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Ortorexia: a obsessão pela alimentação saudável

A realidade atual mostra-nos um contrassenso: a obesidade tornou-se numa epidemia ao mesmo tempo que nunca houve tantas pessoas preocupadas em fazer uma alimentação saudável. E é sobre estas que falamos hoje, 16 de outubro, Dia Mundial da Alimentação. Pois muitas delas estão a tornar as suas dietas demasiado restritivas, colocando a sua saúde em risco por deficiências nutricionais. Mas há sinais que ajudam a identificar se estamos perante uma simples dieta ou uma obsessão reveladora de um distúrbio alimentar.

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Há alguns anos, quando falávamos de distúrbios alimentares, eram doenças como bulimia e anorexia que nos vinham à cabeça. Mas a recente mudança de comportamento, levando muitas pessoas a uma obsessão patológica por uma alimentação nutritiva, pura e biológica na procura da dieta perfeita, fez surgir o termo ortorexia.

 

A palavra tem origem grega e é da autoria do médico norte-americano Steven Bratman, autor do livro “Health Food Junkies” (Viciados em Alimentação Saudável). Apesar dos profissionais de saúde estarem atentos à existência da patologia e ao crescente número de vítimas, esta ainda não foi classificado enquanto tal em manuais de psiquiatria como o DSM (Diagnistic and Statistical Manual of Mental Disorders), da sociedade norte-americana de psiquiatria.

 

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«Claramente menos frequente que as anorexias ou bulimias nervosas, a ortorexia, muitas vezes vista como uma obsessão pela escolha saudável dos alimentos, pode ter consequência igualmente preocupantes no que diz respeito à qualidade de vida, quer emocional quer social, de quem sofre desta patologia», explica a nutricionista Lilian Barros. Importa aqui perceber que «uma pessoa que simplesmente cumpre um plano alimentar prescrito ou tem o cuidado na escolha do que come, optando por uma alimentação mais natural e saudável, não sofre necessariamente de ortorexia.» Mas quando a preocupação com o plano alimentar «entra em conflito com a vida em sociedade, no trabalho, na esfera social e até mesmo familiar», a existência do distúrbio deve ser considerada.

 

Os primeiros sinais de alarme podem surgir quando alguém começa a recusar convites para jantar fora ou em casa de amigos e familiares porque não pode controlar os ingredientes nem o modo de confeção, começando assim a isolar-se da sua rede social. Numa fase mais avançada, esta pessoa torna-se «escrava das limitações que a própria criou sobre si mesma e sobre as suas condutas alimentares», explica a especialista.

 

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Tal como acontece noutros desvios comportamentais, há comportamentos que se tornam obsessivos: «A preocupação com a alimentação saudável é tão grande que é capaz de passar horas a pesquisar contaminantes alimentares, consequências do consumo de aditivos artificiais, efeitos negativos para a saúde do consumo de antibióticos utilizados nas carnes, do consumo de gorduras saturadas, dos metais pesados existentes nos peixes gordos, do consumo de cereais transgénicos, da adição de sal, do consumo de aspartame, da utilização de pesticidas nas culturas vegetais… enfim a lista é verdadeiramente infindável e as limitações que se aplica a si mesma igualmente drásticas.»

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