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Os melhores países do mundo têm taxas mais elevadas de cancro e isso tem impacto na humanidade

A medicina moderna permite que os humanos vivam muito mais do que o que seria esperado no mundo natural. Porém, estes benefícios trazem consigo um efeito colateral inesperado: interfere na seleção natural do ser humano permitindo que material genético que predispõe as pessoas a terem uma saúde precária seja transmitido de uma geração para outra, revela um novo estudo.

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Aqueles que são considerados os melhores países do mundo, no que às condições de vida diz respeito, são também aqueles que têm mais elevadas taxas de cancro, revela um novo estudo realizado à escala global pela Universidade de Adelaide, Austrália. Embora controversa a conclusão, os pesquisadores dizem que tal resulta de uma ‘seleção natural’ desconstruída, porque a medicina moderna permite que as pessoas sobrevivam aos cancros e os seus padrões genéticos passam de uma geração para outra.

 

«A medicina moderna permite que as espécies humanas vivam muito mais do que o que seria esperado no mundo natural. Além dos benefícios óbvios que a medicina moderna dá, também traz consigo um efeito colateral inesperado: permitindo que o material genético seja transmitido de uma geração para outra que predispõe as pessoas a ter uma saúde precária, como diabetes tipo 1 ou cancro», explica o autor do estudo e também diretor da Unidade de Pesquisa Antropológica Biológica e Anatomia Comparativa desta universidade, Maciej Henneberg.

 

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Diz, assim, o estudo que a taxa de alguns tipos de cancro duplicou e até quadruplicou no mundo nos últimos 100-150 anos, e que a evolução humana mudou a sua rota para longe da linha que dita que sobrevive aquele que é mais apto. O especialista em anatomia comparada e evolução humana estudou dados globais de cancro da Organização Mundial de Saúde, bem como outros dados socioeconómicos e de saúde de 173 países. Os resultados dos seus estudos, agora publicados na revista ‘Evolutionary Applications’, mostram uma acumulação de incidência de cancro de quatro a cinco gerações.

 

«Por causa da qualidade dos nossos cuidados de saúde na sociedade ocidental, quase eliminámos a seleção natural como o ‘zelador de genes’. Infelizmente, a acumulação de mutações genéticas ao longo do tempo e em múltiplas gerações é como uma sentença de morte tardia», comenta o investigador.

 

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Nesta análise mundial, foram considerados os 10 melhores países com as maiores oportunidades de seleção natural (países em pior situação) e os 10 países com as menores oportunidades de seleção natural (países considerados melhores do que outros).

 

«Países com baixas taxas de mortalidade podem permitir que mais pessoas com fundo genético de cancro se reproduzam e passem genes / mutações de cancro para a próxima geração. Enquanto isso, as baixas taxas de fertilidade nesses países podem não ter variações biológicas diversas para oferecer a oportunidade de seleção de uma população naturalmente adequada, por exemplo, pessoas sem ou com menos antecedentes genéticos de cancro. A baixa taxa de mortalidade e baixa taxa de fertilidade no mundo “melhor” pode ter formado um ciclo de autorreforço que acumulou fundo genético de cancro numa taxa maior anteriormente impensável», explica Henneberg.

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