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Os noivos de hoje querem um casamento personalizado

O mercado dos casamentos continua a crescer; Portugal está no topo como destino para casar; os noivos querem festas de dois dias com alojamento para todos. Estas são algumas das tendências de um mercado apetecível, mas um pouco desfragmentado, segundo Susana Esteves Pinto e Maria João Soares, duas profundas conhecedoras do mercado dos casamentos. Para debater tudo isto, estão a organizar um encontro inovador que pretende unir os players do mercado de casamentos em Portugal.

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Como está o mercado dos casamentos em Portugal?
Susana Pinto (SP) – Continua saudável, apesar de ser naturalmente sensível e atreito a solavancos e flutuações. O que vale num ano nunca é garantia para o ano seguinte e essa imprevisibilidade faz parte do negócio. Quem está neste ramo a tempo inteiro e com uma perspetiva a longo prazo, tem de ter cabeça fria e uma ótima gestão financeira – estes dois fatores são meio caminho para a sobrevivência e crescimento.

Começa a haver excesso de oferta, porque, como se fala tanto neste assunto, já é “cool” e “giro” trabalhar nesta área. O acesso aos meios de comunicação e propagação (social media), democratização e acesso às ferramentas de trabalho, o lado criativo e financeiro inerentes, a falta de regras estanques, tornam o mercado de casamento muito, muito apetecível, e todos os dias chega gente nova. A durabilidade e consistência destes negócios ainda está por avaliar. De acordo com os dados do INE, o número de casamentos no mercado nacional continua a crescer, muito singelamente, e o mercado estrangeiro (destination weddings) tem já um peso adicional significativo.

 

O que procuram atualmente os noivos? Que tipo de casamento querem?
Maria João Soares (MJS) – Os noivos de hoje procuram um casamento personalizado, que os represente mesmo enquanto casal. Na maioria das vezes, sem cedências à tradição, ou a modelos mais rígidos, os noivos pensam num dia com uma festa desenhada de acordo com os seus gostos. Por alguma razão, os casamentos com alojamento de amigos e familiares em conjunto está em alta. É a maneira de ter a sua festa de casamento, mas, ao mesmo tempo, um tempo de partilha e convívio com os seus. Esta tendência é partilhada tanto por noivos nacionais como internacionais, que procuram em média dois dias de festa, com muita animação, boa comida e momentos de puro relax.

 

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E os noivos hoje procuram soluções chave na mão ou preferem escolher todos os fornecedores?
MJS – A solução da chave na mão aplica-se mais à organização e decoração, e entende-se porquê – as empresas de organização na maior parte das vezes também oferecem os serviços de decoração e flores o que agiliza muito o processo. No que diz respeito à animação e fotografia, as escolhas tornam-se mais autónomas e de escolha mais pessoal por parte do casal. No geral, os noivos de hoje gostam de liderar o processo de escolha, valorizam as recomendações, mas a escolha final é ditada em muitos casos pelo budget que dispõem. Muitos noivos acabam por contratar fornecedores que já viram atuar no terreno (em casamentos de amigos). É naturalmente uma aposta num serviço já conhecido.

 

Os noivos continuam a preferir casamentos formais ou algo mais descontraído, tipo na praia ou noutro local diferente?
MJS – Claramente o modelo formal depende muito do espaço escolhido. Quando a escolha passa por um hotel, palacete ou outro de natureza mais formal, o modelo tende a adotar um alinhamento do dia mais “certinho”. Mas quando a escolha recai num restaurante de praia ou num espaço no campo, pensa-se logo numa festa mais descontraída, animada e com vários momentos de animação. Tendo o país um clima tão propício aos eventos ao ar livre, tendencialmente a escolha por casar no campo ou na praia vem tendo cada vez mais adeptos. Hoje os noivos procuram uma festa ao ar livre, casar numa vinha, numa capela perdida ou num bonito jardim é a primeira escolha. Quanto à festa propriamente dita, um jantar debaixo das estrelas é mesmo a suprema ambição.

 

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Portugal está na moda. Também há estrangeiros a procurar Portugal para casar?
SP – Portugal está sinalizado, no Wedding Trend Report de 2018 (editado pela Wedding Academy Global), como Top Trend para destination weddings. Só no mês passado, veio referenciado na edição de verão da revista americana The Knot e na edição especial Weddings da New York Magazine. É claramente um destino procurado e muitos fornecedores profissionais de casamento têm, hoje em dia, uma boa parte da sua agenda preenchida pelo cliente estrangeiro.

 

Quanto custar casar em Portugal?
MJS – Digam o que disserem, esse número mágico é só uma perceção. Sabemos que a fatia maior dos custos está no aluguer do espaço e no serviço do catering, mas também é certo que o custo de cada casamento depende do bolso do cliente e do que pretende que seja o seu dia. Casar não é caro nem barato, o custo final depende das suas escolhas, da qualidade dos serviços escolhidos e das opções encontradas para ter uma festa de acordo com o modelo pretendido.
Um casamento pode custar 5.000 ou 50.000, o que diferencia este intervalo de custos assenta antes de tudo no número de convidados é ele que irá em primeira mão, definir o custo final. Por alguma razão, o número de casamentos entre 30-50 pessoas cresce de ano para ano. São casamentos muito refinados, onde tudo é escolhido em função da qualidade. Pouco, mas muito bom é o mote. Um espaço fantástico, comida de qualidade e uma festa desenhada só para os mais íntimos e os amigos de toda a vida.

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