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Oceana Basílio: “O que gosto mesmo é de viver diferentes personagens, conhecê-las e construí-las.”

A atriz de "Bem-Vindos a Beirais" fala sobre este novo desafio e sobre o estado das artes em Portugal. Há ainda espaço para Oceana nos contar sobre a sua paixão pelo mar, falar das suas raízes algarvias e sobre o papel de mãe.

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Aos 36 anos, Oceana Basílio recebeu de presente o papel de protagonista da série da RTP “Bem-Vindos a Beirais”, onde interpreta a honesta Clara. Um ponto alto numa carreira que começou a construir aos 16 anos mas com a qual sonhava desde criança, quando ainda vivia em Tavira com os pais. Da cidade natal guarda saudades e uma paixão imensa pelo mar. Com os pés bem assentes na terra, Oceana prefere a ideia de trabalhar em Portugal com melhores condições do que sonhar com uma carreira internacional. Conheça melhor a profissional, a mulher e a mãe nesta conversa.

A Oceana cresceu em Tavira. Não sente saudades de viver junto do mar?
Sinto muitas saudades. Não vivo sem a presença de mar, preciso de tempo para estar na praia e de ver o mar. É onde renovo energias. Mas a maravilhosa  cidade de Lisboa  está tão perto do mar que facilmente encontro esses momentos tão essenciais para o meu bem-estar. E claro que todos os anos, sempre que possível, volto ao Algarve.

Lembra-se do momento em que decidiu que queria ser atriz?
Lembro-me de desde sempre dizer que queria ser atriz  e desde muito pequena que me envolvia em tudo o que tivesse a ver com teatro. Ainda hoje as pessoas que me acompanham desde miúda acham piada a isso.

Aos 16 anos, os seus pais permitiram que viesse para Lisboa estudar teatro. Como foi esta experiência de mudar para a capital sem a família, ainda tão jovem?
Vim com todo o apoio familiar necessário. Tínhamos cá muitos amigos e a minha avó paterna era de cá, portanto já estava habituada a Lisboa.  Foi um processo normal de adaptação numa cidade onde já estava habituada a passar temporadas. Passei por todas as fases normais, primeiro a dividir casa com amigos e depois a viver sozinha.

Apesar de ter começado no teatro, foi na televisão que se tornou conhecida do público, em “Morangos com Açúcar”. Como vê esta relação entre teatro e televisão?
Quando estudava teatro ainda existiam muitos atritos entre atores, que faziam apenas uma destas vertentes. Felizmente hoje em dia todas as formas de trabalhar são válidas. São diferentes a nível técnico, o que só pode valorizar o crescimento do ator. Gosto tanto de televisão como do teatro e cinema. Na realidade o que gosto mesmo é de viver diferentes personagens, conhecê-las e construí-las.

Sente que ainda há algum tipo de preconceito entre as duas áreas?
Hoje em dia quero acreditar que não. O teatro alimenta a alma e a televisão, para além de dar imenso prazer, ajuda a conseguir subsistir nesta arte. É quase impossível um ator sobreviver nesta arte se fizer apenas uma coisa.

Sente-se melhor num palco ou num plateau?
É diferente. Gosto dos dois mas é óbvio que o contacto direto com o público tem uma magia única.

E agora é protagonista na série “Bem-Vindos a Beirais”. Como é que aceitou este desafio?
Para ser sincera, quando me propuseram Beirais, ninguém me disse que seria protagonista. Apaixonei-me pela história de três amigas da cidade irem recomeçar uma vida no campo. Trabalhar com a Lúcia Moniz era algo que desejava há muito. Na realidade, acho que não existem protagonistas, principalmente porque nunca senti que esta série dependesse da narrativa dos protagonistas. As histórias de todos os personagens são importantes para esta aldeia.

Tem algo em comum com a Clara, a sua personagem?
Acho que apenas a lealdade com os amigos e a sua honestidade perante a vida.

Li que tem recebido muitos contactos de emigrantes portugueses espalhados pelo mundo. Pode contar-nos alguma história que lhe tenha ficado na memória?
Tenho várias, mas todos os que nos visitam de tão longe à procura desta aldeia já nos deixam emocionados com este carinho tão especial que chega até nós.

Este ano ainda fez uma curta-metragem. Pode falar-nos deste projeto?
É um projeto que está em pós-produção e sobre o qual ainda não posso adiantar muito, apenas que a história é muito real, como eu gosto, e todos os atores são fantásticos.

Gostava de explorar mais o cinema?
Sim, claro que gostava. Mas Portugal tem muito pouca produção cinematográfica. Espero que isso mude e que se invista mais no cinema, temos tudo para isso, falta apenas o essencial investimento.

E fazer carreira internacional é um sonho?
Não direi um sonho, mas sim apenas o prazer de poder explorar outras formas de trabalhar. Sou muito pés na terra, no que se refere a sonhos profissionais. Gostava de trabalhar mais e melhor cá, por exemplo.

Quem são as suas referências no trabalho?
As pessoas dedicadas, profissionais, os que amam aquilo que fazem, aqueles não estagnam apenas por dinheiro. Os que gostam de criar e respeitam as ideias criativas dos outros.

A vida para além do ecrã

Participou num desfile no Portugal Fashion. Gostou da experiência?
Foi uma experiência engraçada e agradável.

Quais são as suas rotinas de beleza?
Desmaquilhar muito bem, um bom creme hidratante e muita água.

Quais as peças de roupa imprescindíveis no seu armário?
Calças de ganga e ténis. Adoro andar confortável no meu dia a dia.

Como é a sua relação com a moda?
Gosto de moda mas não sigo religiosamente as tendências. Visto o que gosto e aquilo com que me sinto confortável, também dependendo do estado de espírito e do que vou fazer nesse dia. O importante é gostar do que eu vejo. Sou uma fã das roupas da G.Sel.

Como encarou a transição para a maternidade?
Tenho irmãos bem mais novos e acompanhei todo o processo com a minha mãe por isso ser mãe foi algo muito natural.

Como é a sua relação com a Francisca? 
Acima de tudo sou a mãe. Sou exigente na sua formação e educação, não a melhor amiga, mas o porto de amor e abrigo essencial. Vivemos sozinhas nos últimos sete anos, somos muito cúmplices e partilhamos todas as decisões importantes. Seja qual for o seu rumo só quero que seja feliz.

Que preocupações tem como mãe? 
Acho que todas as que qualquer mãe tem mas tento não ser demasiado controladora.

Quando não está a trabalhar, como é que gosta de passar o seu tempo livre?
Com as pessoas que gosto, a ver um bom filme, a jantar com amigos, fazer desporto, ir ao teatro e, às vezes, gosto só de apreciar o silêncio.

Por Joana de Sousa Costa

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