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Os amigos fazem bem à saúde… mas as redes sociais estragam um pouco

Que ter amigos faz bem ninguém duvida. Mas as relações interpessoais mudaram muito com a introdução das novas tecnologias nas nossas vidas e já há muitos estudos a analisar as consequências da sua ‘intromissão’ no meio das amizades. Conheça algumas conclusões de estudos nacionais e internacionais que já se debateram sobre este tema, neste Dia Internacional da Amizade, assinalado a 30 de julho.

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A minha vida, a vida dos outros…. e a ansiedade

Um outro estudo, realizado no Canadá, conclui que os jovens que têm mais de 300 amigos no Facebook são os mais stressados.  O estudo publicado na revista científica ‘Psychoneuroendocrinology revela que os investigadores da Universidade de Montreal analisaram 88 adolescentes com idades compreendidas entre os 12 e os 17 anos, com o objetivo de saberem se a popularidade ‘online’, destes jovens, poderia desencadear situações de maior pressão no grupo de amigos.

 

Os participantes relataram quantos amigos tinham nas suas páginas de facebook e com que frequência utilizavam a rede social e para que fins. Durante três dias foram colhidas amostras de sangue (dos participantes) com o intuito de medir os níveis de cortisol. O resultado do estudo revelou que os adolescentes com muitos amigos – mais de 300 – na rede social Facebook apresentaram níveis de cortisol mais elevados.

 

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De acordo com os investigadores, uma explicação possível é que na adolescência o facto de «ter muitos amigos pode ser sinónimo de uma maior pressão social ao invés de se ter o apoio do grupo», explicou Sonia Lupen, responsável pelo estudo.

 

A longo prazo, a presença de níveis altos de cortisol podem fazer com que haja uma redução no tamanho do cérebro e, consequentemente, diminuir formação de novos neurónios. O que afeta a concentração, a tomada de decisões e as interações sociais. Outros estudos publicados, neste âmbito, mostraram que os níveis altos de cortisol, em jovens de 13 anos, podem levar ao desenvolvimento de estados depressivos na fase adulta, bem como, afetar a concentração, a tomada de decisões e a interação social dos adolescentes.

 

Afinal, quem é meu amigo?

Aqui, damos-lhe conta de dois estudos. Segundo uma análise da responsabilidade do Instituto de Tecnologia de Massachusetts, EUA, as pessoas têm menos amigos do que aqueles que pensam ter. Depois de documentarem e analisaram as respostas de 84 alunos da mesma classe, os quais foram questionados sobre o grau de amizade que sentiam em relação aos seus pares, os investigadores do instituto concluíram que em apenas 53% dos casos houve reciprocidade. Ainda que o estudo seja de pequena escala, este sugere que as relações interpessoais podem transformar e mudar rapidamente.

 

A escala de avaliação cumpriu-se entre 0 (‘não conheço esta pessoa’) e 5 (‘um dos meus melhores amigos’) e foram registadas 1 353 respostas. Porque será que apenas metade das pessoas reconheceram uma amizade recíproca? Beatriz Gonzalez, psicóloga, acredita que para algumas pessoas «a amizade é simplesmente vista como algo ocasional, enquanto para outros trata-se de uma relação mais intensa da qual se espera sinceridade, lealdade e que seja de interesse mútuo», segundo as declarações citadas pelo ‘El País’.

 

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Outra explicação, desta vez dada pelos autores do estudo, é que muito dos que avaliaram uma relação de amizade com valores baixos foram movidos pela preocupação de que a sua imagem pública fosse lesionada com receio de mostrar que veem essa pessoa como uma ‘alma gémea’ e a mesma a reconhecer só como um/a conhecido/a. Posto isto, a reputação e a popularidade são efetivamente fatores decisivos, mas não os únicos.

 

Uma outra análise centrou-se na amizade para as pessoas de idades mais avançadas. O poder da amizade fortalece-se com a idade e pode até ser mais importante do que as relações familiares, indica uma pesquisa da Universidade de Michigan, EUA. Isto porque se trata de relações opcionais, enquanto que a família não. E isto é mais expressivo com o avançar da idade.

 

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Com base em estudos que envolveram cerca de 280 mil pessoas, William Chopik, professor de psicologia, descobriu que as amizades se tornam cada vez mais importantes para a felicidade e para a saúde de uma pessoa ao longo da vida. Mas não só. Em adultos mais velhos, as amizades são realmente um preditor forte de mais saúde e felicidade. Mais até do que manter relações com familiares. «As amizades tornam-se ainda mais importantes à medida que envelhecemos. Manter alguns amigos realmente bons pode fazer um mundo de diferença para a nossa saúde e bem-estar. Então, é inteligente investir nas amizades que o tornam mais feliz», explica o professor.

 

Chopik revela que a causa poderá estar na natureza opcional dos relacionamentos: ao longo do tempo, mantemos os amigos de que gostamos e nos fazem sentir bem e descartamos o resto. Os amigos também podem fornecer uma fonte de apoio para pessoas que não têm cônjuges ou para aqueles que não se virem para a família em momentos de necessidade. Os amigos também podem ajudar a prevenir a solidão em adultos mais velhos que podem sofrer com o falecimento do seu parceiro e muitas vezes ajudam a redescobrir a vida social pós reforma.

 

 

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