar-se muito da televisão significa, em regra, que a criança pode estar a ver mal ao longe e que necessita ser observada pelo médico oftalmologista.

 

O uso excessivo de écrans de telemóveis, tablets, computadores pode ser prejudicial

É verdade.   O uso excessivo de écrans de telemóveis, computadores, tablets está associado a um aumento da miopia, cansaço, fadiga ocular, por vezes dores de cabeça.  É altamente recomendado que, alem de usarem a correção necessária, as crianças tenham atividades diárias ao ar livre que alternam com o uso de écrans.

 

O tempo máximo de écrans aconselhado para uma criança (não incluindo os trabalhos escolares) varia com a idade. Antes dos 2 anos de idade a criança não deve ser exposta aos écrans. Dos 2 aos 5 anos pode utilizar até 1 hora por dia. Depois, não mais de 2 horas por dia. A razão destas recomendações não é apenas de natureza ocular. Inclui também múltiplos aspetos associados ao desenvolvimento da criança.

 

 

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