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ONU: Um milhão de espécies em risco de extinção

Novo relatório é o mais abrangente já apresentado, tendo contado com a participação de 145 autores especialistas de 50 países. O relatório avalia as mudanças nas últimas cinco décadas, fornecendo uma visão abrangente da relação entre os caminhos do desenvolvimento económico e os seus impactos na natureza.

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Cerca de um milhão de espécies animais e vegetais estão a ser ameaçadas de extinção, sendo que muitas deverão desaparecer nas próximas décadas, revela a Organização das Nações Unidas. O alerta foi feito num novo relatório da Plataforma Intergovernamental sobre Biodiversidade e Serviços Ecossistémicos, IPBES, aprovado na 7ª sessão do Plenário que aconteceu até sábado passado, em Paris, França.

 

Segundo a ONU, este relatório é o mais abrangente já apresentado. É o primeiro relatório intergovernamental deste tipo e baseia-se na histórica Avaliação Ecossistémica do Milénio de 2005, introduzindo formas inovadoras de avaliação das evidências. Veja o vídeo abaixo.

 


O estudo foi produzido nos últimos três anos, por 145 autores especialistas de 50 países e contou com o apoio de outros 310 autores contribuintes. O relatório avalia as mudanças nas últimas cinco décadas, fornecendo uma visão abrangente da relação entre os caminhos do desenvolvimento econômico e seus impactos na natureza. A análise oferece ainda vários cenários possíveis para as próximas décadas, com base na revisão sistemática de cerca de 15 mil fontes científicas e governamentais.

 

A natureza está a declinar globalmente, com taxas sem precedentes na história humana. O índice de extinção de espécies também está a acelerar, com prováveis graves impactos em pessoas em todo o mundo. Segundo o presidente do IPBES, Robert Watson, «a esmagadora prova da Avaliação Global do IPBES, de uma vasta série de diferentes áreas de conhecimento, apresenta um quadro ameaçador». Ele destaca que «a saúde dos ecossistemas dos quais nós e todas as outras espécies dependem está se deteriorando mais rapidamente do que nunca».

 

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Para Watson, «estamos ea desgastar as próprias fundações das nossas economias, meios de subsistência, segurança alimentar, saúde e qualidade de vida em todo o mundo». No entanto, e acrescentou que o relatório também indica que «não é tarde demais para fazer a diferença, mas apenas se começarmos agora em todos os níveis, do local ao global».

 

De acordo com a professora argentina Sandra Díaz, que copresidiu o estudo com outros especialistas, «a biodiversidade e as contribuições da natureza para as pessoas são a nossa herança comum e a mais importante ‘rede de segurança’ de apoio à vida da humanidade.». Ela explica que «a diversidade dentro das espécies, entre espécies e ecossistemas, assim como muitas contribuições fundamentais que derivamos da natureza, estão declinando rapidamente, embora ainda tenhamos os meios para garantir um futuro sustentável para as pessoas e o planeta».

 

A abundância média de espécies nativas na maioria dos principais habitats terrestres caiu em pelo menos 20%, principalmente desde 1900. Mais de 40% das espécies de anfíbios, quase 33% dos recifes de corais e mais de um terço de todos os mamíferos marinhos estão ameaçados.

 

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O quadro é menos claro para espécies de insetos, mas evidências disponíveis apoiam uma estimativa de que 10% delas estejam ameaças. Pelo menos 680 espécies de vertebrados foram levadas à extinção desde o século XVI. Mais de 9% de todas as raças domesticadas de mamíferos usados para alimentação e agricultura foram extintas até 2016, com pelo menos mais mil raças ainda ameaçadas. Mais de 40% das espécies de anfíbios, quase 33% dos recifes de corais e mais de um terço de todos os mamíferos marinhos estão ameaçados.

Para aumentar a relevância política do relatório, os autores da avaliação classificaram, pela primeira vez nessa escala e com base numa análise minuciosa das evidências disponíveis, os cinco fatores diretos da mudança na natureza com os maiores impactos globais relacionados até o momento. Em ordem decrescente, estes são as mudanças no uso da terra e do mar, a exploração direta de organismos, a mudança climática, a poluição e as espécies exóticas invasoras.

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