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Marketing: Olhá bolinha de Berlim!

«Ah, e tal, julho e agosto são meses calmos. Dá para fazer o balanço do primeiro semestre, arrumar a casa e preparar a segunda metade do ano para garantir que se cumprem todos os KPI’s.»

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Era bom. Era! Só que não é verdade! Todos os anos nos deixamos cair na ilusão de que dará para abrandar. Se é verdade que abranda o ritmo da vida – nas férias escolares, nos dias compridos, na leveza que transportamos connosco, na expetativa da contagem decrescente para as férias – o trabalho não abranda.

 

As marcas que querem marcar presença no 2º semestre do ano, com campanhas de regresso às aulas, Black Friday, Halloween ou Natal, têm de preparar o trabalho em julho e agosto. Não dá para encostar na sombra da palmeira!

 

Silly us! Os que pensavam que no verão se podia abrandar (será daqui que vem a Silly Season? Sei que não, mas o trocadilho era fácil e apetecível 😊).

 

VEJA TAMBÉM: SLOW MARKETING: RESPEITAR O TEMPO DOS CONSUMIDORES

 

É verdade que o verão é uma época naturalmente lenta para os negócios, porque os consumidores estão a poupar para as férias, ou para o material escolar ou simplesmente porque já estão nos seus destinos de férias concentrados nos mojitos, no camarão salteado e nos gelados.

 

Se não somos vendedores de bolas de Berlim, como devemos preparar-nos para evitar perdas de vendas nos meses de verão? Diria que atenção, preparação e relevância são a chave.

 

Vejamos algumas dicas do que devem as marcas fazer:

Alerta! Alerta! Promoções e ofertas especiais: claro que a ideia não é desvalorizar a nossa marca, mas sim oferecer ao cliente produtos e serviços convenientes e a bons preços. Uma opção pode ser preparar um concurso ou oferecer um brinde especial na promoção. Um consumidor relaxado é um consumidor mais propenso a comprar. Temos de aproveitar 😉

 

Comunicar onde estão os consumidores: no verão os clientes estão de férias e com rotinas diferentes. Provavelmente os canais de marketing tradicionais não serão os melhores para chamar a atenção. Nesta altura o consumidor deixa o computador na pasta e agarra-se (ainda mais) ao telemóvel. Ter uma comunicação com visuais de verão apelativos, comunicar no Facebook e no Instagram e priorizar a publicidade no telemóvel, são, provavelmente, boas apostas.

 

Desenvolver campanhas que acompanhem a aventura de verão: a ideia é envolver os consumidores antes do verão para que levem a nossa marca nas férias, mas, podemos também viajar com eles, aproveitando as publicidades no GPS, criando playlists no Spotify ou preparando recomendações de “sítios a visitar” ou “onde comer – covid safety” na viagem.

 

Tornar-se relevante: Como é que ao meu produto ou o meu serviço podem ajudar o consumidor durante as férias? Analisar os dados de verões passados é um bom começo. Perceber qual foi a procura e como foram os hábitos de consumo dos nossos clientes ajudarão a tornar a proposta (ainda) mais relevante. ‘Pet care’? ‘Plant care’? Entrega das compras na casa de férias? Serviço de refeições prontas para levar para as férias? Programação da viagem? ‘Babysitting’? Há um mundo de oportunidades para agarrar!

 

bolas de berlim

Dominar a viagem: o tempo de viagem (no carro, no avião, no comboio) aumenta durante as férias de verão. Seja nas filas para a praia, na deslocação para o destino de férias, nos vários passeios que se fazem em lazer. A verdade é que neste tempo, muitas vezes aproveitamos para ouvir rádio e podcasts. Anunciar a nossa marca num destes meios pode ser uma ótima aposta. Com sorte ela ficará associada a locais memoráveis, tardes divertidas e momentos únicos com a família e os amigos.

 

Foco no marketing digital (orgânico e de influência): já deu para perceber que no verão, o marketing tradicional não é “a cena”. Nesta altura o consumidor interage mais com as redes sociais pelo que, fará sentido apostar nestes canais, em publicidade orgânica (e deixar a paga para depois do verão) e aproveitar para reforçar o marketing de influência. Seja na praia, no campo, na varanda ou no jardim, a verdade é que, para onde o consumidor for, as suas redes sociais também vão. Claro que o conteúdo deve ser sempre adaptado aos interesses do consumidor nesta época.

 

Ativar: sabemos que a pandemia veio limitar muito o que as marcas podem fazer nesta altura, mas, não há qualquer dúvida que as marcas que conseguem marcar presença nos eventos e nas memórias que os consumidores constroem durante os meses de verão, conseguirão criar uma relação emocional com eles muito mais forte e duradoura. Quando todas as limitações destes últimos verões passarem, as marcas devem unir-se às comunidades locais e ajudar a trazer de novo a festa para a rua! Os festivais vão voltar! As festas vão voltar! Porque “O Verão não é só praia!” 😎 e há tanto para fazer. É ter calma e guardar a dica para outros verões.

 

Reforçar a ligação emocional: quando está mais relaxado e divertido o consumidor tem mais disponibilidade para ouvir aquilo que as marcas têm para dizer. Não tenho a certeza de que os meses quentes de verão sejam os mais indicados para uma grande campanha, mas, diria que são bons momentos para criar uma relação mais próxima e emotiva com o nosso potencial cliente.

 

Zerar: para as marcas que abrandam mesmo no verão, nada melhor que aproveitar para preparar o regresso e arrancar com aqueles projetos que estão na gaveta à espera de dias mais calmos. Fazer um refresh no site. Atualizar a loja online. E tantos outros que estarão apenas a aguardar uma oportunidade e atenção.

 

Agora que sabemos ‘o que fazer’ importa perceber ‘quando o fazer’.

Existem dois tipos de turistas (“holidaymakers”– a palavra inglesa é tão mais cool! 😏):

– Os que começam a preparar as férias de verão logo depois do Natal, aproveitando para começar a sonhar cedo com o próximo destino ou para aprender uma nova língua ou para estudar todo o roteiro e,

– Os que se aventuram nas ofertas de última hora e são mesmo capazes de preparar a mochila na véspera e sair porta fora sem destino certo.

 

Posto isto, fica difícil saber qual a melhor altura para iniciar as nossas campanhas de marketing de verão. Uma coisa é certa. Mais vale tarde que nunca pelo que, o meu conselho é, aproveitar a vantagem e começar cedo, logo no primeiro mês do ano – quem sabe beneficiando de algumas das resoluções de ano novo – e continuar por aí fora até ao verão. As marcas que tenham já vivido outros verões devem utilizar o histórico de vendas para perceber em que altura devem intensificar o esforço de comunicação e a oferta aos clientes.

 

Preparados para montar a barraca e entoar pregões de verão?

«Olhá bolinha de Berlim! Doces e fofas com’ás minhas!», «Olhá bolinha quentinha. Com creme ou sem creme.», «Olhá bolacha Americana! É pró menino e prá menina», «Olhó gelado fresquinho. É frut’ó chocolate!»

 

(Agora também se vendem toalhas de praia, roupa e quinquilharia diversa, mas não sei o pregão. Não sei sequer se têm um pregão. Alguém sabe? Vou estar atenta!)

Boas férias!

🏖😊🍹🍧

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