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Obesidade e fertilidade: o efeito da perda de peso segundo um ginecologista

Estima-se que entre 50% a 55% das mulheres em Portugal têm excesso de peso ou são obesas. Esta condição traz impactos negativos à fertilidade e à própria gravidez. Veja os problemas que a obesidade pode causar na fertilidade e os benefícios de perder peso.

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A síndrome do ovário poliquístico (SOP) afeta 20-25% das mulheres e a sua prevalência parece estar crescendo devido ao agravamento da obesidade na população feminina. As mulheres com SOP representam quase 90% do total das pacientes que recorrem a clínicas de infertilidade com anovulação. É importante não esquecer que perto de 40% das mulheres com SOP são obesas e apresentam maior resistência periférica à insulina em comparação com as que têm ovários normais e peso considerado ideal.

 

Vários estudos demonstraram que a perda de peso em mulheres com SOP beneficia o perfil endócrino, regulariza os ciclos menstruais, melhora a taxa de ovulação e a probabilidade de uma gravidez saudável. Mesmo uma pequena perda de 5% a 10% do peso corporal total pode levar a uma redução de 30% da gordura central, a um incremento da sensibilidade à insulina e ao restabelecimento da ovulação.

 

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Um elemento fundamental para a melhoria da função reprodutiva destas mulheres é a modificação do estilo de vida. A perda de peso deve, por conseguinte, ser incentivada antes dos tratamentos de indução da ovulação, quer com citrato de Clomifeno (Dufine) ou gonadotropinas, pois aumenta a probabilidade de ovulação e a resposta ovárica. Por outro lado, nas pacientes com obesidade a monitorização do tratamento é mais complicada pois a visualização dos ovários é mais difícil, o que aumenta o risco de ovulação e gravidez múltipla.

 

Em alguns países, existem mesmo diretrizes que recomendam, a mulheres com excesso de peso e ovário poliquístico a perda de peso (para um IMC inferior a 30 kg / m2), antes da utilização de medicamentos para estimulação ovárica. Estas diretrizes têm por base vários estudos que comprovaram que a perda de peso tem um efeito significativo na melhoria da função endócrina, na recetividade aos medicamentos, na ovulação e consequentemente na probabilidade de gravidez.

 

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Alguns estudos demonstraram ainda que perdendo peso e com o apoio adequado, as pacientes podem ovular espontaneamente sem terapia médica, têm taxas de aborto mais baixas do que o previsto e há uma economia significativa no custo do tratamento. Volto a enfatizar que alterações no estilo de vida que conduzam a uma redução do peso são claramente um elemento fundamental para a melhoria da função reprodutiva em mulheres que têm excesso de peso associado a anovulação e SOP. Nas últimas décadas o uso de medicamentos como a metformina despertou muito interesse nos casos de SOP, contudo ela parece ser pouco eficaz nas mulheres com obesidade extrema e anovulação.

 

Porém alguns estudos demonstraram que a metformina pode melhorar o hiperandrogenismo, as anomalias da secreção de gonadotrofinas em mulheres com ovários poliquísticos e, às vezes, também restaurar a a regularidade dos ciclos menstruais. Contudo a metformina parece ser menos efetiva nos casos em que o IMC é superior a 35 kg / m2. Ficou também demonstrado que as mulheres não obesas com ovários poliquísticos respondem melhor à metformina do que as mulheres obesas. Entretanto outras pesquisas evidenciaram que a associação da metformina ao citrato de clomifeno (Dufine) não parece aumentar o resultado sob a indução da ovulação.

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