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Orientação vocacional: como ajudar o seu filho a escolher um curso ou profissão

A escolha de uma área profissional não é tão intuitiva como pode transparecer. Há um conjunto de dúvidas e dilemas que tomam conta de nós aquando da escolha de uma área que pensamos ser imutável.

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“O que queres ser quando fores grande?”, a pergunta mãe de todas as perguntas que nos fazem quando somos crianças. Existem efetivamente crianças e jovens, e mesmo adultos, que vão mudando as suas áreas de interesse ao longo do tempo, outras pessoas permanecem com os seus interesses relativamente estáveis. Mas e a escolha? Como é que escolhemos de entre tantas áreas existentes?

 

A escolha de uma área profissional não é tão intuitiva como pode transparecer. Há um conjunto de dúvidas e dilemas que tomam conta de nós aquando da escolha de uma área que, provavelmente, pensamos ser imutável.

 

Existem, de facto, crianças e jovens que desde muito cedo encontram e exploram áreas de interesse, onde desenvolvem competências para o ótimo exercício nessas mesmas áreas. No entanto, em grande parte dos casos, esta escolha não é tão clara, sendo um processo gradual influenciado por diversos fatores, como o contexto social, cultural, escolar e familiar.

 

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Este processo de decisão, principalmente não imediato, pode causar angústia e mal-estar com implicações significativas no dia a dia. Tendo em consideração que, acrescendo a isto, todos estes dilemas ocorrem numa altura do desenvolvimento em que os jovens são confrontados com diversas alterações fisiológicas, cognitivas e socioemocionais, onde maioritariamente ocorre o processo de construção da identidade pessoal e social e a solidificação de valores e princípios.

 

O papel dos pais é, então, essencial, pois contribuem como uma rede de suporte e um fator protetor que promove a exploração e construção da identidade vocacional, assim como para a diminuição das preocupações associadas.

 

Importância do papel dos pais

A família é o primeiro e um dos principais contextos de desenvolvimento da pessoa, pois é nesta que se adquire conhecimentos que, posteriormente, vão servir de suporte para as relações interpessoais, mas também intrapessoais. Prepara-nos, portanto, para a adoção de vários papéis sociais.

 

O contexto familiar, sobretudo as figuras parentais, têm um papel significativo na construção da identidade, nas escolhas e decisões dos filhos, acabando por influenciar as suas trajetórias vocacionais. Cabe aos pais preparar os seus filhos, em conjunto com o contexto escolar, para este desafio, fornecendo orientação e suporte e contribuindo para a diminuição das preocupações associadas.

 

Para efetivar esta escolha, para além da perceção e consciencialização das áreas de interesse, devemos também considerar as características da personalidade e as competências sociocognitivas e emocionais necessárias para o sucesso em determinada área. As figuras paternas são, em muitos casos, as pessoas significativas com maior conhecimento acerca dos seus filhos. Podem ser, assim, peças fundamentais neste puzzle tão complexo que é a escolha vocacional e profissional.

Como ajudar o meu filho a escolher um curso ou profissão?

– Conversar sobre os seus objetivos, interesses e gostos a curto e longo prazo. Pense naquilo que gostava que lhe tivessem dito aquando da sua própria escolha, seja empático, compreensivo e aceite os interesses do seu filho, por muito que sejam diferentes dos seus ou dos seus desejos para ele. Não devemos esperar que os filhos sigam os modelos profissionais que os pais desejam e que se sintam felizes e realizados, pois deve ser uma escolha autónoma baseada no conhecimento de si e o do mundo.

 

– Contribuir para a sua autonomia, pois o seu filho vai, progressivamente, adquirindo a necessidade de se impor de forma autónoma, de pensar e decidir por si mesmo. Nesta fase os pais têm um papel orientador e de suporte perante esta decisão que idealmente deve ser autónoma e isenta de censura.

 

– Reforçar as suas competências e espírito de iniciativa, pois assim, estarão a contribuir para o aumento desta mesma iniciativa, motivação e contínuo desenvolvimento de competências.

 

– Explorar vários caminhos de interesse assim como alternativas formativas e profissionais existentes e estimular a procura de informação acerca destes mesmos caminhos e alternativas.

 

– Estimular o autoconhecimento. Quanto mais conhecimento o seu filho tiver de si mesmo, das suas características, competências e interesses, maior a probabilidade de procurar e fazer uma escolha consciente e deliberada. Faça perguntas que contribuam para o autoconhecimento nesta área (e.g. conheces alguém com uma profissão que gostasse de ter e porquê; o que é que te vês a fazer daqui a um ano). Pode utilizar jogos para este efeito, dependendo da faixa etária ou gostos da criança ou jovem (e.g. elabore uma lista com perguntas do género “preferias ir ao espaço ou ao fundo do mar?”).

 

– Aumentar os contextos de experimentação das áreas de interesse, fornecendo suporte perante esta exposição direta (e.g. universidades, escolas, estágios ou campos de férias) ou indireta (e.g. pesquisa online de informação sobre as áreas de interesse). Na experimentação destas áreas também deverá ser feito um balanço entre as oportunidades de cada área, o mercado de trabalho e a exploração das aptidões específicas da profissão de forma a potenciar uma tomada de decisão ponderada e consciente.

 

– Transmitir segurança e conhecimento. Em muitos casos, após a decisão efetivada, o exercício da profissão ou da área não corresponde às expectativas construídas e, portanto, pode potenciar a desmotivação para a mudança e/ou a procura de outras áreas. Os pais têm um papel significativo nestes casos para auxiliar na regulação de expectativas e emoções, mas também na normalização da situação, pois efetivamente podemos fazer a escolha mais acertada tendo em conta os recursos disponíveis e ainda assim não ser a melhor escolha para nós mesmos.

 

Por Inês Miranda

Psicóloga clínica

 

 

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